A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – O poeta Olavo Bilac, visita quartéis da Brigada Militar.

A Federação, no dia 05 de outubro de 1916, quinta-feira, noticiava:

 Visita aos quartéis da Brigada Militar   – Olavo Bilac, o insigne poeta nacional, nosso hospede, desde domingo último, continua sendo alvo de innumeras demonstrações de apreço, que partem de todas as classes sociaes.

Hontem, consoante dissemos em ligeira notícia de última hora, visitou ele os quarteis da Brigada Militar do Estado, para o que fora convidado pelo comandante geral dessa milícia, tenente-coronel Affonso Emilio Massot.

A’s 14 horas, o coronel Massot, acompanhado do seu estado-maior, vários officiaes e representantes da imprensa, foi ao Grande Hotel buscar o ilustre poeta, que se declarou inteiramente ao dispor da commissão.

Após alguns minutos de palestra, Bilac, acompanhado do nosso collega Emilio Kemp, representante da comissão central de festejos ao poeta; dr. Affonso de Aquino e coronel Massot, tomou assento ao automovel designado para leval-o aos pontos de visita.

A esse vehiculo, seguiam-se mais três em que iam os tenentes-coroneis Claudino Nunes Pereira e Francelino Cordeiro, respectivamente comandantes do 1º regimento de cavalaria e do 1º batalhão de infantaria da Brigada; major Leopoldo Ayres de Vasconcellos, capitães Candido Pinheiro de Barcellos, secretario do comando geral e Candido Machado, assistente do Pessoal, alferes Pelegrini Castiglione, Justo Gonçalves, d’ “O Diário”, Moacyr Godoy, do “Correio do Povo” e Aldo Mota, desta folha.

Pouco depois das 15 horas, chegavam todos ao quartel dos 2º e 3º batalhões de infantaria, á Praia de Bellas.

Ahi, já se achava formado o 3º batalhão, sob o comando do tenente-coronel Aristides da Câmara e Sá.

Os visitantes foram recebidos por toda a officialidade daqueles corpos, penetrando no quartel, cujas dependencias percorreram todas.

No pateo, os soldados, formados cantaram o hymno a Bento Gonçaves, do grande poeta gaúcho Zeferino Brasil.

Em seguida, Olavo Bilac teve ocasião de apreciar varios exercícios de gymnastica, recebendo as melhores impressões.

Findos os exercícios e após serem tiradas photographias dos visitantes, dirigiram-se estes para o salão de honra do quartel, onde foram servidos líquidos.

Foi visitado, em seguida, o quartel da escolta presidencial, em cujo picadeiro um pelotão ás ordens do alferes Paulino Leite Sobrinho fez varios exercicios de equitação.

Quasi ás 16 horas, retiraram-se todos para o grupo de metralhadoras e deposito de recrutas da Brigada, na chacara das Bananeiras, sendo ahi recebidos pelos respectivos commandantes capitães Mirandolino Machado e José Rodrigues Sobral.

Á frente do estabelecimento achava-se uma força de 50 homens que prestou as continências do estylo.

Bilac e os seus companheiros de visita percorreram demoradamente toda a linha de tiro, quartel dos recrutas e grupo de metralhadoras. Neste, foram feitos exercícios de tiro.

No picadeiro do depósito de recrutas, o alferes Hippólito Ferreira fez vários exercícios de quitação.

Ás 17 horas voltaram todos á cidade, indo até o quartel do 1º batalhão de infantaria, onde os recebeu o respectivo comandante, tenente-coronel Francelino Rodrigues Cordeiro.

Os soldados, formados no pateo, cantaram, então, um hymno patriótico, letra de Zeferino Brazil.

Depois de percorridas todas as dependencias do vasto quartel, o festejado poeta foi conduzido até ao salão de honra, onde foi servida uma taça de champagne.

O tenente-coronel Massot, fazendo uso da palavra, saudou Olavo Bilac e agradeceu a honra de sua visita.

Bilac respondeu agradecendo, comunicando as suas impressões, que disse serem as melhores possíveis.

Por fim, já ás 18 horas, Olavo Bilac foi acompanhado até o Grande Hotel, onde se hospeda.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIII, edição 231, de 05/10/1916, quinta-feira, página 1

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Torneio especial de tiro – premiação

A Federação, no dia 03 de julho de 1916, segunda-feira, noticiava:

Entrega de prêmios na Brigada Militar

Commemorando a passagem do 1º aniversario do governo do nosso amigo general Salvador Ayres Pinheiro Machado, foram distribuídos hoje os prêmios em dinheiro, conquistados pelas praças dos corpos estacionados nesta capital, em torneio especial de tiro com o emprego da machina Sub-Target.

Para classificação nesse torneio eram exigidos 4 impactos em 5 disparos ou 80% com o minimo de 20 pontos, ou 66% do máximo de pontos que se podem fazer.

Concorreram ao torneio 1.086 praças, sendo classificadas 344 ou 31,610% do numero total de concurrentes.

A “subtarget” é uma machina que em qualquer local de espaço ainda que reduzido, se destina a preencher as exigências das condições necessarias ao preparo preliminar do atirador, realisadas nas linhas de tiro com a dupla vantagem de simplificar e acelerar a instrucção e de evitar o desperdício de munições cujo emprego é supprimido.

A “subtarget” é um engenho de procedencia Norte-Americana, usado nos quarteis (e até nos acampamentos) do exército, da guarda nacional e das milicias, nos collegios e a bordo dos navios de guerra dos Estados Unidos, tendo sido introduzido em nosso paiz em o anno de 1908, quando chegou no polygono de tiro do Realengo o primeiro exemplar.

Na Alemanha, segundo uma noticia colhida de uma revista chilena, em o anno de 1914  (Memorial del Estado Mayor del Ejercito de Chile), as esperiencias a que foi submetida a “subtarget”, foram além da espectativa.

Assim se exprime Aureliano Saenz, capitão de 1ª classe do exército transandino, servindo no Seib Grenadier Regiment n. 8 (I Brandeburgo) Frankfurt AO: “Desde minha entrada no regimento chamou minha atenção um complicado e engenhoso aparelho empregado na 12ª companhia (que é a única que o possue) para os exercícios de pontaria.

Este instrumento fora recentemente adquirido a título de experiencia, a fim de ver os resultados que com ele se obteriam.

Acompanhei durante todo um período de instrucção os exercícios que com ele se fizeram e pude me convencer de sua utilidade e dos benefícios que se poderiam obter no Exército, empregando-o na tropa.

A companhia que o possúe, conseguiu tirar o primeiro lugar entre as doze do regimento, nos exercicios de tiro, tanto de escola como de combate e foi ainda a designada para disputar em lnterborg o cubiçado prêmio de tiro do Imperador.

Nosso curto serviço militar de um anno requer para a instrucção da tropa processos que facilitem e acelerem o aprendizado dos recrutas, a fim de que estes possam, dentro dos doze mezes de serviço, assenhorear-se dos deveres da guerra moderna, sendo talvez o tiro o mais importante delles e que mais tempo exige para o respectivo ensino.

Com o aparelho “subtarget” conseguiu-se simplificar muito os exercícios de pontaria e obter em pouco tempo individuos aptos para com começar seu tiro em muito boas condições, visto que uma solida instrucção de pontaria é a primeira condição que se deve attender para obter bons resultados. Ao mesmo tempo que a pontaria, aprendem os recrutas com este aparelho a disciplina do fogo e sua correcta repartição.

Vemos, pois, que se ganha tempo e que o soldado recebe uma simples e proveitosa instrucção que o prepara para o tiro de escola e de combate.

O ministro da guerra prussiano ordenou o uso da “subtarget” na Escola de Tiro de Infantaria, recomendando seu emprego nas demais repartições do exército, fazendo ainda notar que é o melhor meio conhecido para formar em pouco tempo um atirador.”

Depois de dar ideias geraes sobre o “subtarget” e sua montagem, tratar de seu emprego e vantagens que oferece, de aconselhar processos de ensino, de apreciar diversas experiências decisivas, não só com cartuchos de festim, mas até de guerra, entra o capitão Saenz em considerações sobre o custo do apparelho, dizendo o seguinte: “O aparelho completo, inclusive suporte, trípode para os alvos e 1.000 alvos auxiliares, custa 525 marcos. Com a economia de munição que se obtem, em pouco tempo cobre-se o valor do aparelho.

Assim o fez a 12ª companhia, pagando-o com as economias de munição reduzida a que tivera direito durante o anno.”

Intimamente convencido da utilidade da “subtarget”, entende o capitão Saenz que cada companhia ou esquadrão do exército do seu paiz deveria ser dotado de um aparelho, o que não representaria para o fisco um desembolso superior a 50.000 marcos, quantia insignificante si se consideram os resultados alcançados.

Entre nós, além da acima citada, possuem “subtarget” o Corpo de Bombeiros e a Brigada Policial da Capital Federal, tendo sido tão proveitosos os resultados conseguidos que, à vista deles, o ministro da Guerra tornou seu uso oficial nos quartéis do Exército, gozando já algumas unidades estacionadas no Rio de Janeiro as vantagens proporcionadas por tão engenhoso aparelho.

Para bem avaliar-se o alcance prático da “subtarget” bastam os exemplos verificados de se terem tornado regulares atiradores, indivíduos até então, considerados como icapazes de acertarem uma bala no alvo.

O Rio Grande do Sul acaba de ver as suas primeiras “subtargets” no elegante pavilhão da Linha de Tiro e do confortável quartel de infantaria da Brigada Militar do Estado.

Pelo apparelho installado no Stand já passaram em reconte concurso e no curto espaço do um mez 1.086 atiradores, dos quais 344 conseguiram classificação.

É certo que a “sublurget” não desmentiu a fama de que veio precedida, antes parece que mais adquire á proporção que se verificam os serviços que vem prestando sem onus para o erario publico.

Bem recente na força estadual é o exemplo decisivo de uma turma de recrutas, educados pelo novo processo na instrucção do tiro.

Dezoito individuos bisonhos como atiradores, pois, sendo recrutas, iniciavam seu aprendizado no Deposito da Brigada, foram levados á “subtarget” pelo respectivo instructor. Após rapido ensino, foi conseguida no alvo de 200 jardas a porcentagem global de 83% de impactos. A cada um destes atiradores entregou-se uma arma e um pente de 5 cartuchos para atirar a 150 metros, explicando-se-lhe, apenas, o desconto de altura no apontar, devido á distancia inferior a da alça do ponto em branco.

Terminado o exercício verificou-se o esplendido resultado de 80% de impactos, o que dispensa commentarios á prova tão real.

O nome “subtarget” que lhe dão vem do modo por que registra a pontaria e consequente disparo da arma. Todas as variações da linha de visada, quaisquer que sejam, desde o movimento de apontar até o de disparar, são indicados por uma agulha que se move deante de um alvo minúsculo, proporcionalmente reduzido, chamado sub-alvo ou “subtarget”.

Os sub-alvos são feitos para as distâncias de 200, 300 e 500 jardas, correspondendo a outros alvos para 200, 300 e 500 jardas, colocados á distância de 20 ½ jardas do eixo vertical do aparelho, na altura da agulha de direção e vistos como se realmente estivessem a 200, 300 e 500 jardas.

A 20 ½ jardas, isto é, na distância dos alvos, as linhas que passam pela agulha, fixa apontando ao centro do sub-alvo e pelo aparelho de pontaria da arma encontram-se formando um ângulo cujo vértice é o centro do alvo visado.

Collocada a tela dos alvos na distância recomendada, para se ter um justo funcionamento do aparelho, é necessário preliminarmente obter-se uma correta linha de visada, apontando-se para o centro do alvo, como preceitua a instrucção de tiro nesta parte e procurando corrigir a visada com o auxílio dos parafusos de deslocamento vertical e horizontal. A graduação zero do disco de deslocamento vertical deve ficar em coincidência com o indicador respectivo. O ponteiro da chave da nóz de deslocamento horizontal também deve coincidir com o zero do pequeno arco graduado. O disco e a nóz de deslocamento servem principalmente para mostrar a influencia perturbadora do vento sobre o tiro e o modo de corrigir-lhe os efeitos sobre a pontaria.

É preciso mais, solta a haste directriz da agulha equilibral-a por meio da mola espiral, tornando-a mais ou menos tensa no sentido vertical ou lateral, o que se consegue por meio do parafuso que firma o gancho que sustenta a mola.

Por meio de uma esphera de metal que corre ao longo do braço de uma alavanca, poiada num varão metálico, colocado a prumo do lado opposto á arma, consegue-se equilibrar o peso dos accessorios especiaes desta e que a prendem ao apparelho de modo que este só deixa ao atirador o peso do fuzil. Como é fácil de ver o proprio peso da arma pode por este processo ser augmentado ou diminuído.

Em tres alturas differentes se póde encaixar a peça principal, em baixo, no meio e em cima da columna que a sustenta, correspondendo isso ás posições do atirador, deitado, de joelho e de pé, si bem que com o auxilio de estrados apropriados se possa utilisar a segunda altura para as posições de joelhos e de braços e a última, a mais elevada, para tres posições regulamentaures.

Para funcionar a “subtarget”, deve-se collocar o mecanismo numa das alturas da columna de ferro e ahi ajustal-o, centrar o ponteiro da agulha em relação ao ponto negro do sub-alvo, fazer o encaixe do fuzil no braço de juncção do apparelho, ligar o cordão metallico flexível com a mola espiral que sae do cylindro deste aos accessorios que actuam no mechanismo de disparo daquelle, preparar este mechanismo pelos movimentos de carregar, como si se lidasse realmente com cartuchos e soltar a presilha que retém o ponteiro da agulha.

Dadas ao recruta as noções theoricas do tiro indispensáveis ou mais necessarias, pode-se dizer que com a “subtarget” entra-se desde logo na parte pratica do ensino, posto de lado os artificios e processos antigos de instrucção, morosos e nem sempre apprehensiveis por individuos incultos; segue-se immediatamente ao fim sem passar pelas mesas e coxins de pontaria, pela verificação dos tres vértices do triângulo de visada, nela applicação das borboletas rectificadoras, prestando assim, a “subtarget” á instrução do  tiro o serviço immenso de um laboratorio experimental, pois, não há negar, ella é mesmo um laboratório experimental de tiro.

Apparelho "Sub-Target", para instrucção de tiro sem gasto de munição.

Apparelho “Sub-Target”, para instrucção de tiro sem gasto de munição.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIII, edição 153 de 03/06/1916, segunda-feira, página 1

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar constrói estradas de rodagem

A Federação, no dia 12 de junho de 1916, terça-feira, noticiava:

A construcção das estradas de rodagem por praças da Brigada Militar – O nosso ilustre amigo general Salvador Pinheiro Machado, vice-presidente do Estado, em exercício, resolveu mandar adestrar em trabalhos de sapa praças da milícia estadual, empregando-as em serviços de construção e reparo das nossas estradas de rodagem.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXIII, edição 135, de 12/06/1916, terça-feira, página 6.