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O DIA 11 DE OUTUBRO NA HISTÓRIA DA BRIGADA MILITAR – Criação do Curso Prático de Enfermeiros e Padioleiros, em 1916

Há 102 anos, a Brigada Militar criou um Curso Prático de Enfermeiros e Padioleiros.

O Esboço Histórico da Brigada Militar, Volume I, página 502, faz o seguinte registro:

“A ordem do dia nº 102 de 11 de outubro, diz que “atendendo às vantagens indiscutidas de se ter na Brigada Militar enfermeiros e padioleiros educados e preparados como profissionais competentes, capazes de desempenhar as importantes funções que lhes incumbem, tornando-se bons auxiliares dos médicos no serviço sanitário militar, resolve o comando geral criar o “Curso Pratico de Enfermeiros e Padioleiros da Brigada Militar” anéxo ao Hospital.

O regulamento respectivo, publicado na referida ordem do dia, foi elaborado pelo capitão dr. Armando Bélo Barbedo, chefe interino do serviço sanitário.”

O Álbum Comemorativo aos 30 anos de criação da Brigada Militar contém as seguintes ilustrações, relacionadas ao mencionado Curso:

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Curso de Enfermeiros e Padioleiros, em 1918.

O Correio do Povo, no dia 22 de setembro de 1918, domingo, noticiava:

O curso de enfermeiros da Brigada

O general Thaumaturgo de Azevedo, presidente da Cruz Vermelha Brasileira, em officio que dirigiu ao coronel Affonso Emilio Massot, comandante geral da Brigada Militar, felicita-o pela creação do curso de enfermeiros e padioleiros e pelos resultados que já se vem apreciando do ensino respectivo, pediu a remessa do regulamento e instrucções do mesmo curso visto ser a Brigada, presentemente a corporação que tem esse serviço organizado.

Além dessa regulamentação solicitou também a formula dos certificados que recebem os enfermeiros que completam o curso e do juramento que prestam; desenho ou descripção dos distinctivos que usam que usam; modelo de padiolas e outros utensílios de transporte de feridos.

O coronel Massot está providenciando no sentido de ser, com a máxima brevidade, atendido o desejo do general Thaumaturgo.

A Brigada Militar formava enfermeiros e padioleiros em seu hospital

*Mantida a grafia da época

Fonte: Correio do Povo – Coluna “HÁ UM SÉCULO NO CORREIO DO POVO”

O dia 04 de Agosto na História da Brigada Militar – A Enfermaria recebeu a denominação de Hospital.

A  Ordem do Dia nº 236, determinou que ” … o estabelecimento de saúde chamado “Enfermaria” se denominasse “Hospital”.

Fonte: Esboço Histórico da Brigada Militar, Volume I, página 408

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Equipamentos para o Hospital da Brigada Militar adquiridos na Europa, em 1915.

A Federação, no dia 16 de junho de 1915, quarta-feira, noticiava

Commissão examinadora – São nomeados, em comissão, para examinarem, amanhã, ás 10 horas, na assistencia do material da Brigada Militar, as  mezas para operações recebidas ultimamente da Europa e destinadas ao Hospital, os srs. Capitão dr. Armando Bello Barbedo, Tenente José Machado da Silva e Alferes João Pinto Guimarães.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXII, edição 137, de 16/06/1915, quarta-feira, página 5 – *mantida a grafia da época

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar faz concorrência pública para adquirir gêneros alimentícios e carvão nacional, em 1917.

Brigada Militar do Estado

Assistência do material

De ordem do cidadão Coronel Commandante Geral, chamo concurrentes para o fornecimento de generos alimentícios ás Praças arranchadas desta força, dietas para os doentes em tratamento no Hospital e carvão nacional para o consumo dos motores do Quartel de Cavallaria e Hospital, no Crystal, no segundo semestre do corrente anno.

As propostas, em uma só via, deverão ser entregues na Secretaria do Commando Geral, no dia 20 do corrente.

Os pretendentes poderão receber informações todos os dias uteis das 13 ás 16 horas, nesta Assistencia.

Quartel do Commando Geral em Porto Alegre, 5 de junho de 1917.

Arlindo Franklin Barboza

Capitão Assistente do Material

Fonte: A Federação, Anno XXXIV, Edição 129, de 05/06/1917, terça-feira, pág. 2. *Mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Desastre com automóvel da Brigada Militar, em 1912

Correio do Povo, no dia 9 de maio de 1912, quinta-feira, noticiava:

Diversas

Desastre por automovel – Ante-hontem, ás 4 1/2 horas da tarde, partiu da estação da estrada de ferro da Tristeza, o automovel que a Brigada Militar possue para o serviço de seu hospital, situado no Crystal. Além do chauffer, viajavam no automovel o dr. João Guilherme Ferreira, cirurgião dentista da Brigada, e duas praças. Ao chegarem em frente ao Asylo de Mendicidade, seguia pela estrada um peão do general Salvador Pinheiro Machado, montado em um cavallo e conduzindo, a cabresto, dois outros animaes de raça. A approximação do automovel, os cavallos assustaram-se e dispararam, sendo o seu conductor cuspido fóra do animal, caindo entre os trilhos, ao longo destes, e muito perto do automovel, que se approximava, e que lhe passou por cima do corpo. Parado, rapidamente o vehiculo foi verificado estar aquelle peão com uma excoriação no lado direito da cabeça. Conduzido para o hospital da Brigada, ali lhe foi pensado o ferimento.

Fonte: Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”. *Mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Visita do Presidente do Estado ao Hospital da Brigada Militar, em 1912.

Correio do Povo do dia 16 de abril de 1912, terça-feira, noticiava:

Hospital da Brigada Militar  – Visita do presidente do Estado

Em trem expresso, seguiram hontem, ás 9 1/4 da manhã para o Crystal o dr. Carlos Barbosa, presidente do Estado, dr. Protasio Alves, secretario do Interior, coronel Cypriano da Costa Ferreira, commandante da Brigada Militar e o representante do Correio do Povo, a fim de visitarem o hospital da Brigada Militar. Ás 9 3/4 chegava o comboio no morro do hospital, sendo feito, a pé, o trajecto até ao edificio, que fica situado no alto da collina. Feitos os cumprimentos do estylo, os visitantes deram entrada no hospital, visitando as quatro salas de enfermarias onde se acham 61 doentes. Por toda a parte era notado o asseio e ordem mantidos pelas irmãs encarregadas do hospital. No anno passado, só falleceu um enfermo no hospital, dentre perto de quinhentos que ali estiveram. O dr. Carlos Barbosa, como todos outros visitantes sairam bem impressionados com o estado em que encontraram o hospital.

Foto do Hospital da Brigada Militar, em 1918.

Foto do Hospital da Brigada Militar, em 1918.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Ambulância adquirida na Europa, para a Brigada Militar, em 1911.

Correio do Povo, no dia 26 de março de 1911, sábado, noticiava:

 Automovel da Brigada – Vimos, na estação do Riacho, da estrada de ferro da Tristeza, o grande automovel com accommodações para nove pessoas, mandado vir da Europa para o serviço de ambulancia da Brigada Militar.

Fonte: Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Irmãs de Caridade na direção do Hospital da Brigada Militar – em 1912.

Correio do Povo, no dia 2 de março de 1912, sexta-feira, noticiava:

Hospital da Brigada

Foi hontem, ás 6 horas da manhã, entregue ás irmãs de caridade franciscanas, a direcção do hospital da Brigada Militar do Estado, situado no morro do Crystal. No primeiro trem da estrada de ferro da Tristeza, seguiram para ali o coronel Cypriano Ferreira e seu ajudante de ordens, tenente José Augusto Wellausen. A inauguração official desse estabelecimento far-se-á dentro de poucos dias, pelo dr. Carlos Barbosa, presidente do Estado, devendo, para isso, ser convidadas as autoridades desta capital. Servem actualmente no hospital quatro enfermeiras, sob a direcção da irmã Casemira. O padre Estevam, capellão do hospital, conta 72 annos de idade, é um velhinho amavel, residindo no Brazil ha 42 annos, sendo de nacionalidade allemã.

Foto do Hospital da Brigada Militar, em 1918.

Foto do Hospital da Brigada Militar, em 1918.

Hospital da Brigada Militar
Crédito: CP memória

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Manobras da Brigada Militar, em 1913 – Relatório do Serviço de Saúde – Parte II

A Federação, no dia 18 de janeiro de 1914, domingo, noticiava:

MANOBRAS DA BRIGADA  MILITAR

SERVIÇO DE SAÚDE – 2ª Parte

Foi installado o P. S. em um lugar abrigado das balas inimigas a uma distancia approximada de dous mil metros do campo de acção; d’hai os feridos e doentes simulados eram transportados para a ambulancia e finalmente para a Barraca-Hospital, onde poderiam ser removidos para o Hospital do Crystal, em Porto Alegre, pela Estrada de Ferro, ou em lancha do Estado, por via fluvial ou, ainda, pela estrada de rodagem que vae de Gravatahy a S. João.

Os soldados destinados a simularem ferimentos levavam ao pescoço um pequeno cartão, no qual estava escripto o ferimento recebido e durante o combate estas praças iam cahindo e os padioleiros as recolhiam prestando-lhes os primeiros soccorros, sempre utilisando-se, para esse soccorro, das peças do fardamento, armamento, equipamento, ou do pacote de curativo individual que cada praça conduzia ou, então, em, ultimo caso, do material de suas bolsas sanitarias, cuja carga deve ser sempre poupada.

Este serviço que foi dirigido por mim, teve o valioso concurso dos srs. Capitães-médicos drs. Cândido Ferreira dos Reis e Antenor Granja de Abreu.

Os padioleiros, em numero de cento e vinte, formados a dez passos de distancia do Posto de Soccorro, em duas fileiras, de acordo com o regulamento de padioleiros da Brigada Militar, constituiram-se em quatro secções, sendo cada uma destas commandada por um sargento de saúde ou seu substituto legal.

Cada secção subdividia-se em diversos grupos. Estes grupos partiam para o campo de acção, de accordo com as communicações transmitidas d’alli pelos cabos de saúde que faziam a  devida fiscalisação, informando ao Posto de Soccorro dos lugares onde existiam feridos ou doentes e, para onde, portanto, deviam dirigir-se os padioleiros, facilitando-lhes desta sorte, o trabalho de soccorro.

Alguns soccorridos, conforme a natureza do ferimento, transportavam-se a sós ou amparados por um padioleiro para o Posto de Soccorro.

Neste exercicio foram figurados diversos casos de ferimentos, tendo sido empregados todos os meios improvisados de soccorros, bem como de transporte por um, dous, tres e quatro padioleiros, attendendo-se sempre a todas as regras ministradas no regulamento de padioleiros da Brigada, que organisei e cuja adopção está dependente de approvação.
No dia 5 o campo foi coberto successivamente  pelos 1º, 2º e 3º Batalhões de Infantaria.

Houve forte tiroteio entre a linha de sentinelas e patrulhas de cavallaria e, por occasião do ataque aos postos avançados, realisou-se mais um exercício de padioleiros, tendo tomado parte as diversas secções do serviço geral de padioleiros da Brigada.

Os padioleiros partiram do local onde foi installado o hospital e dahi, incorporados, partiram para o campo de acção seguindo com elles os carros ambulâncias, cabos enfermeiros e o material de soccorros.

O Posto de Soccorro ficou a direita do abarracamento do 2º batalhão, em lugar abrigado, aproveitando-se para isso da topographia do terreno.

No Posto de Soccorro, bem como na ambulância, estava içada a bandeira distinctivo do Serviço Sanitario da Brigada, e, nos carros-ambulancias, no lado esquerdo da boleia ia um galhardete distinctivo desse serviço.

Os diversos grupos do padioleiros  foram distribuídos, de accordo com as prescripções tácticas, pela retaguarda da linha de defesa.

Foram recolhidas diversas praças, cahidas no campo de acção com ferimentos simulados e nas quaes eram reallisados os soccorros necessários, sempre aproveitando-se do material do próprio ferido ou doente.

Foram simulados diversos casos de fracturas, hemorrhagias, syncope, contusões, ferimentos por bala, etc.

Á noute o serviço, como é natural, foi feito com difficuldade, entretanto, realisou-se com toda a ordem.

Os padioleiros trabalham muito bem, mostrando aproveitamento nos ensinamentos que lhes tem sido, nos batalhões, pelos srs. Capitães-médicos, ministrados.

Os padioleiros mostraram conhecer perfeitamente a applicação technica dos soccorros, em campanha, médico-cirúrgicos e os meios de transporte dos soccorridos, sabendo tirar vantagem dos meios improvisados, utilisando-se das peças de fardamento, armamento e equipamento.

Mostraram saber abrigar-se do fogo inimigo escondendo-se em obstáculos encontrados no caminho e nas irregularidades do terreno, bem assim occultar do inimigo qualquer acto e no que podesse chamar-lhe a atenção para as potencias.

Os padioleiros levavam o distinctivo de uma faixa de flanela branca com 10 centimetros de largura, tendo no centro uma cruz vermelha da mesma fazenda.

O material destinado ao serviço do Posto constava de bolsas sanitárias, padiolas, cantis, alguns pacotes de curativo individual, pelota de Esmarch, etc.

Durante a conducção dos soccorridos qualquer que fosse a topografia do terreno, davam sempre os padioleiros posição horizontal á padiola, transpondo com as devidas regras os obstáculos, dando uniformidade no passo, etc.

O serviço foi dirigido pessoalmente por mim, tendo sido auxiliado pelos srs. Capitães-médicos Reis e Abreu.

No dia 6 realisou-se o combate final, acompanhando as forças do partido branco o sr. capitão-médico dr. Cândido dos Reis e as do partido azul o Sr. capitão-medico dr. Granja de Abreu, tendo eu seguido com o Estado Maior da Brigada.

O partido branco defendia Canoas e o azul atacava.

Em um matto existente em Canoas, nas proximidades da Estação da Estrada do Ferro, foi installado o Posto de Soccorro, que se achava convenientemente apparelhado para attender a qualquer ferido ou doente.

O partido azul teve o seu Posto de Soccorro na visinhança da chácara do sr. Raul Abbott, que, com o cavalherismo quo lhe é próprio, offereceu os seus préstimos ao Commandante geral da Brigada que, pessoalmente, agradeceu.

O combate durou o dia inteiro.

Á tarde, as forças regressavam ao acampamento sem alteração alguma, relativamento ao estado sanitário.

Foram feitos, por occasião do combate geral, alguns exercícios com o pessoal de saúde, que sempre se revelou apto para o serviço de sua profissão.

No dia 8, pela manhã, o pessoal do corpo de saúde esteve occupado com a armação do material sanitário, a fim de, ás 3 horas da tarde, formar com a columna de manobras em sua viagem de regresso para Porto Alegre.

De accordo com as ordens existentes, o corpo sanitário acompanhou a força, collocando-se em sua retaguarda e seguindo-a pela estrada do Yago até á de Canoas e por esta até ás officinas da Estrada de Ferro; d’ahi até a rua Benjamim Constant, seguindo por esta, Dr. Timotheo e Independencia até a Praça D. Sebastião, onde teve lugar o deslocamento das unidades para seus quartéis.

Á praça D. Sebastião, com uma excellente marcha, chegou a Brigada Militar, ás 6 horas e 40 minutos da tarde.

Seguiu com a força indo na retaguarda, acompanhado do sr. capitão-medico dr. Granja de Abreu e e pharmaceutico adjuncto  Jonathas da Costa Pereira.

Em seguida vinha um carro-ambulancia , trasendo padiolas e o enfermeiro mór com a caixa de soccorro da Brigada, depois mais um carro-ambulancia e finalmente carroções de quatro rodas, com bancos apropriados para o transporte de doentes e feridos.

Os cabos de saúde acompanharam, na retaguarda, os corpos a que pertenciam.

Pipas cheias d’agua potável, conduzidas por pessoal competente e com a precisa fiscalisação, iam supprindo d’agua as praças.

Apenas quinse praças dos diversos corpos, sahiram de forma e foram transportados nos referidos carroções a uma pequena distancia, voltando novamente á forma, por accusarem, quasi todas, dores nos pés, produzidas por callos, empôlas e feridas, males causados pelo calçado.

Os cabos de saúde que acompanharam os seus respectivos batalhões, prestaram bons serviços.

Os generos alimentícios eram de primeira qualidade e a alimentação era feita e destribuida de accordo com as regras de uma cosinha militar, em manobras.

Na barraca hospital. Onde foi installada a pharmacia e sala de operações, organisou-se um pequeno gabinete onde o sr. alferes dentista João Guilherme Ferreira prestou os seus serviços proffissionaes, os quaes foram muito approveitados porquanto, nos primriros dias de acampamento muitos  dos que procuravam a barraca-hospital sofriam de odontalgia.

OBSERVAÇÕES – Ao concluir, cumpre-me assignalar os seguintes dados tirados da minha observação prática individual. Cabe-me consignar aqui, que me parece de grande vantagem prática dividir o material sanitário em manobras, de modo que uma parte delle seja conduzida sobre o dorso de animais cargueiros, em volume de igual peso, dispostos convenientemente; assim será mais fácil e rápido o transporte em pontos de terreno acidentado que reclamem a presença deste material.

O serviço do saúde poderia ter uma cosinha própria, o que seria de grande vantagem para o preparo das diétas.

Para completar, o serviço de padioleiros, feito á noute, necessita-se da lanterna do dr. Barthier e do professor Gosaart, da Faculdade de Sciencias de Bordeaux, que reune todas as condições desejaveis.

Esta lanterna foi experimentada, com exito, nas manobras do serviço de saúde em Toulouse, Bordeaux e outras.

A condição principal dessa lanterna é a invisibilidade do fóco luminoso, evitando, assim despertar ao inimigo pontos de alvo.

É de lastimar que não se podesse aproveitar os banheiros de campanha, de panno impermeável, que foram encommendados para a França, com a devida antecedencia e não chegaram a tempo de serem experimentados nestas manobras.

Este banheiro, quando enrolado, forma um volume de 1 metro de comprimento sobre 0,30 centímetros de diâmetro, pesa 8 kilogrammas e assemelha-se a uma padiola de campanha.

Nas futuras manobras serão experimentados, portanto, os banheiros de campanha, bem como os carros-reservatorios (com bomba, filtro e apparelho para esterilização d’agua) e o carro de medicina e cirurgia.

Seria conveniente que o kepi soffresse uma pequena modificação, durante as manobras, por julgar de melhor effeito, e que é o uso do guarda-nuca de brim, que, sendo uma peça de pequeno custo e fácil adaptação a qualquer bonet, presta o grande serviço de preservar o soldado da acção directa dos raios solares, que é tão incommoda e perigosa nos  dias quentes.

Parece-me de muita utilidade que os médicos, em suas prelecções praticas, feitas nos corpos, explicassem á uma praça escolhida noções de pedicuria, providenciando-se ao mesmo tempo para que, em cada ambulancia, exista uma carteira, contendo o instrumental, modelo A. Girardot, usado nesse serviço, cujas vantajens são evidentes.

Assim evitaríamos que algumas praças saiam de fórma, durante a marcha, levadas pelas dores que soffrem e outras usem botinas cortadas ou procurem descalçar-se, produzindo tudo isto um péssimo effeito.

Vem a propósito lembrar o que diz o medico militar francez dr. Lemoine — sobre as condições geraes de um bom calçado para o soldado, de modo a não magoar-lhe os pés: “o ideal seria confeccionar o calçado de accordo com o pé de cada um”.

Mas é fóra de duvida que temos de levar em conta também a qualidade do material empregado, a sua resistencia e a confecção cuidadosa do calçado – como muito bem ponderou o medico do exercito nacional, tenente coronel dr. Manoel Pedro Vieira, chefe do serviço de saude e veterinaria da 9ª região militar, no seu relatório das manobras de 1912, na fazenda dos Affonsos e apresentado ao sr. general dr. Antonio Geraldo de Souza Aguiar.

Imagens constantes do artigo:

18 01 1914 - Manobras da BM - Sv Saúde B

CACOLET – Meio de transporte de feridos ou doentes em terreno montanhoso

 

18 01 1914 - Manobras da BM - Sv Saúde E

LITEIRA – Outro meio de transporte de doente ou ferido, deitado

 

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXI, edição 015, de 18/01/1914, página 5 – *mantida a grafia da época