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O DIA 03 DE JANEIRO DE 1917, NA HISTÓRIA DA BRIGADA MILITAR – Hospital Da Brigada Militar – 10º Aniversário – Discurso Do Capitão Médico Armando De Mello Barbedo

A Federação, no dia 03 de janeiro de 1917, quarta-feira, noticiava:

Festa no Hospital da Brigada Militar

Conforme promettemos em nossa edição de hontem, a seguir reproduzimos o discurso pronunciado pelo capitão medico dr. Armando de Mello Barbedo, por occasião da inauguração dos retratos do general Salvador Pinheiro Machado, vice-presidente do Estado, em exercicio, e tenente-coronel Affonso Emilio Massot, commandante interino da Brigada Militar, na sala do recepção do hospital daquella milicia estadual, no dia 1º do corrente mez.

“Ilmo. sr. representante do exmo. sr. General Salvador Pinheiro Machado, vice-presidente do Estado, em exercício, sr. dr. Protasio Alves, Secretario do Interior, tenente-coronel Affonso Emilio Massot, commandamte geral da Brigada Militar, srs. commandantes de corpos e meus senhores:

Hoje, ha 10 annos, pela ordem do dia n. 365, de 31 de dezembro de 1906, foi creado este estabelecimento, actualmenle denominado Hospital da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul, por acto do Governo do Estado e constante da ordem do dia nº 236, de 4 de agosto de 1911.

Foi creado pelo exmo. sr. dr. Antonio Augusto Borges de Medeiros, presidente do Estado, estando no commando geral da Brigada o então coronel José Carlos Pinto e na chefia do Serviço Sanitario o sr. capitão dr. João Dias Campos.

O nosso Hospital constitue, hoje, uma das repartições importantes da Brigada Militar, a qual, dia a dia vae se impondo, mais e mais, ao respeito e á consideração publica pela sua excellente organização, pela sua disciplina que tem sido a base solida do seu progresso. Essa força, pela qual o Rio Grande tem, na phrase de um notável republicano: “um affecto particular, affecto que vem de grande e terrível época em que soube ella derramar o sangue de seus soldados em defesa da República, nas coxilhas do Rio Grande, tingindo o verde das campinas de rubro”.

Prevalecendo-me desta data gratíssima para nós, que temos o orgulho de pertencer a uma corporação tão digna e prestimosa, tomei a iniciativa, como chefe interino do Serviço Sanitário, de inaugurar nesta sala, com a devida permissão do meu chefe, os retratos dos srs. General Salvador Ayres Pinheiro Machado e tenente-coronel Affonso Emilio Massot.

Essas duas individualidades distinctas representam um traço de união indestrutível da vida da nossa Brigada Militar, a que ambos estão vinculados por serviços inesquecíveis, importantes, que constituem um belo patrimônio moral, guardado com zelo e carinho dos bons patriotas rio-grandenses.

Sem atribuições nem intenção de balancear os serviços valiosos que já prestou diretamente á nossa Brigada o sr. general e os está prestando o actual comandante, seja-me permitido, todavia, dizer que esses serviços estão em relevo na consciência de todos nós que admiramos com respeito o solícito interesse nos atos daquele que sempre trata de melhorar a situação da Brigada Militar e o especial zelo e dedicação consciente do nosso comandante geral cujo tino militar tive a ocasião de ver consagrado por opiniões de competentes, imprimindo ainda á sua administração o cunho brilhante do seu espírito progressista e organizador.

Estes dous representantes genuínos dos mais dignos servidores militares do nosso Rio Grande, não limitam seu glorioso passado ao conjunto generoso de sua acção guerreira: a fé republicana e a lealdade política aninharam-se sempre no coração de ambos e foram postas em evidencia por actos nobres de caracter que não preciso aqui rememorar.

Elles estão gravados indelevelmente na história republicana do Rio Grande!

Tornar-me-ia prolixo, se fosse citar todos os feitos de valor e abnegação patriótica deste leaes servidores da Republica Brazileira.

Os lugares que os retratos de ambos vão ocupar na galeria desta sala, ao lado de alguns de seus antigos companheiros de luctas politicas e guerreiras, já os esperavam há muito tempo.

Este acto é uma homenagem justíssima.

Sem esquecer os progressos realizados na vida interna do Serviço Sanitário da Brigada, devo consignar aqui os de elevado alcance, que foram obtidos no actual exercício do exmo. Sr. General vice-presidente e no comando do sr. Tenente-coronel Massot: a expedição do Regulamento para os Internos deste Hospital (decreto n. 2.157, de 21 de setembro de 1915) e a creação de um Posto Médico no Quartel de Infantaria (ordem do dia n. 62, de 1º de julho de 1915), cujas vantagens sanitárias e econômicas têm sido provadas na prática quotidianamente, prestando inestimáveis serviços com mínima despeza, conforme eu previra.

Chegou o dia de realizar-se outro importante melhoramento para este Hospital e para o Serviço Sanitário em Geral: a creação do Curso Prático de Enfermeiros e Padioleiros, que acaba de ser feita pela sr. Commandante Massot.

Estou de parabéns, com todos aquelles que servem na Brigada, sob minha chefia interina.

Seja-me permitido ler aqui a cópia do officio que dirigi ao sr. Comandante Massot, referente ao Curso de Enfermeiros e Padioleiros da Brigada Militar. Ei-lo:

“Ilmo. Sr. tenente-coronel Affonso Emilio Massot, d.d. comandante geral da Brigada Militar.

Com prazer venho submeter ao vosso elevado critério e deliberação o incluso regulamento que organizei para a creação de um Curso Pártico de Enfermeiros e padioleiros da Brigada Militar, anexo ao Hospital. Relevae que, em abono desse melhoramento de alto valor para o nosso serviçoeu deduza as seguintes considerações: A creação deste Curso, impõe-se como importante melhoramento de resultados practicos e reaes. O preparo de enfermeiros e padioleiros como profissionais competentes trará vantagem incontestável para o Serviço Sanitário da Brigada Militar.

Nos grandes hospitais, quase em sua totalidade, há Escolas de enfermeiros, onde são eles preparados e habilitados na technica indispensável, não só para o serviço hospitalar, como para o domiciliário, de modo que se tornam bons auxiliares dos médicos no serviço sanitário militar, podendo ainda, fora dele, servir-lhe de profissão de meio de vida em casa de saúde, sanatórios civis, lazaretos ou outros estabelecimentos congêneres. Tal creação terá, indubitavelmente, bons resultados imanentes que ressaltam sobremaneira, considerando que, em geral, o cargo de enfermeiro é confiado a indivíduos cujo tirocínio foi adquirido accidental e incompletamente no convívio forçado do Hospital, onde estiveram por longo tempo em tratamento, devido, quase sempre, a moléstias chronicas que lhes roubaram do organismo a robustez physica indispensável e a atividade, condições tão preciosas para o desempenho desta profissão. Isto é o que se dá nos hospitais civis, nos quaes a situação destes indivíduos é, até certo ponto, suportável. Num hospital militar, são escolhidos, ordinariamente, para tal fim, homens sadios mas sem os conhecimentos technicos indispensáveis, que facilmente poderão adquirir, uma vez submetidos ás normas de de um curso, embora modesto como o nosso, que ora proponho e cuja utilidade vos digneis verificar.

Para por em relevo e facilitar o juízo seguro sobre o valor profissional do enfermeiro, cujas funções são mais elevadas do que parece á primeira vista, citarei as honrosas referências feitas pelo notável médico que honra a França, dr. Maurice Letulle que diz: “O enfermeiro e solícito, consciencioso e abnegado, é um auxiliar indispensável na vida social; ricos e pobres, pequenos e grandes, todo mundo passa por suas mãos; cada um, por seu turno, tem necessidades dos seus serviços, dos seus cuidados. A assistência aos enfermos, seja particular ou pública, encontra no enfermeiro o instrumento fundamental de sua beneficência. É preciso, pois, educa-lo de uma maneira irreprehensivel de conformidade com os dictames da sciencia, da medicina e da hygiene modernas”.

Bastam os conceitos ponderados e justos desse ilustrado medico para evidenciar o enorme incalculável serviço que a creação do Curso Prático de Enfermeiros e Padioleiros prestará á nossa Brigada Militar, cuja secção de enfermeiros poderá ser constituída de pessoal competentemente instruído e apto para as suas funções.

Quando submeti á sua elevada deliberação o regulamento do Curso em questão, tinha plena certeza de que seria aceito de bom grado, porquanto conheço o seu hábito de estudar e resolver os assuntos a ele submetidos.

A creação desse curso, indubitavelmente, é uma iniciativa de grande alcance, tornando os seus enfermeiros e padioleiros profissionais idôneos, enaltecendo, assim, o Serviço Sanitário da Brigada Militar, que terá, então a sua secção de Enfermeiros composta de profissionais habilitados e as diversas unidades terão em seus quartéis homens aptos para desempenhar a profissão de enfermeiros ou padioleiros, quando, de momento, houver necessidade.

Para tal certamen, pode-se contar com o concurso valioso dos officiaes de saúde da Brigada, que sabem muito bem dos relevantíssimos serviços que tem prestado na guerra Européia o serviço sanitário e o valor merecido que lá lhe dispensam os governos, convictos de sua grande utilidade e vantagens.

Não é uma inovação e creação de Escolas de Enfermeiros.

Já em 1798, o dr. Valentim Siemann instituira um ensino especial para enfermeiros junto ao Hospital de New York.

Em 1928, Elisabeth Try, tivera o mesmo procedimento para com os enfermeiros do Guy-Hospital de Londres. Appareceu depois, miss Florence Nightingale sobre a qual refere-se o médico chileno, dr. Moysés, da seguinte forma: “Miss Florence Nightingale pode ser considerada, com justiça, como a verdadeira credora das escolas de enfermeiros.

Nasceu ella em Florença, em 1820, era filha de paes ilustres, possuía sentimentos tão nobres, tão elevados e abrigava um coração tão bondoso e terno que não podia ver a desgraça alheia sem sofrer grande pezar. Sendo jovem, de formosura pouco comum e dotada de grande fortuna, renunciou a vida social e aos attractivos da família para consagra-se ao cuidado dos enfermos. Apenas contava vinte e cinco anos de idade quando emprehendeu uma excursão pelos países do mundo civilizado com o fim de estudar as melhores condições de assistência hospitalar.

Digna de recordação é a participação que Florence Nightingale tomou na Guerra da Criméia. O governo inglez confiou-lhe a direção absoluta do pessoal feminino enviado ao coampo de batalha para soccorer aos enfermos e atender aos feridos. Tão habilmente soube ella desempenhar-se do seu importante papel que bastará dizer, mediante seus acertados trabalhos, fez descer a mortalidade das ambulâncias inglesas de 60% que antes eram de 2,21%.

Este esplendido resultado deve indubitavelmente, ser attribuido á inteligente direção de Florence Nightingale, á implantação vigorosa dos princípios de hygiene, á constante vigilância da diretora e á abnegada dedicação de suas subalternas.

Esta reduzida cifra de mortalidade inglesa contrastava com a excessiva mortalidade dos exércitos francez e russo. Esta obra realizada com tanto brilho nas ambulâncias inglesas de á Miss Florence Nightingale um nome honroso muito maior, porém, foi a fama que ella adquiriu nos hospitais do seu paíz, organizando os serviços e estabelecendo definitivamente as escolas de enfermeiros. Ella foi quem primeiro demonstrou praticamente que um enfermeiro bem educado e instruído é um colaborador indispensável do médico.

Aconteceu a Miss Florence Nightingale o que sempre sucede aos que implantam reformas transcendentes ou de alta importância: Foi combatida energicamente; mas logo os ataques cessaram em vista dos magníficos resultados obtidos e teve-se de confessar que a sua recente creação era um verdadeiro bem público.

Em reconhecimento de tão assignalados serviços a Inglaterra ofereceu-lhe, por subscrição popular, a quantia de 10.000 libras para que fundasse o primeiro instituto de enfermeiros profissionais. Este foi instalado no Hospital de São Thomaz, em Londres (370 leitos), e começou a funcionar com toda a regularidade no anno de 1860.

A contar desta data a creação de Miss Florence Nightingale tem continuado a desenvolver-se e a prosperar.

Actualmente existem na Inglaterra mais de 500 escolas. Nos Estados Unidos da América do Norte, funcionam 1.200 escolas officiaes de enfermeiros. O dr. Bourneville foi o iniciador dessas escolas na França.

E assim tem sido grande a propaganda com feliz êxito na Allemanha, Hollanda, Suéecia, Noruega, Japão, etc., onde as escolas de enfermeiros são organizadas com todo o conforto. Na Republica Argentina, em Buenos Ayres, a dra. Cecilia Grierson creou a escola de enfermeiras, em 1875. Esta instituição tem prestado relevantes serviços ao público de Buenos Ayres. Em 1902, foi creada no Chile a primeira escola no Hospital São Borja, pelo medico chileno Eduardo Moure.

No Rio de Janeiro, a Cruz Vermelha Brazileira creou a Escola Pratica de Enfermeiros no dia 10 de março do corrente anno, cuja licção inaugural foi proferida pelo dr. Getulio dos Santos, o qual, com os doutores Estellita Lins e Souza Ferreira compõem o corpo de professores daquela escola. O dr. Getulio dos santos termina a sua bela e magistral licção dizendo: ‘Finalmente, são mandamentos que devem fazer parte da cartilha de todo bom enfermeiro, isto é daquele que quiser inspirar confiança, essa confiança que é o primeiro allívio que se pode dar aos que sofrerem, na frase do professor Hartmann, as seguintes qualidades:

1º – Ter um bom temperamento, isto é, esforçar-se por ter o mesmo humor, a mesma paciência, muita calma;

2º – Ser amável, delicado, zeloso, corajoso, disposto a suportar sacrifícios e dissabores, por vezes inevitáveis, na presença dos enfermos, cujos caracteres são tão bizarros;

3º Junto dos enfermos, não mostrar indiferença na expressão da physionomia; eles são impressionáveis e sabem ler nos olhos dos que os tratam tudo que lhes diz respeito …;

4º – De mão leve e firme, ter carácter decisivo, ser obediente, respeitoso e pontual;

5º – Nunca se dirige ao enfermo como chefe ou superior e sim como guia e amigo bondoso; uma palavra amável, um sorriso, evitam as vezes a cólera ou a explosão de violências;

6º – Evitar qualquer excesso de intimidade ou familiaridade com os enfermos; ser seu servidor, com autoridade e afeto;

7º – Não ser apressado nem vagaroso ou desajeitado, más qualidades que dão ao enfermo uma impressão dolorosa;

8º – Fallar sempre a verdade para merecer a confiança de todos;

9º – Não fallar demais, não tratar de sua saúde com os enfermos e respeitar os companheiros de trabalho;

10 – Mostrar sempre satisfação em prestar qualquer serviço aos enfermos e atender com indulgência as reclamações, tendo em consideração que, segundo as palavras de Shakespeare, “Deixamos de ser nós mesmos quando a dor physica nos domina”.

São os enfermeiros dotados de todos esses admiráveis predicados que, na expressão do dr. Hamilton “transformam a atmosfera hospitalar; graças a eles o hospital deixará de ser um lugar de pavor, um soccorro que faz horror, para onde os humildes da terra só se deixam levar pelo excesso da dor”.

A creação do nosso curso trará, forçosamente, vantagens incontestáveis para o Serviço Sanitário da Brigada e o que desejamos é que ele seja duradouro, porque assim teremos os nossos enfermeiros militares profissionais competentes.

André Tudoso, escrevendo sobre o valor dos padioleiros, diz; “Os padioleiros, na galeria dos heróes têm direito a um lugar de honra.”

O padioleiro deve ser forte, ágil, criterioso e valente.

Desarmado, atira-se á frente do inimigo, sem usar da carabina ou das granadas no campo de batalha.

Referindo-se a uma ambulância que figura na primeira linha, a 900 metros do inimigo, num território próximo a Liége, e que dispunha de 600 padioleiros, conta actos de bravura dos padioleiros, dos quaes eu cito o seguinte: “Uma manhã, pelas 10 horas, , disse-me, o comandante dos caçadores comunicou-me pelo telefone que, havendo explodido um fortim construído na linha de frente, para abrigo das metralhadoras, dez homens que se achavam próximo estavam inutilizados. Cinco haviam morrido e os cinco restantes estavam gravemente feridos; era necessário recolhel-os e, para isso, tinham uma hora e meia, pois ao meio-dia devia se atacar o inimigo.

Reuni os meus homens, ás ordens do ajudante da ambulância. Dez padioleiros destemidos! Exclamei. Depois de lhes ter transmitido as ordens do coronel, acrescentei: “É necessário passar, custe o que custar”. Se os dez primeiros voluntários morrerem, devem estar preparados outros dez, na orla do bosque”.

O ajudante fez a continência e respondeu; “- Passaremos!”

Ás 11 e 30 o ajudante estava de volta com os cinco soldados feridos. Felicitei-o. Oh! Respondeu, foi empresa fácil; sinto, porém, comunicar-lhe que dois dos nossos camaradas morreram. Nós trouxemos os seus cadáveres; e, sem entrar em outros detalhes, um tanto pálido, retirou-se.”

No dia seguinte, chegou á ambulância um capitão ferido, que me disse: “Você tem sob suas ordens homens de valor extraordinário; em minha trincheira os quizera ter assim; sobretudo o ajudante, que é valoroso. E, por sua vez relatou: “ – Os dez padioleiros e seu comandante apresentaram-se na primeira linha. Recebi-os. Deram-me conta da delicada missão que ali os levara. Não saiam, disse-lhes. O fogo é terrível e incessante e a aventura pode custar-lhe a vida, proibindo-os de avançarem. O ajudante retorquiu: Pertencemos ao serviço médico. Nosso major chefe ordenou que fossemos recolher os feridos do fortim “custasse o que custasse”, e logo acrescentou a famosa frase: – por onde passarem os caçadores, passaremos também, meu capitão. E tocando um apito lançou-se á testa de seus homens. Sessenta metros, em terreno descoberto, furiosamente varrido pelas metralhadoras, tinha de ser transpostos. O pequeno grupo sobre, salta, cae, arrasta-se .. e passa. Na trincheira inimiga os alemães os vê surgir, com espanto e admiração. O official alemão grita em bom francez: “isso que estão fazendo é uma temeridade: não voltarão.” E, de facto, o mais difícil era o regresso. Não obstante a ameaça, seguida de execução, voltaram ás linhas francezas, carregando, cada um, sobre os hombros, um ferido ou um morto. O ajudante de pé, sem outra arma além do seu rebenque, dava ordens a seus comandados, calmamente, debaixo do fogo inimigo. Dois padioleiros morreram. O ajudante carregou, então, os soldados primeiro e, logo em seguida, os seus subordinados, sendo nesse trabalho atingido por uma bala que lhe atravessou um braço.

Meus senhores. É tempo de terminar.

A nossa presença aqui representa três actos que dignificam a existência útil da nossa Brigada Militar: Uma justa homenagem ao exmo. General Salvador Pinheiro Machado e comandante Massot, a comemoração da data em que se fundou este estabelecimento e a inauguração do Curso de Enfermeiros e Padioleiros.

O coração inteiro da Brigada Militar, através da satisfação emanada da solenidade aqui realizada hoje com um fim tríplice, tem, forçosamente de lembrar-se daquele cujo nome é um lábaro precioso que nos guia os passos, fortalecendo as inspirações do nosso patriotismo: Julio de Castilhos, o imortal creador da Brigada Militar. A ele, sempre e sempre a nossa gratidão e profundo repeito.

Tenho dito.”
*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIV, edição 003, de 03/01/1917, quarta-feira, página 2

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