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A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – 25º Aniversário de organização da Brigada Militar – II – Relato do Major Miguel Pereira sobre a edição do Esboço Histórico da Brigada Militar – Volume I

A Federação, no dia 15 de outubro de 1917, segunda-feira, noticiava:

Esboço Histórico da Brigada Militar

“Em meados de fevereiro deste anno, o meu prezado e illustre amigo, Coronel Affonso Emílio Massot, que repetidas vezes – mormente nas estações difíceis de minha vida, tanto me tem confortado e distinguido, perguntou-me, quando palestrávamos intimamente no seu gabinete de trabalho, se eu me encarregaria de organizar a história da Brigada Militar, e se me compromettia a dar prompto o 1º volume – comprehendida a revolução – 15 de outubro, 25º anniversário da creação da milícia riograndense.

Sou, no seu impecável commando, para os effeitos da obediência e do cumprimento de ordens, o mesmo official effectivo de outros tempos, quando me seduziam nobres aspirações, e me sorria, quase certo, futuro menos apagado.

Acceitei, é obvio, sem objecção, á pesada incumbência, sem atender sacrifícios de saúde e excesso de trabalho.

Era preciso o labor de dias inteiros e de parte da noute, na pesquisa attenta, demorada leitura e classificação dos documentos, para que eu pudesse cumprir integralmente a minha promessa.

No fim de quatro meses estavam terminados os manuscriptos, e assim divididos: Anteloquio, Introduccão, o oito Capitulos que formam em typo dez, formato grande, um volume de mais de 600 paginas.

O titulo “Esboço Historico da Brigada Militar” não é phrase metaphorica que exprima modéstia do autor. Diz com absoluta propriedade aquillo que está feito: isto é, uma collectanea de documentos que sirvam de guia e elemento ao historiador definitivo.

A algumas passagens importantes, é certo, ajuntei rápida, mas conscienciosas apreciações, segundo o meu critério e orientação no encarar os factos.

Como o leitor verá, caso leia com interesso o que encerra o livro, há, por vezes, contradições sobre determinados pontos, ou tal e qual obscuridade. Deixei-os assim propositalmente, para que, testemunhas presenciaes dos acontecimentos referidos, venham esclarecel-os e rectifical-os.

É isto que, sinceramente desejo: a collaboração de todos para corrigir os defeitos quo a obra por força há de ter.

Seria muita velleidade suppol-a perfeita. E entre os meus defeitos não se encontra a vaidade nem a presunção.

Por isso invoco o auxílio de todas as pessoas entendidas, desejo crítica severa e respeitosa dos meus patrícios, rogando-lhes empenhadamente que venham elucidar o que acharem nebuloso e ensinar-me com franqueza e sem maldade a reparar os erros cometidos.

Não sou publicista, apenas o estudioso pertinaz que se congregou voluntariamente de todos os gozos e representações mundanas, para viver humilde e ignorado entre os seus livros, por nada saber e muito ansiar em diminuir sua ignorância.

O meu plano primitivo, abandonado e esquecido desde a minha reforma, e esplanado largamente perante o commandante Cypriano Ferreira, a quem servia de secretário, era o seguinte: colher e catalogar methodica e chronologicamente todos os papéis e depoimentos úteis, deles extrahir bem cuidado resumo, redigir e comentar desenvolvidamente todos os sucessos[1], estudando-lhes as causas, concomitâncias e as consequências.

Parece que foi este o caminho seguido por Mignet[2], na história da Revolução Francesa.

A fim de lograr tal objectivo, eu precisaria de alguns anos, o primeiro dos quaes consagrado inteiramente ao estudo dos melhores autores que me pudessem ministrar os ensinamentos indispensáveis  e a consulta  dos homens letrados  de minha terra, mestres nesses assumptos.

Nada foi possível fazer submetido a esse plano, sob o qual, só mui raramente appareceria, para reforçar a verdade, um ou outro documento.    .

De modo que o trabalho preparatório, naturalmente mais desenvolvido e completo, seria, o que agora se publica e cujo prosseguimento, no volume ou volumes seguintes, obedecerá ás mesmas regras, para não alterar a uniformidade da obra.

Deixo aqui averbadas estas, explicações, não com o intuito de me forrar ás censuras, de que ninguém se escapa, mas como aviso sincero aos meus patrícios, que assim poderão trazer o concurso efficaz de suas Iuzes a quem se confessa, sem falsa modéstia, calouro nas letras e ainda incapaz de ser historiador.”

Miguel Pereira

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIV, edição 238, de 15/10/1917, segunda-feira, página 5 – *Mantida a grafia da época.

[1] su·ces·so |é|
(latim successus-us, entrada)
substantivo masculino

  1. Aquiloque sucede. = ACIDENTE, ACONTECIMENTO, FATO, CASO
  2. Resultadode ação ou empreendimento.
  3. Oque tem bom resultado, boas vendas ou muita popularidade (ex.: este é o último sucesso do escritor). = ÊXITO ≠ FIASCO, FRACASSO, INSUCESSO
  4. [Informal] Parto (ex.: tenha bom sucesso).

“sucesso”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,

https://www.priberam.pt/dlpo/sucesso [consultado em 15-10-2017].

[2] François Auguste Marie Mignet – (1779 – 1884) – Jornalista e Historiador francês de orientação liberal, foi um dos primeiros a prestar atenção ao papel da luta de classes na história, mas reduziu-a somente à luta entre a aristocracia agrária e a burguesia. (Wikipédia)

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – 25º Aniversário da organização da Brigada Militar – I

A Federação, no dia 15 de outubro de 1917, segunda-feira, noticiava:

25º anniversario da organização da Brigada Militar

As festas de hoje

Escorço histórico

Passa hoje o 25º anniversario da organização da disciplinada Brigada Militar

Extinguindo-se nos fins do anno de 1889 a “Força Policial”, creou-se no Rio Grande do Sul a “Guarda Civica, sob o comando do Major do Exército Thomas Thompson Flores, fundada pelo visconde de Pelotas, então Governador do Estado.

Quando o ministro da Guerra, em 1892, chamou o Major Thompson Flores a fim de assumir o comando do 13º batalhão de infantaria, este passou ao Major Cypriano da Costa Ferreira, hoje General nomeado para pacificar o Matto Grosso, que exercia o cargo de subcomandante e que a 6 de maio do mesmo anno pedia demissão.

Reassumindo o Major Cypriano Ferreira, o commando da Guarda Civica, prestou ele, ainda no mesmo anno, relevantes serviços à ordem pública, reprimindo a atitude revoltosa dos colonos de Caxias.

Em 15 de outubro de 1892, o Coronel Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz, baixava a seguinte

ORDEM DO DIA N. 1

“Tendo o Governo Federal me exonerado do comando da Escola Pratica do Exército em Rio Pardo e me passado à disposição do Governo deste Estado, fui, por ato de hoje, nomeado comandante da Brigada Militar do Estado, em organização, cujo comando assumo nesta data. Sendo por ato de hoje também extinta a Guarda Cívica ou Corpo Policial e devendo o pessoal dos dois corpos que compunham esta Força virem a fazer parte da Brigada Militar, determino que enquanto não forem organizados os tres corpos que constituirão a Brigada Militar, a força de cavalaria da extinta Guarda Civica fique sob o comando do Major Carlos da Costa Bandeira e a de infantaria sob o comando do Capitão Antonio Braz de Carvalho, ficando de pé todas as ordens e ordenanças pelas quais a extinta Guarda Cívica se regia. – Coronel Joaquim Pantaleão Téles de Queiroz.”

Foram commandantes da Brigada Militar, desde 15 do outubro de 1982 á 15 do outubro do 1917, os: Coronel Telles de Queiroz, General Salvador Pinheiro Machado, Coronel Fernando de Oliveira, Coronel Carlos Pinto Junior, Coronel Cypriano da Costa Ferreira e Coronel Affonso Emilio Massot, seu actual commandante.

Neste largo espaço de tempo a briosa força, pelos inestimáveis serviços que tem prestado ao paiz, carreou sympathias geraes, impondo-se pelo modo por que tem agido quando chamada a cumprir seu dever.

“A Federação” apresenta suas effusivas saudações á distincta corporação fazendo votos pela sua contínua prosperidade, nas pessoas do seu illustre commandante, nosso amigo coronel Affonso Emilio Masssot e demais officiaes.

As festas de hoje

Pelo amanhecer de hoje, em todos os quarteis, á hora regulamentar, a alvorada foi tocada pelas bandas de musica e de corneteiros.

Às 8 horas, o commandante geral, acompanhado dos commandantes de unidades e officialidade, foi depositar flores nos tumulos do patriarca Julio de Castilhos e no do senador Pinheiro Machado.

Reunidos ás 10 horas, os officiaes, no quartel do Commando Geral, foi feita a leitura da seguinte ordem do dia commemorativa do 25º anniversario da creação da Brigada:

QUARTEL DO COMMANDO GERAL DA BRIGADA MILITAR, EM PORTO ALEGRE, 15 DE OUTUBRO DE 1917.

ORDEM DO DIA N. 110

Para conhecimento da força sob meu comando, publico o seguinte:

25º ANNIVERSARIO DA CREAÇÃO DA BRIGADA MILITAR

15 de outubro de 1892, há vinte e cinco annos justamente hoje decorridos, o Governo do Estado creava a Brigada Militar, por acto que tomou o número 357.

Teria sido acertado este acto do Governo?

Terá Brigada Militar correspondido aos fins que determinaram sua creação?

Os muitos officiaes que vimos nela servindo desde a cruenta revolução que enlutou o nosso Estado e na qual tomamos parte activa ao lado Governo legal, para defesa das instituições republicanas, podem afirmar, sem exitações que jamais a Brigada Militar vacilou no cumprimento de seus deveres, agindo sempre com lealdade inexcedível.

Poderiamos affirmar que, seja naquele cruel e inclemente período de lutas, seja no largo período de paz que se Ihe vem seguindo, a Brigada foi e continua a ser abnegada, decidida e firme na sua acção. Porém, para honra e satisfação nossa, não precisamos faze-lo; as mensagens dos benemeritos rio-grandenses a que têm dirigido os destinos do nosso Estado, como presidentes, dizem com eloquência e de modo inequívoco qual tem sido a nossa conducta.

Julio de Castilhos, o saudoso patriarca, assim referiu-se á Brigada em suas brilhantes mensagens:

“Entre estas, avultam as somas a dispender com a Brigada Militar, cuja creação foi um previdente acerto, cuja manutenção integral é uma necessidade indeclinável.” (1894)

“É preciso renovar aqui as justas referências ao comportamento desta força exemplar que desde o início da revolução nunca se retirou do campo das operações, ás quaes prestou sempre concurso, levada por todos os chefes militares, sob cujo comando serviu.” (1895)

“Quanto á força pública do Estado cumpre-me apenas assignalar que ela continua a confirmar os seus honrosos procedentes conquistados dignamente durante a heroica resistencia que oppoz á execranda revolta restauradora. Ainda há pouco quando me encontrei na penosa contingência de exonerar o seu commandante geral, a Brigada Militar ofereceu um nobre exemplo de disciplina, de subordinação e de civismo, conservando-se fiel á lei e ao Governo. Esta corporação torna-se cada vez mais digna da sua importância e merece os mais justos louvores». (1896)

O Exmo. Sr. Dr. Borges de Medeiros, integro e acatado chefe, successor do inesquecível Patriarcha, tem tido sempre honrosas referencias á milícia estadual em todas as mensagens apresentadas á Assembléa dos Representantes:

“Perfeitamente armada e equipada, exemplarmente instruída e disciplinada, honrando sempre as suais gloriosas tradições, a Brigada Militar em tudo se revela na altura da importante missão constitucional que lhe incumbe desempenhar. Não tem o Estado, por isso mesmo, poupado esforços para elevar o nível moral e material de seus defensores devotados, nos quaes o Rio Grande do Sul há depositado a garantia de sua sagrada inviolabilidade”.

“A força pública não tem desmerecido de suas tradições de honra e valor. Os seus inestimáveis serviços á ordem constitucional, a sua exemplar fidelidade á auctoridade e irreprehensível disciplina militar, constituem o apanágio saliente que a recommeada á estima e benemerência públicas.”

“Em summa a Brigada Militar sempre digna de suas tradições de lealdade e valor é o mesmo núcleo de abnegados defensores das instituições rio-grandenses.”

“Continua a Brigada Militar a auxiliar o policiamento municipal, assegurando a ordem o as garantias individuaes”.

O Exmo. Snr. Dr. Carlos Barbosa Gonçalves, impolluto administrador, como seus illustres antecessores, não regateou egualmente encômios á força pública nas mensagens do quinquênio de seu governo:

“Esta milícia, organizada em período crítico de nossa vida pública, quando em sério perigo estiveram as instituições quo nos regem, concorreu extraordinariamente para a consolidação do regimen republicano, por elle se batendo com denodo nos mais sangrentos prelios, á justa conquista dos inapagáveis foros de abnegada e valorosa”.

“A força pública do Estado, com inteiro desvanecimento o digo, vem cada vez mais se impondo ao apreço e consideração geraes pela instrucção e disciplina reveladas”.

“Continua fazendo jús ao apreço e estima públicos a milícia estadual, educada sob a mais efficaz e indispensável disciplina, instruída tanto quanto possível e modernamente apparelhada, vae ella prestando inestimáveis serviços que se traduzem na ordem inalteravel reinante no Estado e que á sombra dela trabalha confiadamente em marcha accelerada para o futuro”.

O Exmo. Sr. General Salvador Ayres Pinheiro Machado, illustre vice-presidente do Estado, em exercício do cargo de presidente, assim se exprimiu om sua mensagem, de 1916:

“Esta milícia continua a manter os créditos que soube firmar pela sua disciplina exemplar, moralidade e instrucção.”

Amparado por estes conceitos honrosos para nossa força e que cheio de orgulho transcrevo nesta ordem do dia, não receei tomar a resolução definitiva de commemorar esta data que assignala para a Brigada Militar um quarto de século de existência.

COMMEMORAÇÕES

ESBOÇO HISTÓRICO DA BRIGADA MILITAR

Abrangendo o período que decorre da sua organização, até 23 de agosto de 1895, data da pacificação do nosso Estado, entrego hoje á leitura da força e crítica do público o primeiro volume do Esboço Histórico da Brigada Militar.

Tendo confiado este trabalho ao nosso intelligente camarada Major reformado desta Brigada, Miguel José Pereira, dei-lhe plena liberdade de conceitos e de apreciação sobre os homens e factos.

A nós cabe assim, tão somente o prazer da publicação desta obra commemorativa do 25º anniversário da Brigada Militar, a elle as responsabilidades de historiador.

Sinto entretanto particular agrado em poder affirmar, como tereis o ensejo de verificar, que aqualle distincto camarada desempenhou-se brilhantemente da missão que em boa hora lhe confiei, tornando-se credor de nossos agradecimentos que aqui deixo consignados com effusivas o especiaes saudações.

O abnegado companheiro que durante longos annos compartilhou comnosco das agruras da vida militar, afastado embora do serviço activo por motivo de sua saúde alterada, não hesitou em acceder ao appello que fiz de prestar mais este te serviço á Brigada Militar e ao nosso glorioso Estado, concorrendo com valioso subsídio para a história do Rio Grande do Sul.

Quadro de officiaes – Entre as solemnidades com que desejei commemorar o dia de hoje, figura a inauguração no salão de honra do Quartel do Commando Geral, de um quadro artístico, contendo as photographias de todos os officiaes em serviço, nesta data assignalada.

Este quadro, cuja confecção esteve a cargo do habil artista Sr. Cav. Virgilio Calegari, inauguro em vossa presença com especial desvanecimento.

É este um acto assaz tocante para mim, que, tendo tido a fortuna de haver tomado parte, com alguns de vós, no primeiro encontro travado na revolução e que marcou a primeira das nossas victorias, venho ininterruptamente privando convosco, até hoje, em que por honrosa distincção do Governo estou investido do commando de nossa tropa.

Busto de Julio de Castilhos – A 24 de novembro de 1903, trigésimo dia do falecimento do Dr. Julio Prates de Castilhos, a Brigada Militar, na homenagem que prestou ao eminente estadista rio-grandense disse:

“Não faltarão demonstrações, por parte de todos os republicanos, desde o chefe do Governo até o último soldado das legiões cívicas, em honra do immaculado que amou, evangelizou e serviu, como ninguém a Pátria e o Rio Grande. A todas ellas se aggrega, na sua modéstia, a da Brigada Militar, que, de armas em funeral e na corrente do sentimento commum a todos os soldados do grande general, protesta amá-lo na morte, como o prezou na vida e ver sempre na augusta imagem a estrela polar a conduzir os legionários, no empenho fervoroso de continuar a sua bela construção acariciada – a grandeza, o renome, a gloria do Rio Grande do Sul”.

A cada unidade arregimentada, a cada companhia e esquadrão terei o prazer e a honra de entregar o busto de Julio de Castilhos, expressamente encommendado ao Illustre esculptor Sr. Pinto do Couto, não só para commemorar esta data, como ainda para que cada soldado possa ter sempre deante de seus olhos a augusta imagem do Grande Morto a guial-o com a enérgica imponencia da firmeza do seu olhar.

Seja esta, meus camaradas, a mais significativa das comemorações do 25º anniversário de creação da Brigada Militar que “elle instituiu, organizou e distinguiu nas expansões levantadas e francas de seu patriotismo inexcedível”.

Aos nossos mortos – nossos camaradas e companheiros de luctas que deixaram de existir, prestemos neste dia, culto á sua memória, espargindo flores de saudades sobre as campas que guardam suas cinzas*

Preito de gratidão – Aos ilIustres officiaes, effectivos e honorários do Exército Nacional, que no commando geral ou como commandantes de Corpo, nos têm guiado desde a organização de nossa milícia, ensinando a bem compreendermos os preceitos de disciplina, subordinação e respeito, offereçamos um preito de nossa gratidão.

Hymno de respeito e de subordinação – Encerremos as expansões dos melhores sentimentos com que commemoramos o 25º anniversário de nossa existência, como força militarizada, com um hymno de respeito e da subordinação ao Exmo. Sr. Dr. Borges de Medeiros, presidente do Estado, chefe Supremo da Brigada Militar. (Assignado) Affonso Emilio Massot, coronel.

Servida uma taça de champanha aos presentes, fallou o tenente coronel Francellino Rodrigues Cordeiro, saudando o commandante da Brigada Militar; o tenente Jayme da Costa Pereira, agradecendo as expressões dirigidas ao Exército e saudando também o coronel Massot.

Por último, leu algumas palavras sobre o livro que organizou, Major Miguel Pereira, que se mostrou reconhecido pela incumbência e agradeceu ao Coronel Claudino Pereira e Capitão Candido Pinheiro de Barcellos o auxílio desinteressado que lhe prestaram.

Ás 12 horas, após a leitura da Ordem do Dia, nos quartéis, foi hasteada, na frente dos edifícios, a Bandeira Nacional, ao som do Hymno, cantado pelas praças.

Ás 15 horas, o comando geral, acompanhado dos comandantes, foi a palácio levar cumprimentos ao presidente do Estado e entregar-lhe um volume do Esboço Histórico da Brigada Militar, publicação feita para commemorar a data.

Ás 17 horas, houve retreta em frente aos quartéis.

Visita ao Dr. Borges de Medeiros

Pouco antes das 16 horas, esteve em palácio o coronel Affonso Emilio Massot, comandante geral, acompanhado so seu estado-maior e commandantes de corpos e unidades e chefes de repartições, os quaes cumprimentaram o Dr. presidente do Estado, em nome da Brigada Militar,

offerecendo ao mesmo tempo a s. exa. o primeiro volume luxuosamente impresso e encadernado do Esboço Histórico da Brigada Militar do Rio Grande Sul, da autoria do major reformado Miguel Pereira, membro da Academia Riograndense de Letras.

Pronunciou por essa occasião, o coronel Massot, belíssimo discurso de saudação ao presidente.

Ao que, s. exa. respondeu a essa saudação, dizendo que lhe era sempre grato receber as homenagens e manifestações de apreço dos officiaes da Brigada Militar porque sabia partirem ellas de leaes servidores do Estado e dedicados defensores das instituições republicanas.

Louvou a commemoração da data de hoje porque ella relembrava feitos de extraordinária bravura, cometidos pela milícia estadual, que depois de conquistar imperecíveis louros na guerra, concorria agora com a sua grande disciplina e educação cívica para a manutenção da ordem e da tranquilidade geral do Estado.

Concluiu exortando aquella força a continuar a prestar o seu apoio á causa pública e ao ideal republicanno, augmentando assim os seus já numerosos títulos de benemerência.

Telegrammas enviados:

Foram enviados os seguintes tellegrammas de regozijo:

– Marechal Carlos Pinto – Rio – Brigada Militar, reconhecida relevantes serviços lhe prestastes, como seu comandante, vos saúda efusivamente esta data comemoramos vigésimo quinto anniversário de creação, conscientes temos sempre cumprido lealdade, disciplina, deveres militares.

– General Carlos Frederico de Mesquita – Porto Alegre. Brigada Militar, comemorando hoje 25º anniversário sua creação, saúda-vos efusivamente como primeiro comandante fostes 1º Batalhão, agradecendo serviço prestado que ainda reflectem disciplina mantida.

– General Pantaleão Telles – Porto Alegre. Brigada Militar, commemorando hoje vigésimo quinto anniversário sua creação, vos saúda como seu organizador militar e primeiro commandante geral.

– General Salvador Pinheiro Machado – Porto Alegre. Brigada Militar, reconhecida pelos relevantes serviços que lhe tendo prestado, já como seu commandante interino, já como vice-presidente do Estado, em exercício, respeitosamente vos saúda com effusão d’alma neste dia em que commemora vinte e cinco annos de existência, consciente vir cumprindo lealmente missão foi creada.

– General Tito Escobar – Rio. Brigada Militar, commemorando hoje vigésimo quinto anniversário sua creação, súda-vos effusivamente, como primeiro commandante fostes terceiro batalhão, agradecendo serviços prestados que ainda se reflectem disciplina mantida.

– General Cypriano Ferreira – Cuyabá – Matto Grosso. Brigada Militar, reconhecida relevantes serviços lhe prestastes como commandante corpo e commandante geral, vos saúda effusivamento esta data em que commemora vigésimo quinto anniversário sua creação, consientes termos sempre cumprido com lealdade, disciplina, deveres militares.

– Doutor Fernando Abott – São Gabriel. A Brigada Militar, creada no vosso Governo, por acto trezentos e cincoenta e sete, commemorando, hoje, vigésimo quinto anniversário, consciente vir dando fiel cumprimento sua missão, vos saúda, respeitosamente.

– Doutor Carlos Barbosa – Jaguarão. Brigada Militar, reconhecida pelos relevantes serviços que lhe prestastes, como presidente Estado, vos saúda respeitosamente nesta data em quo commemora vigésimo quinto anniversário sua creação, consciente vir cumprindo lealmente missão lhe incumbe desempenhar.

– Tenente coronel Natalício Martins – Santiago do Boqueirão. Recebei effusivos cumprimentos camaradas motivo passagem vigésimo quinto anniversário creação Brigada Militar, que festivamente commemoramos.

– Coronel Bento Porto – Rio. Recebei efusivos cumprimentos camaradas motivo passagem vigésimo quinta aniversário creação Brigada Militar que festivamente comemoramos.

– Coronel Jeronymo Fernandes de Oliveira – Santiago do Boqueirão. Recebei efusivos cumprimentos camaradas motivo passagem vigésimo quinto aniversário creação Brigada Militar que festivamente comemoramos.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIV, edição 238, de 15/10/1917, segunda-feira, página 5 – *Mantida a grafia da época.

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO – Revista aos Corpos da Brigada Militar e desfile, em 1914

A Federação, no dia 08 de maio de 1914, sexta-feira, noticiava:

Brigada Militar — Formatura em parada

Com um effectivo de 1035 homens, constituindo 3 Batalhões de Infantaria a 4 Companhias e 1 Regimento de Cavallaria a 4 Esquadrões, formou em parada para revista no Campo da Redempção, hontem, ás 14 ½ horas, em uniforme 4º, conforme fôra determinado em detalhe do serviço, a Brigada Militar do Estado.

A força formou em linha desenvolvida, a cavallaria em batalha, occupando toda a extensão que vae pela avenida Sant’Anna desde o Collegio Militar, onde se apoiou a direita occupada pelo 1º Batalhão de Infantaria, até as immediações do Instituto Technico Profissional, onde se achava a esquerda da cavallaria.

De armas descançadas, com o intervallo entre si de 30 passos, aguardavam os corpos a chegada do commandante geral para prestar-lhe a devida continência.

A’s 14 1/2 horas em ponto approximava-se da força o coronel Cypriano Ferreira e seu Estado-Maior e ao distar 50 metros do centro da linha, todos os Corpos, da direita para a esquerda, fizeram braço-arma e apresentar-arma.

Correspondendo á continência com a mão direita, assumiu o Coronel Cypriano o commando da tropa em parada, fazendo os Corpos em seguida braço arma.

Teve, então, inicio a revista.

O Estado-Maior collocou-se á direita de toda a linha e o commandante geral percorreu toda a força da direita para a esquerda, tocando a Banda de Musica de cada Corpo um dobrado quando esta antoridade se approximava 10 metros do flanco direito, sendo ali recebido pelo comandante, que o saudava e acompanhava do lado exterior até 10 metros além do flanco esquerdo, quando a musica deixava de tocar, regressando o commandante ao seu lugar, após nova saudação de espada.

De modo semelhante procederam todos os Corpos á passagem do commandante geral pela retaguarda.

Terminada a revista mandou o commandante geral descançar-arma, fazendo em seguida, por intermedio do assistente do pessoal e ajudante de ordens, chegar suas determinações aos comandantes de Corpos.

Teve lugar, então, o desfilamento, a infantaria por pelotões e cavallaria por quatro, seguindo toda a força pela rua da República, Campo da Redempção, Praças Independencia e Conde de Porto Alegre, ruas Duque de Caxias, General Canabarro, Andradas e Independencia até a Praça D. Sebastião.

Ao enfrentar ao Palacio do governo, achando-se em uma das janellas o dr. presidente do Estado, a tropa prestou-lhe as devidas continências marcadas na tabella.

Na praça D. Sebastião, determinou o commandante geral o deslocamento das forças, a seus quartéis, tendo a mesma autoridade recebido de cada Corpo que se retirava a continência regulamentar.

O asseio da tropa, quer quanto ao uniforme, quer quanto ao armamento ou arreiamento, nada deixou a desejar, e a firmeza com que se apresentou na parada e o garbo e desembaraço que demonstrou na marcha, effeito de um treinamento methodico e continuo, mereceram louvores.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 107, de 08/05/1914, sexta-feira, pág. 5. *Mantida a grafia da época

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Oficiais do Exército instrutores da Brigada Militar, em 1915

A Federação, no dia 07 de maio de 1915, sexta-feira, noticiava:

Brigada Militar

O General chefe do D. G., em telegrama de hontem, comunicou ao Quartel General que o Ministro da Guerra, pelo avio 682, de 4 do corrente, permitiu que prestem serviço de instrucção á força publica do Estado do Rio Grande do Sul, sem prejuízo de suas funções no Exército, o 1º Tenente Anatolio Baeckel e os 2º Tenentes Emilio Lúcio Esteves e Jayme da Costa Pereira.

Os referidos officiaes ficam addidos ao Quartel General da 7ª Região, até ulterior deliberação.

Fonte: A Federação, Anno XXXII, Edição 103, de 07/05/1915, sexta-feira, pág. 8. *Mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Exames para candidatos a postos superiores e para recrutas, na Brigada Militar, em 1915.

A Federação, no dia 07 de maio de 1915, sexta-feira, noticiava:

Exames práticos

Realisou-se a prova escripta do exame pratico para o posto de Alferes, comparecendo seis candidatos.

Hoje, sexta-feira, terá lugar a prova oral.

Amanhã, sábado, prova oral de exame para o posto de Capitão, tendo-se inscripto um único candidato, tenente Ayres de Vasconcellos do 1º Regimento de Cavallaria.

Exame de Recrutas

Segunda-feira, na Linha de Tiro, haverá exame para cerca de quarenta recrutas de infantaria, devendo se achar no local os comandantes dos Corpos e instructores

Fonte: A Federação, Anno XXXII, Edição 103, de 07/05/1915, sexta-feira, pág. 6. *Mantida a grafia da época.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Serviço de policiamento em Dom Pedrito, em 1915

A Federação, no dia 30 de abril de 1915, sexta-feira, noticiava:

D. PEDRITO, 29 – Regressou hontem, para Livramento o contingente de vinte praças da Brigada Militar, que aqui estava prestando bons serviços no policiamento da cidade.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXII, edição 098, de 30/04/1915, sexta-feira, página 5 – *mantida a grafia da época

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Concorrência pública para construção de baias de madeira no quartel do Grupo de Metralhadoras da Brigada Militar, em 1915

A Federação, no dia 30 de abril de 1915, sexta-feira, noticiava:

Brigada Militar do Estado

ASSISTENCIA DO MATERIAL

De ordem do sr. tenente-coronel commandante, chama-se concorrentes, com o praso de 15 dias, para construcção de 200 baias de madeira, no Quartel do Grupo de Metralhadoras, na Chacara das Bananeiras. O projecto das referidas baias bem como quaisquer informações serão prestadas nesta Assistencia todos os dias uteis, das 10 ás 15 horas.

Quartel do Commando Geral em Porto AlegrE, 29 de abril de 1915.

Leopoldo Ayres de Vasconcellos, Major Assistente

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXII, edição 098, de 30/04/1915, sexta-feira, página 2 – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – 1º Regimento de Cavallaria da Brigada Militar regressa da fronteira com Santa Catarina, em 1915

A Federação, no dia 23 de abril de 1915, sexta-feira, noticiava:

1º Regimento da Brigada Miltar – O 1º Regimento de Cavallaria da Brigada Militar, que regressou quarta-feira, desta semana, e esta capital, procedente da fronteira do Estado com Santa Catharina, obteve 6 dias de dispensa do serviço de guarnição, para descanso.

Fonte: A Federação, Anno XXXII, Edição 092, de 23/04/1915, sexta-feira, página 5 * Mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Comemorações de 21 de Abril, na Brigada Militar, em 1914 – II

A Federação , no dia 22 de abril de 1914, quarta-feira, noticiava:

 21 DE ABRIL

Prelecções cívicas – Brigada Militar – Passeio do 1º Regimento – Em Palácio – A festa do Gremio Gaúcho – Outras notas.

Por motivo da passagem da data de 21 do abril, realisaram-se, hontem, nesta capital, varias festas cívicas, organizadas pelos corpos do Exercito, Brigada Militar e diversas associações.

De accôrdo com o actual programma do instrucção da Brigada Militar, o Tenente Vicente Landell dos Santos, do 2º Batalhão, e Alferes João Pinto Guimarães, do 1º Batalhão, fizeram as seguintes prelecções:

Camaradas

Cabe-me, hoje, a grata missão de dirigir-vos a palavra para explicar-vos a grande data que amanhã passará. 21 de abril!

Para nós, brazileiros, essa data traduz a magna epopéa, que passou á, posteridade e teve por principal protagonista o Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes!

Não dispondo de phrases buriladas para descrever os feitos desse grande vulto e de seus companheiros de martyrio pela liberdade de nossa, Patria, vou citar-vos o capitulo que a historia de nosso Brazil lhes consagra, si bem que em rápidos, porém significativos traços:

“As causas priricipaes da anti pathia que lavrava entre o Brasil e Portugal foram: em 1º logar, a preferencia odiosa que, para preenchimento dos empregos publicos, dava a Côrte aos Portuguezes; em 2º,  as medidas oppressivas com que de Lisboa esforçavam-se por impedir o desenvolvimento e a prosperidade da Colonia, e, por último, os pesados impostos que eram arrecadados com grande rigor.

Foi Minas Geraes o ponto em que manifestou-se pela 1ª vez o desejo de sacudir tão odioso jugo, que ainda mais insuportável se tornava pela violenta administração do capitão general D. Luiz Antônio Furtado de Mendonça, Visconde de Barbacena, sendo este pela Metropole especialmente encarregado de proceder á cobrança do imposto das minas, do qual a capitania achava-se desde annos em atrazo.

Um acontecimento que muito contribuiu para avivar no Brazil o sentimento da Indepedência, foi o esplendido triumpho dos norte-americanos sobre a Metropole ingleza, libertando-se depois d’uma luta heróica, que durou 7 annos.

Também teve influencia notável sobre os ânimos do Brazil a grande propaganda que naquelle tempo fazia-se na Europa, no sentido de uma revolução completa nas instituições sociaes e politicas; sendo as grandes idéas dos philosophos francezes trazidas para o Brazil, onde achavam écho no coração dos opprimidos habitantes da Colonia.

Os principaes patriotas que tentaram realisar a grande idéa da Independência foram José Joaquim da Maia, José Maria Leal, Domingos Vidal Barbosa, José Alvares Maciel, Ignacio José de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa, Thomaz Antonio Gonzaga e o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes.

José Joaquim da Maia, achando-se com alguns outros companheiros estudando na Europa, celebrou uma conferencia com o ministro norte-americano em Paris, Thomaz Jefferson, pedindo-lhe o auxilio dos Estados-Unidos na revolução que se preparava no Brazil.

Este generoso passo dado pelo joven patriota mallogrou-se porque Jefferson não quiz ou não pode contrair compromisso algum, declarando que ao Brazil competia fazer por si mesmo a sua independência, o só então deveria contar com o apoio dos Estados Unidos.

José Alvares Maciel e Domingos Vidal Barbosa, companheiros de estudos de Mata, depois da morte deste era Lisbôa, voltaram para Minas Gerais, onde se encontraram com os patriotas, que já se occupavam com a organisação da revolta. Os conjurados reuniam-se primeiramente em casa de Claudio Manoel da Costa e depois na do tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade.

O plano concebido pelos patriotas era, em breves palavras, o seguinte: pretextando uma oposição  enérgica contra o imposto das minas, propunham-se a declarar em seguida a independência do Brazil, dando-lhe um governo republicano, e como capital a cidade de São João d’El-Rei. Os conjurados extenderam a sua actividade tambem até as capitanias de S. Paulo e Rio de Janeiro, e commissionaram, para preparar a rebellião nesta ultima capitania, ao Tiradentes, moço enthusiasta, cheio de patriotismo, que julgava deverem todos abrigar os mesmos sentimentos generosos que ele professava.Partiu, pois, o Tiradentes, para o Rio de Janeiro, mas não procedeu alli com a necessária reserva. Confiava seus planos a indivíduos que eram incapazes de sujeitar-se ao grande sacrifício que lhes pedia; alliciava soldados nos quartéis do Rio de Janeiro quase abertamente, e comprava armas em tão grande quantidade que devia deslpertar suspeitas.

Não tardou o capitão general de Minas a ter conhecimento da conspiração.

Entre os conjurados havia alguns homens de sentimentos baixos, que venderam a sua honra, e a causa de sua patria o a sorte de seus companheiros. Estes homens foram o coronel Joaquim Silverio dos Reis e os tenentes-coroneis Basilio do Britto Malheiros e lgnacio Correia Pampeona. O motivo que tiveram para commetter tão vil acção foi que se achavam em debito para com o fisco e assim revelaram ao Visconde de Barbacena todo o segredo da conspiração, a fim de ser-lhes perdoada a sua divida.

O capitão general comunicou a noticia ao vice-rei D. Luiz de Vasconcellos, que acto continuo expediu ordem de prisão contra o martyr Tiradentes.

No dia 10 de maio do 1789 foi este preso no salão de uma casa da rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e encerrado numa das masmorras da fortaleza da Ilha das Cobras.

Os outros patriotas, implicados na conspiração, foram presos também e julgados, assim como Tiradentes, pelo Tribunal da Alçada.

No dia 18 de abril de 1792 proferiu-se a sentença. Foram condemnados á morte 11 dos principaes conspiradores, 5 a degredo perpetuo, e os outros ao desterro por algum tempo. Esta sentença executou-se só em parte: a rainha d. Maria I, que até se achava disposta a conceder perdão geral, no que foi impedida pelos seus ministros, commutou a pena de morte imposta aos chefes da rebellião, excluindo, porém, de sua real clemência ao Tiradentes.

A execução deste primeiro Martyr da lndependência Brazileira effectuou-se no dia 21 de abril de 1792.

Sobre o cadafalso, levantado no largo da Lampadosa (largo do Rocio), soffreu Tiradentres, com heroismo, o suplício da forca, sendo seu corpo esquartejado e dividido em postas.

Em seguida foi arrasada a casa em que habitara e deitado sal sobre o terreno em que estivera edificada.  Camaradas! Terminando concito-vos a gravardes em vossos corações o nome do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, vulgo – o Tiradentes, – cuja sagrada Memória devemos guardar com a mais profunda veneração.

Lembrae-vos do martyrio do heroico Tiradentes e de seus companheiros em pról da liberdade do nosso adorado Brasil e amae nossa Pátria com o mesmo ardor com que esse Grande Vulto a amou.

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Camaradas!

Em obediencia ao disposto em nosso programma de instrucção vigente,  fui escalado para explicar-vos a data que hoje se commemora.

Desempenhando-me desvanecido desta incumbência, o vou fazer com ligeira e despretenciosa palestra.

Faz hoje 122 annos, isto é, foi a 21 de abril de 1792 que foi executado na cidade do Rio de Janeiro o Alferes José Joaquim da Silva Xavier, por alcunha Tiradentes.

Sabeis quem foi Tiradentes?

Foi o maior o mais abnegado patriota de seu tempo; foi o precursor da Republica; foi o corajoso integro republicano que, embora sabendo quasi com certeza que pagaria com a vida a sua audácia, ousou chefiar uma conspiração que tinha por fim libertar o seu caro Brazil do jugo asphixiante da coroa bragantina.

Patriota sincero e abnegado, seu ideal, sua única ambição era ver sua Patria livre.

Não fôra a nefasta traição, os baixos caracteres e a honra venal dos conjurados Joaquim Silverio dos Reis, Bazilio de Britto e lgnacio Corrêa Pamplona, não fora esses judas que não trepidaram em vender a causa do sua Patria e a sorte de seus companheiros, a República, esta bella fórma de governo que, quasi ha 25 annos nos felicita, seria proclamada naquella epoca.

Pois que, conformo nol-a diz a historia, os conjurados “pretextando uma oposição enérgica contrra o imposto das minas, propunham-se a declarar em seguida a independoncia do Paiz, dando-lhe um governo republicano,  etc…”

Tiradentes foi, um verdadeiro heroe popular da sua época: era dentissta e exercia a sua profissão gratuitamente; foi commerciante ambulante, minerador e finalmente  dedicando-se a carreira das armas, chegou a alcançar o posto de Alferes de milícias.

Muitos foram os companheiros de Tiradentes na celebre conjuração mineira, porém só elle pagou

com a vida esse pseudo crime, porque só  elle ousou arcar com a responsabilldade da revolução abortada; não accusou ninguém; antes tratou innocentar seus companheiros, e por isso, por tanta grandeza d‘alma foi que, sendo seus companheiros condemnados a degredo perpétuo uns e a desterro outros, elle o foi à morte, executado a 21 de abril do 1792, no largo de São Domingos (Rocio), sendo seu corpo esquartejado e arrastado pelas ruas da cidade, sua casa demolida, seu espólio confiscado e seus innocentes filhinhos declarados infames.

Mas todos esses horrores o eniquidade praticados pelos despóticos ministros da rainha D. Maria I, não bastaram para amedrontar o povo brazileiro e o sangue do protomartyr da Liberdade foi  semente em terra fértil, cujos rebentos foram aa consequentes proclamações da Independência do Brazil a 7 de setembro de 1822 – e da República a 15 de novembro de 1889.

Camaradas!

É a memória deste vulto heroico, é a lembrança desse grande homem, que tanto batalhou pela nossa Liberdade, derramando o seu sangue em pról da nossa amada República, é a memória do Alferes José Joaquim da Silva Xavier – o Tiradentes, que hoje se comemora, e a quem aqui reunidos prestamos esta singela e merecida homenagem.

Camaradas!

Paz aos manos de Tiradentes!

Gloria á sua memória grandiosa!

Viva o Brazil!

Viva a Republica!

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Passeiata militar

Pelas 10 horas, o 1º Regimento de Cavallaria da Brigada Militar, sob o commando do tenente-coronel Claudino Nunes Pereira, fez uma passeiata pelas principaes ruas da capital.

A’quelle corpo associou-se a Escolta Presidencial, comandada pelo capitão Lourenço Galant.

A força foi multo elogiada pelo correctismo e garbo com que se apresentou.

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Em palácio

Estiveram em palácio, onde foram apresentar congratulações ao dr. Borgcs de Medeiros, presidente do Estado, as seguintes pessoas: dr. Marçal P. de Escobar, dr. Manuel de Freitas Valle, por si, pela “Actualidade” e pelo General Antonio Joaquim da Silva, coronel Julio Vasques, dr. José da Costa Gama, dr. Carlos Alberto de Barros e Silva, Vivaldino Marques de Medeiros, dr. Ildefonso Pinto, Paulo Bidan, José Fagundes, Vicente Giannone, Aldo Motta.

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Gremio Gaúcho

Realisou-se, hontem, na séde desta sociedade, no arraial da Gloria, a annunciada festa em honra á data de 21 de abril.

Desde pela manhã, começaram a affluir ao local, grande número de famílias, sócios e convidados.

A’s 9 horas, foram abatidas duas rezes sendo servido, depois, o tradicional churrasco.

A’s 15 horas effectuou-so a sessão solemne, presidindo-a o coronel Francellino Cordeiro e servindo de secretario o tenente Mirandolino.

O coronel Francellino, usando da palavra, congratulou-se com os associados pela data que se commemorava, entregando depois, a palavra ao dr. Ulysses de Nonohay, orador official, que pronunciou o seguinte discurso:

“Exmas. sras, sr. presidente, meus senhores!

A Inconfidência Mineira, que hoje commemoramos, tem, antes de tudo, estia expressão histórica: ella era a primeira manifestação de força de uma Pátria que despertava para a Vida, ella era o primeiro agitar, soturno, oculto, de um vulcão que não tardaria a explodir para soterrar o domínio portuguez, sob as lavas candentes da Liberdade.

Na mallograda conspiração, nada faltava para identifical-a a um movimento nacional, antes que regional: fel-a o genio brazileiro, que se esboçava nas Iyricas estrophes d’aquelles poetas, fel-a a nossa bravura, tantas vezes affirmada nos campos de batalha, fel-a a nossa consciência de livres, na revolta contra a extorsão e contra o Crime, fel-a por fim o elemento nacional, que naquelles mamelucos, naquelles audazes desbravadores de sertões tinha o seu protoplasma e a sua geratriz.

Porém, acima de todos estes elementos conjugados e acima mesmo da propria Pátria, neste momento, pairava a figura serena, tão grande na sua humildade como no seu cacaracter, tão genial no seu sonho como bravo no seu martyrio, tão nobre na sua dedicação como admirável no seu civismo; o Tiradentes legendário!

E por isso mesmo, srs. a própria corda que lhe sulcara o pescoço, foi tambem a charrúa que lavrou esta Terra para a Independência e para a República!

O sangue, que jorrou em catadupas dos membros, barbaramente esquartejados, foi também o adubo a fecundar a Idéa Sublime!

O Sal, que devia esterilisar o solo pizado pelo Martyr, foi a sementeira bemdita que tinha de desabrochar neste pendão auri-verde, que crearia uma Patria livre…

E a própria infancia, senhores, foi também o Hynno admiravel, tão alto, tão límpido vibrando, que o parece cantar eternamente a Constellação nacional do Cruzeiro!

E Corda, Sangue, Sal e Infamia, tudo para que serviu?

Para castigo de um Homem?

Não! Para a glória de uma Pátria!

Pátria! Nome admirável, sublime, que parece ciciar aos ouvidos, como um appello materno!

Pátria, que lá no extremo Norte, no Amazonas prodigioso, tens a expressão mais nítida da sua grandeza, naquella Cornucópia immensa a dardejar eternamente ouro, nos raios fortes daquele Sol e na fecundidade imensa daquela Terra.

Pátria, que lá no Maranhão, outr’ora com meia dúzia de homens, expulsou a primeira nação do mundo.

Pátria, que, na insurreição pernambucana, escreveu uma das mais bellas e das mais heroicas epopeias!

Pátria, que na Bahia foste o Gênio, em São Paulo a Audácia, em Minas o Martyr e aqui no Rio Grande a bravura e a Liberdade.

Pátria, que cresceste para um continente e marcha para uma civilização, quem te creou; quem foi a sentinela avançada  da tua Independência, quem arrostou a morte por ti, quem enfim foi o teu  proprio coração a espadanar em sangue, de ti, mais invulnerável e imortal que Achilles:  o Tiradentes!

O seculo 19 se aproxima e com elle a maioridade da  Humanidade.

O povo começava pouco a pouco a ter comciencia da sua força e em breve devia se precipitar como

uma avalanche, derribando thronos, creando a Republica e conhecendo a Liberdade.

E este movimento que se iniciara dentro da velha civilisação europea, e que devia terminar naquella crise, que foi a revolução Franceza, não tardou, a passar á América.

Simples veio d’agua, até então, elle tinha, nas pobres colônias escravas, que se transformar em pouco, no rio caudaloso que arrastaria na sua corrente impetuosa para a vida e para Independência!

E uma das primeiras a estremecer em ancias de Liberdade, foi o Brazil sublimado, porém a idéa viera cedo demais e devia transformar-se de momento naquella tragédia de 21 de abril, preparada como a do Golgotha, pela turva figura de um judas!

Porém ella não morreu… O patíbulo mataria o Homem, mas a Idéa havia de crescer, subir, até que, numa explosão admirável de Força, impelliu um próprio Príncipe a soltar o brado memorável de “Independência ou morte” …

Veio a Independencia e, menos de um século apoz a Republica!

E, hoje, ao comemorarmos  o martyrio de Tiradentes, nós o fazemos entre festas, porque a morte daquelle homem foi uma Ressurreição, pois que dentro do corpo do Heróe estava a alma da Pátria.

Disse !”

Uma salva de palmas cobriu as últimas palavras do orador.

O coronel Francellino Cordeiro propoz, então, que fosse acclamado sócio benemerito do Gremio Gaúcho o dr. Ulysses de Nonohay, á que foi feito.

Não havendo mais quem quizesse usar da palavra foi a sessão encerrada, depois de ter o presidente agradecido a presença das pessoas que ali se encontravam.

Durante o dia, no capão ao lado da séde social, houve animado baile.

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Outras notas

 – Do dr. lldefonso Fontoura recebemos, hontem o, seguinte telegramma:

“Ao orgam republicano riograndense envio parabéns pelo anniversario do grande martyr precursor da Republica – lldefonso.”

– Estiveram, hontem, em nossa redacção e nos apresentaram cumprimentos o coronel Julio Vasques, Costa Gama e coronel Antenor Amorim.

– Diversas casas conservaram-se embandeiradas, durante o dia.

– Nos edifícios das corporações militares a bandeira foi içada e arreada com todas as formalidades do estylo.

– Nos quartéis, o rancho foi melhorado, sendo postas em liberdade as praças que cumpriam penas correccionaes.

– Os bancos não funccionaram e as repartições publicas não deram expediente.

– O commercio, á tarde, fechou suas portas.

– Á noite, os estabelecimentos illuminaram suas fachadas.

–  Ás 18 horas, a bem organizada banda de música da escola municipal Hilário Ribeiro deu retreta na praça Senador Florencio, executando o excellente programma que hontem publicamos, o que foi muito apreciado pelos assistentes. Os alumnos trajavam roupa kaki o polainas brancas.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 093, de 22/04/1914, quarta-feira, página 1. *Mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Exame de instrução de Recrutas, em 1914

A Federação, no dia 21 de abril de 1914, terça-feira, noticiava:

Exame de instrucção de recrutas – Conforme já noticiamos, terá logar amanhã, ás 9 horas, no depósito de recrutas da Brigada Militar, o exame de instrucção das praças que deverão passar a promptas do ensino, a fim de serem distribuídas pelos corpos de infantaria e cavallaria.

Ao exame assistirão os commandantes dos mesmos corpos e os instructores.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXI, Edição 092, de 21/04/1914, terça-feira, página 5. *mantida a grafia da época