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A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Incêndio no quartel do 1º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar, em 1914.

A Federação, no dia 03 de julho de 1917, noticiava:

Incêndio no 1º batalhão de infantaria da Brigada Militar – Momentos após a sua chegada a quartel, o Corpo do Bombeiros foi avisado de que havia fogo no quartel do 1º batalhão de infantaria da Brigada Milhar, á rua General Canabarro. Dirigindo-se com presteza ao local referido, os bombeiros pouco tiveram a fazer, pois o fogo fôra extincto, em poucos momentos, a baldes d’água.

Sabedor do occorrido compareceu logo ao quartel o respectivo commandante, tenente-coronel Francelino Rodrigues Cordeiro.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXI, Edição 155, de 03 de julho de 1914, sexta-feira, página 5. *Mantida a grafia da época.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Novos uniformes da Brigada Militar, em 1909

Correio do Povo, no dia 15 de maio de 1909 noticiava:

EXPOSIÇÃO AGRO-PECUARIA

Além da guarda de honra do Tiro Brazileiro, formará, por occasião da Exposição Agro Pecuaria, a 24 do corrente, o piquete do presidente do Estado e uma companhia do 1º batalhão da Brigada Militar. Essas forças trajarão o novo uniforme da Brigada. …

Fonte: Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”. *Mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO – Revista aos Corpos da Brigada Militar e desfile, em 1914

A Federação, no dia 08 de maio de 1914, sexta-feira, noticiava:

Brigada Militar — Formatura em parada

Com um effectivo de 1035 homens, constituindo 3 Batalhões de Infantaria a 4 Companhias e 1 Regimento de Cavallaria a 4 Esquadrões, formou em parada para revista no Campo da Redempção, hontem, ás 14 ½ horas, em uniforme 4º, conforme fôra determinado em detalhe do serviço, a Brigada Militar do Estado.

A força formou em linha desenvolvida, a cavallaria em batalha, occupando toda a extensão que vae pela avenida Sant’Anna desde o Collegio Militar, onde se apoiou a direita occupada pelo 1º Batalhão de Infantaria, até as immediações do Instituto Technico Profissional, onde se achava a esquerda da cavallaria.

De armas descançadas, com o intervallo entre si de 30 passos, aguardavam os corpos a chegada do commandante geral para prestar-lhe a devida continência.

A’s 14 1/2 horas em ponto approximava-se da força o coronel Cypriano Ferreira e seu Estado-Maior e ao distar 50 metros do centro da linha, todos os Corpos, da direita para a esquerda, fizeram braço-arma e apresentar-arma.

Correspondendo á continência com a mão direita, assumiu o Coronel Cypriano o commando da tropa em parada, fazendo os Corpos em seguida braço arma.

Teve, então, inicio a revista.

O Estado-Maior collocou-se á direita de toda a linha e o commandante geral percorreu toda a força da direita para a esquerda, tocando a Banda de Musica de cada Corpo um dobrado quando esta antoridade se approximava 10 metros do flanco direito, sendo ali recebido pelo comandante, que o saudava e acompanhava do lado exterior até 10 metros além do flanco esquerdo, quando a musica deixava de tocar, regressando o commandante ao seu lugar, após nova saudação de espada.

De modo semelhante procederam todos os Corpos á passagem do commandante geral pela retaguarda.

Terminada a revista mandou o commandante geral descançar-arma, fazendo em seguida, por intermedio do assistente do pessoal e ajudante de ordens, chegar suas determinações aos comandantes de Corpos.

Teve lugar, então, o desfilamento, a infantaria por pelotões e cavallaria por quatro, seguindo toda a força pela rua da República, Campo da Redempção, Praças Independencia e Conde de Porto Alegre, ruas Duque de Caxias, General Canabarro, Andradas e Independencia até a Praça D. Sebastião.

Ao enfrentar ao Palacio do governo, achando-se em uma das janellas o dr. presidente do Estado, a tropa prestou-lhe as devidas continências marcadas na tabella.

Na praça D. Sebastião, determinou o commandante geral o deslocamento das forças, a seus quartéis, tendo a mesma autoridade recebido de cada Corpo que se retirava a continência regulamentar.

O asseio da tropa, quer quanto ao uniforme, quer quanto ao armamento ou arreiamento, nada deixou a desejar, e a firmeza com que se apresentou na parada e o garbo e desembaraço que demonstrou na marcha, effeito de um treinamento methodico e continuo, mereceram louvores.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 107, de 08/05/1914, sexta-feira, pág. 5. *Mantida a grafia da época

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Instrução de Topografia Militar aos Oficiais do 1º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar, em 1914

A Federação, no dia 24 de abril de 1914, sexta-feira, noticiava:

Topographia militar – Levantamento expedito — A um grupo de officiaes do 1º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar deu, hontem, o Capitão instructor Emilio Lucio Esteves, mais um exercicio pratico de topographia, tratando do levantamento á prancheta pelos methodos de caminhamento, radiamento o intersecção empregando as convenções adoptadas pelo Grande Estado Maior do Exercito.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 095, de 24/04/1914, sexta-feira, página 4. * Mantida a grafia da época.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Comemorações de 21 de Abril, na Brigada Militar, em 1914 – II

A Federação , no dia 22 de abril de 1914, quarta-feira, noticiava:

 21 DE ABRIL

Prelecções cívicas – Brigada Militar – Passeio do 1º Regimento – Em Palácio – A festa do Gremio Gaúcho – Outras notas.

Por motivo da passagem da data de 21 do abril, realisaram-se, hontem, nesta capital, varias festas cívicas, organizadas pelos corpos do Exercito, Brigada Militar e diversas associações.

De accôrdo com o actual programma do instrucção da Brigada Militar, o Tenente Vicente Landell dos Santos, do 2º Batalhão, e Alferes João Pinto Guimarães, do 1º Batalhão, fizeram as seguintes prelecções:

Camaradas

Cabe-me, hoje, a grata missão de dirigir-vos a palavra para explicar-vos a grande data que amanhã passará. 21 de abril!

Para nós, brazileiros, essa data traduz a magna epopéa, que passou á, posteridade e teve por principal protagonista o Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes!

Não dispondo de phrases buriladas para descrever os feitos desse grande vulto e de seus companheiros de martyrio pela liberdade de nossa, Patria, vou citar-vos o capitulo que a historia de nosso Brazil lhes consagra, si bem que em rápidos, porém significativos traços:

“As causas priricipaes da anti pathia que lavrava entre o Brasil e Portugal foram: em 1º logar, a preferencia odiosa que, para preenchimento dos empregos publicos, dava a Côrte aos Portuguezes; em 2º,  as medidas oppressivas com que de Lisboa esforçavam-se por impedir o desenvolvimento e a prosperidade da Colonia, e, por último, os pesados impostos que eram arrecadados com grande rigor.

Foi Minas Geraes o ponto em que manifestou-se pela 1ª vez o desejo de sacudir tão odioso jugo, que ainda mais insuportável se tornava pela violenta administração do capitão general D. Luiz Antônio Furtado de Mendonça, Visconde de Barbacena, sendo este pela Metropole especialmente encarregado de proceder á cobrança do imposto das minas, do qual a capitania achava-se desde annos em atrazo.

Um acontecimento que muito contribuiu para avivar no Brazil o sentimento da Indepedência, foi o esplendido triumpho dos norte-americanos sobre a Metropole ingleza, libertando-se depois d’uma luta heróica, que durou 7 annos.

Também teve influencia notável sobre os ânimos do Brazil a grande propaganda que naquelle tempo fazia-se na Europa, no sentido de uma revolução completa nas instituições sociaes e politicas; sendo as grandes idéas dos philosophos francezes trazidas para o Brazil, onde achavam écho no coração dos opprimidos habitantes da Colonia.

Os principaes patriotas que tentaram realisar a grande idéa da Independência foram José Joaquim da Maia, José Maria Leal, Domingos Vidal Barbosa, José Alvares Maciel, Ignacio José de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa, Thomaz Antonio Gonzaga e o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes.

José Joaquim da Maia, achando-se com alguns outros companheiros estudando na Europa, celebrou uma conferencia com o ministro norte-americano em Paris, Thomaz Jefferson, pedindo-lhe o auxilio dos Estados-Unidos na revolução que se preparava no Brazil.

Este generoso passo dado pelo joven patriota mallogrou-se porque Jefferson não quiz ou não pode contrair compromisso algum, declarando que ao Brazil competia fazer por si mesmo a sua independência, o só então deveria contar com o apoio dos Estados Unidos.

José Alvares Maciel e Domingos Vidal Barbosa, companheiros de estudos de Mata, depois da morte deste era Lisbôa, voltaram para Minas Gerais, onde se encontraram com os patriotas, que já se occupavam com a organisação da revolta. Os conjurados reuniam-se primeiramente em casa de Claudio Manoel da Costa e depois na do tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade.

O plano concebido pelos patriotas era, em breves palavras, o seguinte: pretextando uma oposição  enérgica contra o imposto das minas, propunham-se a declarar em seguida a independência do Brazil, dando-lhe um governo republicano, e como capital a cidade de São João d’El-Rei. Os conjurados extenderam a sua actividade tambem até as capitanias de S. Paulo e Rio de Janeiro, e commissionaram, para preparar a rebellião nesta ultima capitania, ao Tiradentes, moço enthusiasta, cheio de patriotismo, que julgava deverem todos abrigar os mesmos sentimentos generosos que ele professava.Partiu, pois, o Tiradentes, para o Rio de Janeiro, mas não procedeu alli com a necessária reserva. Confiava seus planos a indivíduos que eram incapazes de sujeitar-se ao grande sacrifício que lhes pedia; alliciava soldados nos quartéis do Rio de Janeiro quase abertamente, e comprava armas em tão grande quantidade que devia deslpertar suspeitas.

Não tardou o capitão general de Minas a ter conhecimento da conspiração.

Entre os conjurados havia alguns homens de sentimentos baixos, que venderam a sua honra, e a causa de sua patria o a sorte de seus companheiros. Estes homens foram o coronel Joaquim Silverio dos Reis e os tenentes-coroneis Basilio do Britto Malheiros e lgnacio Correia Pampeona. O motivo que tiveram para commetter tão vil acção foi que se achavam em debito para com o fisco e assim revelaram ao Visconde de Barbacena todo o segredo da conspiração, a fim de ser-lhes perdoada a sua divida.

O capitão general comunicou a noticia ao vice-rei D. Luiz de Vasconcellos, que acto continuo expediu ordem de prisão contra o martyr Tiradentes.

No dia 10 de maio do 1789 foi este preso no salão de uma casa da rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e encerrado numa das masmorras da fortaleza da Ilha das Cobras.

Os outros patriotas, implicados na conspiração, foram presos também e julgados, assim como Tiradentes, pelo Tribunal da Alçada.

No dia 18 de abril de 1792 proferiu-se a sentença. Foram condemnados á morte 11 dos principaes conspiradores, 5 a degredo perpetuo, e os outros ao desterro por algum tempo. Esta sentença executou-se só em parte: a rainha d. Maria I, que até se achava disposta a conceder perdão geral, no que foi impedida pelos seus ministros, commutou a pena de morte imposta aos chefes da rebellião, excluindo, porém, de sua real clemência ao Tiradentes.

A execução deste primeiro Martyr da lndependência Brazileira effectuou-se no dia 21 de abril de 1792.

Sobre o cadafalso, levantado no largo da Lampadosa (largo do Rocio), soffreu Tiradentres, com heroismo, o suplício da forca, sendo seu corpo esquartejado e dividido em postas.

Em seguida foi arrasada a casa em que habitara e deitado sal sobre o terreno em que estivera edificada.  Camaradas! Terminando concito-vos a gravardes em vossos corações o nome do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, vulgo – o Tiradentes, – cuja sagrada Memória devemos guardar com a mais profunda veneração.

Lembrae-vos do martyrio do heroico Tiradentes e de seus companheiros em pról da liberdade do nosso adorado Brasil e amae nossa Pátria com o mesmo ardor com que esse Grande Vulto a amou.

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Camaradas!

Em obediencia ao disposto em nosso programma de instrucção vigente,  fui escalado para explicar-vos a data que hoje se commemora.

Desempenhando-me desvanecido desta incumbência, o vou fazer com ligeira e despretenciosa palestra.

Faz hoje 122 annos, isto é, foi a 21 de abril de 1792 que foi executado na cidade do Rio de Janeiro o Alferes José Joaquim da Silva Xavier, por alcunha Tiradentes.

Sabeis quem foi Tiradentes?

Foi o maior o mais abnegado patriota de seu tempo; foi o precursor da Republica; foi o corajoso integro republicano que, embora sabendo quasi com certeza que pagaria com a vida a sua audácia, ousou chefiar uma conspiração que tinha por fim libertar o seu caro Brazil do jugo asphixiante da coroa bragantina.

Patriota sincero e abnegado, seu ideal, sua única ambição era ver sua Patria livre.

Não fôra a nefasta traição, os baixos caracteres e a honra venal dos conjurados Joaquim Silverio dos Reis, Bazilio de Britto e lgnacio Corrêa Pamplona, não fora esses judas que não trepidaram em vender a causa do sua Patria e a sorte de seus companheiros, a República, esta bella fórma de governo que, quasi ha 25 annos nos felicita, seria proclamada naquella epoca.

Pois que, conformo nol-a diz a historia, os conjurados “pretextando uma oposição enérgica contrra o imposto das minas, propunham-se a declarar em seguida a independoncia do Paiz, dando-lhe um governo republicano,  etc…”

Tiradentes foi, um verdadeiro heroe popular da sua época: era dentissta e exercia a sua profissão gratuitamente; foi commerciante ambulante, minerador e finalmente  dedicando-se a carreira das armas, chegou a alcançar o posto de Alferes de milícias.

Muitos foram os companheiros de Tiradentes na celebre conjuração mineira, porém só elle pagou

com a vida esse pseudo crime, porque só  elle ousou arcar com a responsabilldade da revolução abortada; não accusou ninguém; antes tratou innocentar seus companheiros, e por isso, por tanta grandeza d‘alma foi que, sendo seus companheiros condemnados a degredo perpétuo uns e a desterro outros, elle o foi à morte, executado a 21 de abril do 1792, no largo de São Domingos (Rocio), sendo seu corpo esquartejado e arrastado pelas ruas da cidade, sua casa demolida, seu espólio confiscado e seus innocentes filhinhos declarados infames.

Mas todos esses horrores o eniquidade praticados pelos despóticos ministros da rainha D. Maria I, não bastaram para amedrontar o povo brazileiro e o sangue do protomartyr da Liberdade foi  semente em terra fértil, cujos rebentos foram aa consequentes proclamações da Independência do Brazil a 7 de setembro de 1822 – e da República a 15 de novembro de 1889.

Camaradas!

É a memória deste vulto heroico, é a lembrança desse grande homem, que tanto batalhou pela nossa Liberdade, derramando o seu sangue em pról da nossa amada República, é a memória do Alferes José Joaquim da Silva Xavier – o Tiradentes, que hoje se comemora, e a quem aqui reunidos prestamos esta singela e merecida homenagem.

Camaradas!

Paz aos manos de Tiradentes!

Gloria á sua memória grandiosa!

Viva o Brazil!

Viva a Republica!

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Passeiata militar

Pelas 10 horas, o 1º Regimento de Cavallaria da Brigada Militar, sob o commando do tenente-coronel Claudino Nunes Pereira, fez uma passeiata pelas principaes ruas da capital.

A’quelle corpo associou-se a Escolta Presidencial, comandada pelo capitão Lourenço Galant.

A força foi multo elogiada pelo correctismo e garbo com que se apresentou.

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Em palácio

Estiveram em palácio, onde foram apresentar congratulações ao dr. Borgcs de Medeiros, presidente do Estado, as seguintes pessoas: dr. Marçal P. de Escobar, dr. Manuel de Freitas Valle, por si, pela “Actualidade” e pelo General Antonio Joaquim da Silva, coronel Julio Vasques, dr. José da Costa Gama, dr. Carlos Alberto de Barros e Silva, Vivaldino Marques de Medeiros, dr. Ildefonso Pinto, Paulo Bidan, José Fagundes, Vicente Giannone, Aldo Motta.

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Gremio Gaúcho

Realisou-se, hontem, na séde desta sociedade, no arraial da Gloria, a annunciada festa em honra á data de 21 de abril.

Desde pela manhã, começaram a affluir ao local, grande número de famílias, sócios e convidados.

A’s 9 horas, foram abatidas duas rezes sendo servido, depois, o tradicional churrasco.

A’s 15 horas effectuou-so a sessão solemne, presidindo-a o coronel Francellino Cordeiro e servindo de secretario o tenente Mirandolino.

O coronel Francellino, usando da palavra, congratulou-se com os associados pela data que se commemorava, entregando depois, a palavra ao dr. Ulysses de Nonohay, orador official, que pronunciou o seguinte discurso:

“Exmas. sras, sr. presidente, meus senhores!

A Inconfidência Mineira, que hoje commemoramos, tem, antes de tudo, estia expressão histórica: ella era a primeira manifestação de força de uma Pátria que despertava para a Vida, ella era o primeiro agitar, soturno, oculto, de um vulcão que não tardaria a explodir para soterrar o domínio portuguez, sob as lavas candentes da Liberdade.

Na mallograda conspiração, nada faltava para identifical-a a um movimento nacional, antes que regional: fel-a o genio brazileiro, que se esboçava nas Iyricas estrophes d’aquelles poetas, fel-a a nossa bravura, tantas vezes affirmada nos campos de batalha, fel-a a nossa consciência de livres, na revolta contra a extorsão e contra o Crime, fel-a por fim o elemento nacional, que naquelles mamelucos, naquelles audazes desbravadores de sertões tinha o seu protoplasma e a sua geratriz.

Porém, acima de todos estes elementos conjugados e acima mesmo da propria Pátria, neste momento, pairava a figura serena, tão grande na sua humildade como no seu cacaracter, tão genial no seu sonho como bravo no seu martyrio, tão nobre na sua dedicação como admirável no seu civismo; o Tiradentes legendário!

E por isso mesmo, srs. a própria corda que lhe sulcara o pescoço, foi tambem a charrúa que lavrou esta Terra para a Independência e para a República!

O sangue, que jorrou em catadupas dos membros, barbaramente esquartejados, foi também o adubo a fecundar a Idéa Sublime!

O Sal, que devia esterilisar o solo pizado pelo Martyr, foi a sementeira bemdita que tinha de desabrochar neste pendão auri-verde, que crearia uma Patria livre…

E a própria infancia, senhores, foi também o Hynno admiravel, tão alto, tão límpido vibrando, que o parece cantar eternamente a Constellação nacional do Cruzeiro!

E Corda, Sangue, Sal e Infamia, tudo para que serviu?

Para castigo de um Homem?

Não! Para a glória de uma Pátria!

Pátria! Nome admirável, sublime, que parece ciciar aos ouvidos, como um appello materno!

Pátria, que lá no extremo Norte, no Amazonas prodigioso, tens a expressão mais nítida da sua grandeza, naquella Cornucópia immensa a dardejar eternamente ouro, nos raios fortes daquele Sol e na fecundidade imensa daquela Terra.

Pátria, que lá no Maranhão, outr’ora com meia dúzia de homens, expulsou a primeira nação do mundo.

Pátria, que, na insurreição pernambucana, escreveu uma das mais bellas e das mais heroicas epopeias!

Pátria, que na Bahia foste o Gênio, em São Paulo a Audácia, em Minas o Martyr e aqui no Rio Grande a bravura e a Liberdade.

Pátria, que cresceste para um continente e marcha para uma civilização, quem te creou; quem foi a sentinela avançada  da tua Independência, quem arrostou a morte por ti, quem enfim foi o teu  proprio coração a espadanar em sangue, de ti, mais invulnerável e imortal que Achilles:  o Tiradentes!

O seculo 19 se aproxima e com elle a maioridade da  Humanidade.

O povo começava pouco a pouco a ter comciencia da sua força e em breve devia se precipitar como

uma avalanche, derribando thronos, creando a Republica e conhecendo a Liberdade.

E este movimento que se iniciara dentro da velha civilisação europea, e que devia terminar naquella crise, que foi a revolução Franceza, não tardou, a passar á América.

Simples veio d’agua, até então, elle tinha, nas pobres colônias escravas, que se transformar em pouco, no rio caudaloso que arrastaria na sua corrente impetuosa para a vida e para Independência!

E uma das primeiras a estremecer em ancias de Liberdade, foi o Brazil sublimado, porém a idéa viera cedo demais e devia transformar-se de momento naquella tragédia de 21 de abril, preparada como a do Golgotha, pela turva figura de um judas!

Porém ella não morreu… O patíbulo mataria o Homem, mas a Idéa havia de crescer, subir, até que, numa explosão admirável de Força, impelliu um próprio Príncipe a soltar o brado memorável de “Independência ou morte” …

Veio a Independencia e, menos de um século apoz a Republica!

E, hoje, ao comemorarmos  o martyrio de Tiradentes, nós o fazemos entre festas, porque a morte daquelle homem foi uma Ressurreição, pois que dentro do corpo do Heróe estava a alma da Pátria.

Disse !”

Uma salva de palmas cobriu as últimas palavras do orador.

O coronel Francellino Cordeiro propoz, então, que fosse acclamado sócio benemerito do Gremio Gaúcho o dr. Ulysses de Nonohay, á que foi feito.

Não havendo mais quem quizesse usar da palavra foi a sessão encerrada, depois de ter o presidente agradecido a presença das pessoas que ali se encontravam.

Durante o dia, no capão ao lado da séde social, houve animado baile.

– ∆ –

Outras notas

 – Do dr. lldefonso Fontoura recebemos, hontem o, seguinte telegramma:

“Ao orgam republicano riograndense envio parabéns pelo anniversario do grande martyr precursor da Republica – lldefonso.”

– Estiveram, hontem, em nossa redacção e nos apresentaram cumprimentos o coronel Julio Vasques, Costa Gama e coronel Antenor Amorim.

– Diversas casas conservaram-se embandeiradas, durante o dia.

– Nos edifícios das corporações militares a bandeira foi içada e arreada com todas as formalidades do estylo.

– Nos quartéis, o rancho foi melhorado, sendo postas em liberdade as praças que cumpriam penas correccionaes.

– Os bancos não funccionaram e as repartições publicas não deram expediente.

– O commercio, á tarde, fechou suas portas.

– Á noite, os estabelecimentos illuminaram suas fachadas.

–  Ás 18 horas, a bem organizada banda de música da escola municipal Hilário Ribeiro deu retreta na praça Senador Florencio, executando o excellente programma que hontem publicamos, o que foi muito apreciado pelos assistentes. Os alumnos trajavam roupa kaki o polainas brancas.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 093, de 22/04/1914, quarta-feira, página 1. *Mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Comemorações de 21 de Abril na Brigada Militar, em 1914 – I

A Federação, no dia 21 de abril de 1914, terça-feira, noticiava

Prelecções sobre 21 de Abril — Conforme publicámos, fazem prelecções, hoje, ás 9 horas, ás praças de seus respectivos corpos, o capitão Accacio de Almeida e o alferes João Pinto Guimarães, o 1º pertencente ao 3º batalhão da Brigada Militar e o ultimo ao 1º batalhão da mesma força.

Hontem, vespera da data a commemorar, fallaram no 2º batalhão o tenente Vicente Landell dos Santos e no 1º regimento o alferes Apparicio Gonçalves Borges.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição nº 092, de 21/04/1914, terça-feira, página 5. *Mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Aulas de esgrima mantidas pela Brigada Militar, no quartel do 1º Batalhão de Infantaria, em 1909.

Correio do Povo do dia 21 de abril de 1909 noticiava:

Sala d’armas – Reabrir-se-ão hoje, as aulas de esgrima mantidas pela Brigada Militar. Para tomar parte nos assaltos do dia, os diretores daquella sala convidaram varios cultores do elegante sport das armas de ponta, entre elles alguns civis, amadores da esgrima, de sabre e de florete. Alem do atractivo dos torneios, o acto reverstir-se-á de solemnidade, por ser commemorativo da morte de Tiradentes, data igualmente da fundação da sala de esgrima, no quartel do 1º batalhão da Brigada Militar.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar comemora a data alusiva à Inconfidência Mineira, em 1914

A Federação, no dia 18 de abril de 1914, sábado, noticiava:

Inconfidencia Mineira – Em commemoração á data que celebra o Protomartyr da Inconfidência Mineira, haverá formutara dos corpos da Brigada Militar nos respectivos quartéis, sendo em cada um delles designado um official para explicar ás praças, em prelecção, o grande facto republicano nacional.

Fallará no 1º batalhão o alferes João Pinto Guimarães, no 2º batalhão o tenente Vicente Landell dos Santos e no 1º regimento o alferes Apparicio Borges.

Amanhã daremos o nome do escalado para este fim no 3º bataIhão de infantaria.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 090, de 18/04/1914, sábado, página 7. *Mantida a grafia da época.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – A Instrução na Brigada Militar, em 1915.

A Federação, no dia 17 de abril de 1915, sábado, noticiava:

Exercícios na Brigada Militar

1º período de Instrução – 4ª parte

– Dia 16, 6ª feira –

INFANTARIA

Batalhão na semana de exercícios: 2º batalhão de infantaria.

Deixou do ir à Linha de Tiro, devido ao máo tempo, realisando-se unicamente os trabalhos do 2º tempo – instrucção theorica e moral, assim se fazendo no 3º tempo.

Batalhões na guarnição: 1º batalhão.

1º tempo – prejudicado pelo serviço de guarnição.

2º tempo – instrucção theorica e moral nas companhias.

3º tempo – exercício de signaleiros.

O commandante do corpo reuniu os officiaes para uma palestra militar, versando sobre “fortificação rápida”.

3º Batalhão – Montou a guarnição.
1º tempo – Movimentos livres de gymnastica.

CAVALLARIA

Escolta Presidencial – Tiro individual na Linha do Tiro.

METRALHADORAS

O grupo de metralhadoras realisou os seguintes trabalhos:

1º tempo – gymnastica com arma a um braço, manejo de fogo (clarins) e marcha de 30 minutos.

2º tempo – Theoria do tiro: justeza, rapidez, posições, grupamentos; noções de organisação do Exercito e da Brigada Estadual.

3º tempo – Manejo da peça, remuniciamento, evoluções de secção e marcha de 60 minutos.

Trabalhos diversos

No corrente mez estão indicados para prelecções medicas nos corpos e unidades especiaes o capitão medico dr. Silva Fróes; para exercicios de padioleiros no 1º batalhão o dr. Antenor Granja de Abreu, no 2° batalhão o dr. Antonio da Silva Fróes e no 3º batalhão o dr. Raymundo Bello Barbedo, todos medicos da força; para prelecções sobre hygiene odontologica o alferes dentista dr. Mario Carigé Gomes da Silva e para prelecções veterinarias no grupo de metralhadoras e escolta presidencial o alferes veterinário Francisco Monte.

Instrucção de metralhadoras e guia para trabalhos de campanha.

– Aos corpos da Brigada Militar e especialmente ao grupo de metradoras da mesma milícia serão brevemente distribuídos exemplares impressos da “Instrucção para o serviço das metralhadoras “Colt”.”

– Acha-se no prélo o “Guia para trabalhos de campanha”, que tambem brevemente será distribuído.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXII, edição 088, de 17/04/1915, sábado, página 1 – *mantida a grafia da época

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Passagem do Comando-Geral da Brigada Militar – Coronel Cypriano para Tenente-Coronel Massot, em 1915

A Federação, no dia 31 de março de 1915, quarta-feira, noticiava:

Brigada Militar

Entrega do Comando

Varias informações

Segue hoje, pelo Ipanema, para o Rio de Janeiro, o nosso illustre amigo coronel dr. Cypriano da Costa Ferreira, que por longo espaço de tempo exerceu o cargo de commandante geral da Brigada Militar.    Segue s. exa. para a capital da Republica, a fim de assumir o cargo de chefe do serviço do Estado-Maior da 3ª divisão do Exercito.

O coronel Cypriano foi nomeado commandante geral da Brigada Militar a 15 de março de 1909, assumindo na mesma data o exercicio das funcções innerentes ao elevado cargo em que o colocava a confiança do patriotico governo do Estado, solidamente fundada nas experimentadas qualidades do distincto militar, evidenciadas atravez de uma vida cheia de serviços á causa publica.

Desde então começou o coronel Cypriano a pôr em pratica uma série de medidas, que se synthethisam n’um plano completo e maduramente concebido, ao qual se deve o magnífico estado em que se encontra a milícia estadual sob todos os pontos de vista.

Assim, propoz, obtendo immediata approvação, novos planos de uniformes e de arreiamento para officiaes e praças, sendo, em virtude dessa reforma, creado o uniforme de gala para officiaes e praças e adoptado elegante arreiamento para o serviço da cidade.

Creou o Conselho Administrativo da Brigada, extinguindo os dos corpos, com a grande vantagem de permittir ao Commando Geral não só o conhecimento perfeito do movimento administrativo de todos os elementos de que se compõe a milicia, mas também o emprego equitativo das economias em proveito de toda a força.

Por conta da Caixa da Brigada, construiu a Linha de Tiro, uma das melhores do Brazil, despendendo nesse serviço cerca de 70:000$000. A construcção foi iniciada em outubro de 1909 e terminada em novembro de 1910.

Na antiga Chacara das Bananeiras, em terrenos do Estado, onde se acha localisada a Linha, innumeros melhoramentos foram introduzidos, ahi vendo-se hoje o Picadeiro, construcção resistente e elegante, que veiu abrir nova phase de progresso à equitação no Rio Grande; o Deposito de Carruagens; o Paiol de Munição; o quartel dos recrutas; baias para grande numero de animaes; uma caixa d’agua donde se distribue agua encanada para os diversos edifícios; uma excelente estrada de rodagem, conduzindo  ao arroio Ferradura onde se fez uma represa e se acham as machinas precisas para sucção e elevação de agua que, canalisada, vae ter á caixa, quando a vertente que alimenta esta se torna insufficiente; extensas plantações de forragens e legumes, açudes e potreiros, divididos por cercas de moirões de pedra e arame farpado, que delimitam, assim, o terreno pertencente ao Estado; quatro casas occupadas por posteiros encarregados da vigilancia das cercas e dos animaes; outras casas ainda para os  officiaes  encarregados de auxiliar a instruccão, etc.

Levou a effeito o coronel Cypriano a conclusão do Quartel de Infantaria sito á Praia de Bellas, adaptando-o a dois corpos, e transformou em Quartel da Escolta Presidencial o edificio em que
funccionavam as officinas da Brigada, que foram transferidas para outro prédio, á rua Sete de Setembro, e cuja capacidade de produção foi melhorada.

Em consequencia dessas reformas, adaptou o Quartel de Infantaria do Crystal, localisado á margem esquerda do Guahyba, para o 1º Regimento de Cavallaria, então aquartelado em Gravatahy, onde se  achava mal alojado, estabelecendo nesse local um Posto de Veterinaria e uma boa officina de ferraria, especialmente para o fabrico de ferraduras, tudo sob a direcção de um alferes veterinário.  Remodelou a Invernada de Gravatahy, a fim de melhor corresponder ao seu objectivo.

Transformou a Enfermaria do Crystal, construiu o isolamento para moléstias infecto-contagiosas e realisou com as irmãs franciscanas o contracto para o serviço hospitalar.

Creou o logar de major chefe do serviço sanitario, adquiriu abundante e moderno material cirurgico, instituiu o Serviço de Padioleiros, importando da Europa e fazendo aqui construir numerosos modelos de padiolas para o serviço de guarnição e de campanha.

Adoptou perneiras para toda a tropa, substituiu o antigo equipamento e material de campanha muito deficiente, por outros de systema mais adiantado.

Substituiu a espadas dos officiaes por outras de formato mais elegante e mais leve, e as lanças antigas por modernas hastes de bambú.

Fez a acquisição de excellente material de sapa com que dotou a tropa de infantaria.

Modificando ainda uma vez o plano de uniformes com grande economia para os cofres do Estado, instituiu o uniforme de campanha, consequência das múltiplas manobras a que se entregou a força durante o seu comando.

Creou o Serviço de Signaleiros nos corpos, implantou a instrucção civica e moral, incrementou, o ensino litterario nas Escolas Regimentaes e da Brigada, encaminhou a officialidade na execução dos levantamentos topográficos expeditos.

Creou a Bibliotheca da Brigada, bem provida de escolhidas obras litterarias, scientificas e militares e inaugurou nos corpos as palestras militares semanaes.

Organisou a Banda de Musica da Brigada, creando o cargo de alferes inspector de todas as bandas.

Montou apparelhos completos de gymnastica em todos os quartéis e cinematographos nos da Praia de Bellas e do Crystal.

Passou para o Estado-Maior da Brigada o secretario, o ajudante de ordens e o adjunto do assistente do material.

Creou as secções dos serviços auxiliares, artífices, conductores, amanuenses e enfermeiros, e melhorou, uniformisando e simplificando, a escripturação dos corpos e repartições, augmentando assim o tempo disponível para os exercicios práticos e estudo correspondente.

Iniciou o provecto comandante geral da Brigada Militar as resoluções de themas tacticos, realizando grandes manobras em S. Leopoldo e proximidades de Canoas, nos Campos do Cortume, terrenos do Estado. Transformou estes em um excellente campo de manobras, ahi fazendo, as installações necessarias para o conforto e hygiene do pessoal e comunicações faceis e rapidas com a capital.

Em seu commando ainda creou e organizou-se o 2º Regimento de Cavallaria em Sant’Anna do Livramento, sendo de sua iniciativa a construção do confortável quartel onde está alojado esse corpo naquella cidade.

Jamais descurando do aperfeiçoamento tactico do pessoal e do aparelhamento necessário a maxima efficiencia da força, propoz a creação de um Grupo de Metralhadoras, o que se verificou
em 16 de novembro findo, e organizou-o em 6 de março do mez corrente, provendo-o de todo o
material o animaes necessários.

Desde os primordios do seu commando foi o coronel Cypriano efficazmente assistido por instructores vindos do exercito.

Systematisou os variados serviços administrativos, todo regulamentado.

Assim, deve-se-lhe a elaboração dos seguintes regulamentos: geral da brigada, do meio soldo, do Conselho Administrativo, do serviço interno e de guarnição, do serviço sanitário e de veterinária, penal, da Linha de Tiro, de continências, de exercícios de infantaria, de cavallaria, de metralhadoras, de gymnastica, esgrima de espada, lança e bayoneta, de signaleiros, do serviço de segurança, em marcha e em estação, de padioleiros, dos trabalhos de campanha, da ordenança de cometas e clarins.

O programma de instrucções, que mandou organizar pelos instructores, regulamentou, systhematizando todo o ensino militar pratico, individual e collectivo; e graças a esse programma, não existe hoje na Brigada Militar um só individuo que se não tivesse adestrado na instrucção do tiro e ainda uma só unidade que não houvesse executado divrrsas vezes o tiro collectivo.

Foi, finalmente, o coronel Cypriano Ferreira quem instuiu os prêmios individuaes e coIlectivos para os atiradores e unidades, creando ainda os distinctivos para aquelles.

Eis em traços rápidos, mas sobremodo eloquentes, o resultado da acção do coronel Cypriano durante o período relativamente curto de seis anos em que esteve à testa do comando geral da Brigada Militar do Estado.

Nada mais é preciso acrescentar a essa exposição simples das reforma porque passou a milícia estadual para aquilatar-se da extraordinária atividade da dedicação, da competencia do coronel Cypriano e de mais esse inestimável serviço que o digno militar prestou ao Rio Grande do Sul.

Passagem do comando

No quartel do Commando Geral effectuou-se hontem às 18 horas, a passagem do comando geral da Brigada Militar ao tenente-coronel Affonso Emilio Massot, mais antigo dos officiaes dessa graduação.

A’quella hora, estando presentes todos os officiaes da Brigada, em 2º uniforme e armados, chegava ao referido quartel o Coronel Cypriano.

Reunidos no salão nobre, o referido oficial, tomando a palavra, entregou o commando ao seu substituto, fazendo elogiosas referencias ao coronel Massot, como aos demais officiaes.

Em seu nome e em nome deste respondeu agradecendo o tenente-coronel Massot.

Em seguida, foram lidas pelo secretario, as seguintes ordens do dia:

Quartel do comando geral da Brigada Militar, em Porto Alegre, 30 de março de 1915.

ORDEM DO DIA Nº 30

Para conhecimento e devida execução, publico o seguinte:

ENTREGA DE COMMANDO

Tendo de retirar-me para o Rio de Janeiro, onde vou ocupar o cargo de chefe do serviço de Estado-maior no quartel da 3ª Divisão, passo nesta data o comando da Brigada Militar, na forma do regulamento, ao tenente-coronel Affonso Emilio Massot, comandante do 2º Batalhão.

Entregando hoje este comando que exerci por espaço de mais de 6 annos, lisongeia-me sobremodo o grau satisfactorio de instrucção e disciplina em que deixo a força militar do Rio Grande, que fica com seus múltiplos e variados serviços organizados e regulamentados.

Para esse resultado, que foi objecto de minha preocupação constante, muito contribuíram auxiliares dedicados que prestaram ao meu comando inestimável concurso, de conformidade com as atribuições e deveres impostos ás funções de cada um.

Assás desvanecido pelas demonstrações de affectuosa consideração á minha pessoa e referencia, não só ao estado actual da força, como á acção de meu comando por ocasião da visita de despedida que fiz aos corpos e repartições, envio a todos, chefes, officiaes e praças, um cordial abraço de despedida, fazendo votos pela felicidade e gloria da Brigada Militar.

(Assignado) Cypriano da Costa Ferreira, Coronel.

Quartel do Commando Geral da Brigada Militar, em Porto Alegre, 30 de março de 1915.

ORDEM DO DIA Nº 31

POSSE DE COMMANDO

Conforme fez público a Ordem do Dia nº 30, do sr. Coronel Dr. Cypriano da Costa Ferreira, deixa hoje este ilustre oficial do Exercito o comando da Brigada Militar do Estado, que é-me transmitido, em obediência ás prescrições do art. 9º, paragrapho único do regulamento em vigor.

Assumindo as elevadas funções deste posto, procurarei exercel-as distribuindo justiça e cumprindo fiel e lealmente as ordens emanadas do Exmo. Sr. Dr. Presidente do Estado.

(Assignado) Affonso Emilio Massot, Tenente-Coronel

Logo após a leitura das ordens do dia, tomou a palavra o capitão dr. Eurico de Oliveira Santos que, em nome dos officiaes do Estado-Maior, fez a entrega ao coronel Cypriano de um bronze representando “As conquistas do Homem”, acompanhado de um cartão de prata com os seguintes dizeres:

Ao eminente remodelador da Brigada Militar, coronel Cypriano da Costa Ferreira, lembrança dos officiaes que serviram no seu Estado-Maior. Março de 1915.”

Offerecendo um quadro com a fotografia da banda de música, falou o maestro, alferes Pedro Borges, que entregou também ao coronel Cypriano uma medalha de ouro, lembrança do pessoal da mesma banda.

Terminada a solenidade o coronel Cypriano retirou-se para sua residencia, sendo acompanhado pelo major Leopoldo Ayres de Vasconcelos.

Na parte externa do edifício achava-se postada a grande banda da Brigada Militar, que executou diversos trechos.

Outras notas

O tenente-coronel Affonso Emilio Massot poz á disposição do coronel Cypriano o seu ajudante de ordens, alferes Jorge Pellegrino Castiglione, que o acompanhou até o Rio Grande.

Por determinação do commandante-geral, a oficialidade da Brigada Militar, em uniforme 2º e armada, irá hoje ao Grande Hotel, de onde acompanhará o coronel Cypriano até o “Itapema”, a cujo bordo segue o ilustre militar.

Nas imediações do trapiche, formará, prestando as continências que tem direito aquelle oficial, o 1º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXII, edição 074, de 31/03/1915, quarta-feira, páginas 1 e 2 – *Mantida a grafia da época.