A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Trechos de estradas de rodagem concluídos pela Brigada Militar

Correio do Povo, no dia 22 de junho de 1916, quinta-feira, noticiava:

Estrada de rodagem de Bento Gonçalves a Guaporé – Como ha dias noticiamos, o dr. Borges de Medeiros, presidente do Estado, e o general Salvador Pinheiro, vice-presidente em exercicio, resolveram enviar forças dos corpos da Brigada Militar para concluir varios trechos de estradas de rodagens e cujas obras haviam sido paralysadas, em consequencia das medidas de economia recentemente tomadas. Agora, está assentado que será enviada uma força a fim de continuar um trecho da estrada de rodagem, em construção, entre os municipios de Bento Gonçalves e Guaporé. Essa força, que será composta de 40 homens do 3º batalhão de infantaria, seguirá por estes dias, para o ponto em que será feita a construcção. Commandal-a-á um official.

*Mantida a grafia da época

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Escolas Regimentais – Instruções Provisórias

ESCOLAS REGIMENTAIS

(Há 118 anos …)

A instrução da Brigada Militar era insistente preocupação do coronel Carlos Pinto. O analfabetismo das praças numa proporção numerosa, levou-o a tomar providencias acertadas que remediassem tão grande mal. Instituiu a 20 de junho escolas regimentais em todos os corpos, as quais, à falta, na ocasião, de programa definitivo, obedeceram a instruções provisórias.

Estampamos aqui a ordem do dia respectiva:

“Quartel do Comando da Brigada Militar do Estado, em Porto Alegre, 20 de junho de 1898.

ORDEM DO DIA Nº 120

Para conhecimento e devida execução publico o seguinte:

ESCOLAS REGIMENTAIS

Havendo urgente necessidade de serem o mais breve possível estabelecidas as escolas regimentais nos corpos e não se podendo por tal motivo organizar programa definitivo, determino que sejam observadas as seguintes

INSTRUÇÕES PROVISÓRIAS

1º – Leitura, caligrafia, as quatro operações sobre números inteiros e frações tanto decimais como ordinárias, ligeiras noções de higiene militar deveres do soldado, cabo de esquadra, furriel e sargento, em todas as circunstâncias do serviço de paz e guerra.

2º – Organização de papéis relativos às companhias e esquadrões, de acordo com os modelos adotados.

As escolas regimentais estarão sujeitas ao Comando Geral da Brigada.

Serão preferidas para a matrícula nas escolas regimentais, as praças que se acharem em melhores condições morais e intelectuais, a juízo de um conselho de instrução regimental, formado dos comandantes de companhias, do ajudante e do major, sob a presidência do comandante do corpo.

Ao conselho incumbe:

1º – Fixar o número de praças que anualmente deverão frequentar as escolas regimentais, tendo em vista a força dos corpos e necessidades do serviço.

2º – Propor as medidas necessárias a bem do ensino e fiscalizar a exata observância das disposições contidas nestas instruções.

Terá cada escola um professor, oficial subalterno com as precisas habilitações e um ou mais adjuntos inferiores do respectivo corpo.

O professor será nomeado pelo comandante do corpo que submeterá o seu ato à aprovação do Comando da Brigada.

Si não exceder de quarenta o número de alunos haverá um só adjunto.

O conselho de instrução regimental organizará a tabela de distribuição do tempo escolar, tendo em vista não só a conveniência do ensino como também a do serviço.

O professor será substituído em seus impedimentos por quem o comando do corpo designar, devendo esse ato ser imediatamente comunicado à autoridade superior.

As praças matriculadas serão somente dispensadas do serviço externo do quartel, salvo falta absoluta. José Carlos Pinto Junior, coronel.”

Os frutos desta medida foram ótimos. Embora as necessidades do serviço de guarnição, diligências e destacamentos impedissem frequência regular e efetiva, o aproveitamento dos alunos era auspicioso.

Dentro de poucos anos diminuía grandemente a cifra dos soldados que não sabiam ler. Alguns mais inteligentes e estudiosos, cheios de aspirações dignas, preparavam-se regularmente e obtiveram, com as promoções recebidas, a recompensa de seus esforços.

Simultaneamente, ainda que sem caráter público, mas patrocinado pelo comandante, funcionava o curso de preparatórios para oficiais e inferiores. Lecionaram aí os drs. Alfredo Clemente Pinto, João Vespucio de Abreu e Silva e Otávio Rocha, os srs. Ildefonso Comes, Afonso Guerreiro Lima, Antonio Gonçalves Moura Monteiro e Leopoldo Tietbohl.

Fonte: PEREIRA, Miguel José. Esboço Histórico da Brigada Militar, Vol. I. 2 Ed. 1950, págs. 354 e 355.

Escola Regimental do 2º Regimento de Cavalaria, em 1922

Escola Regimental do 2º Regimento de Cavalaria, em 1922

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Exercícios de tiro ao alvo – Premiação

A Federação, no dia 15 de junho de 1916, quinta-feira, noticiava:

FESTA na Brigada Militar

Programma para entrega dos prêmios e distinctivos de tiro

No dia 17 do corrente, será feita a entrega do prêmio de honra estatueta “A Victoria”, ao commandante do 1º regimento de cavallaria, tenente-coronel Claudino Nunes Pereira.

No quartel de infantaria

  1. a) Formará uma guarda de honra do 2º batalhão de infantaria para a recepção do commandante geral, que se fará acompanhar do tenente-coronel commandante do 1º regimento do cavallaria, do seu estado-maior e dos estados-maiores dos demais corpos.
  2. b) Após a recepção terá lugar a leitura da ordem do dia da Brigada, fazendo a entrega da estatueta.
  3. c) A estatueta será conduzida ao local da solennidade pelo 1º atirador da Brigada, a fim de ser entregue ao commandante do 1º regimento.
  4. d) Preenchida esta parte do programma, terá lugar a entrega dos distinctivos e prêmios aos atiradores da Brigada que mais se distinguirarn no periodo de tiro, devendo taes atiradores comparecer no local desta solennidade.
  5. e) Realizado o que consta da “alinea d” as praças premiadas e as que se acharem no Quartel de Infantaria, entoarão a “Canção Marcial”.
  6. f) A solennidade encerrar-se-á com a prelecção regulamentar feita ás praças sobre a data memoravel de 17 de junho, assistindo-a o commandante geral.

O commando geral da Brigada Militar baixou a seguinte ordem do dia:

Ordem do dia nº 66

Para conhecimento e devida execução publico o seguinte:

Resultado do tiro ao alvo

Nos exercicios de tiro ao alvo de fuzil effectuados de accordo com o programma de instrucção em vigor, apuraram-se os seguintes resultados, que dão direito aos prêmios estabelecidos nas condições 48ª, 51ª e 54ª do mesmo programma.

Tiro collectivo

Premio de honra – No tiro collectivo obteve porcentagem o 1º regimento de cavallaria, que continua como detentor da estatueta “A Victoria”.

Busto de Bento Gonçalves

Cabe a honra de guardar em seu alojamento o busto de Bento Gonçalves ao 3o esquadrão do 1º regimento de cavallaria, que na prova de tiro collectivo do corrente anno conquistou o primeiro logar.

Distribuição dos prêmios

Attendendo a que o 1º regimento de cavallaria se acha em objecto de serviço no interior do Estado, a entrega da estatueta “A Victoria” e “Busto de Bento Gonçalves” será feita a 17 do corrente, no Quartel de Infantaria, ao commandante do dito corpo, tenente-coronel Claudino Nunes Pereira, que se acha nesta capital, fazendo-se em seguida a distribuição dos prêmios em dinheiro ás praças que obtiveram classificação pela fórma seguinte:

Classe especial

2º sargento dos Serviços Auxiliares Pedro Pereira Alves, unico concurrente com direito ao premio de “20 de Setembro”.

2ª classe

1º batalhão de infantaria

1º atirador do corpo – 2º sargento Avelino Carvalho Bernardes, 12º exercicio.

Idem da 1ª companhia — soldado João Ignacio da Rosa, 7º exercicio.

Idem da 2ª companhia — 2º sargento Avelino Carvalho Bernardes, 12º exercicio.

Idem da 3ª companhia — cabo Carlos Alberto, 9º exercício.

Idem da 4ª Companhia – soldado Ramiro Barcelos dos Santos, 9º exercício.

2º batalhão de infantaria

1º atirador do corpo — cabo Manoel Soares da Costa, 9º exercicio.
Idem da 1ª companhia — cabo Manoel Soares da Costa, 9º exercicio
Idem da 2ª companhia — cabo Floriano Peixoto, 9º exercicio
Idem da 3ª companhia — soldado Adelino Rodrigues da Silva, 8º exercicio.

Idem da 4ª companhia — soldado Pedro Soares, 7º exercicio.

3º batalhão de infantaria
1º atirador do corpo — 2º sargento Emiliano Antonio da Gama, 11º exercicio.

Idem da 1ª companhia — 2º sargento Emiliano Antonio da Gama, 11º exercicio.

Idem da 2ª companhia — cabo José Gabriel de Caldas, 8º exercicio.

Idem da 3ª companhia — soldado Angelo Coelho, 9º exercicio.

Idem da 4ª companhia — cabo Enéas Lacerda, 11º exercicio.

1º regimento de cavallaria
1º atirador do corpo — o soldado Gregorio Maria Magdalena, 10º exercício.

Idem do 1º esquadrão — soldado Gaspar Formoso, 9º exercicio.

Idem do 2º esquadrão — 1º sargento Liberato Gomes da Luz, 10º exercicio.

Idem do 3º esquadrão — clarim Florisbello José Barbosa, 8º exercicio.

Idem do 4º esquadrão — soldado Gregorio Maria Magdalena, 10º exercicio.

2º regimento de cavallaria

1º atirador do corpo — cabo corneteiro Sabino Ril, 10º – exercicio.
Idem do 1º esquadrão — cabo corneteiro Sabino Ril, 10º exercicio.

Idem do 2º esquadrão — 2º sargento Lucio Luiz Lemos, 9º exercicio.

Idem do 3º esquadrão — 1º sargento Orestes Carneiro da Fontoura, 8º exercicio.

Idem do 4º esquadrão — soldado Florisbello Rodrigues, 9o exercicio.

 Escolta Presidencial

1º atirador — 2º sargento João Simões Apollinario, 12º exercicio.

Grupo de Metralhadoras
1º atirador — 2º sargento José Luiz Primeiro, 12º exercicio.

Serviços auxiliares

1º atirador — 2º sargento instructor Luiz Gomes da Silva, 9º exercicio.

(Assignado) Affonso Emilio Massot – tenente-coronel.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXIII, edição 138, de 15/06/1916, quinta-feira, página 7.

 

 

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar constrói estradas de rodagem

A Federação, no dia 12 de junho de 1916, terça-feira, noticiava:

A construcção das estradas de rodagem por praças da Brigada Militar – O nosso ilustre amigo general Salvador Pinheiro Machado, vice-presidente do Estado, em exercício, resolveu mandar adestrar em trabalhos de sapa praças da milícia estadual, empregando-as em serviços de construção e reparo das nossas estradas de rodagem.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXIII, edição 135, de 12/06/1916, terça-feira, página 6.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar recebe equipamentos de topografia adquiridos nos Estados Unidos

A Federação, no dia 06 de junho de 1916, terça-feira, noticiava:

Brigada Militar – A Brigada Militar acaba de receber procedente dos Estados Unidos diversos objectos que serão distribuidos aos corpos da Brigada Militar, para serem usados nos levantamentos expeditos.

Estes são os seguintes:

Bussulas com guarnição de madeira, idem com guarnição metallica, productos americanos, dando diferença de 5 em 5 metros, compassos, tira-linhas, centímetros, triplos decímetros, pristaticos triangulares, pantographos e transferidores metálicos.

*Mantida a grafia da época.
Fonte: Jornal A Federação, ano XXXIII, edição 130, de 06/06/1916, página 6.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Aniversário de fundação do Gremio Gaúcho

Correio do Povo, no dia 2 de junho de 1912, domingo, noticiava:

 Gremio gaucho – Realisar-se-á hoje, a festa commemorativa ao 14 anniversario da fundação do Gremio Gaúcho, e cujo programma já publicamos.

Por motivo de força maior excusou-se de pronunciar o discurso official o dr. Ildefonso Soares Pinto.
Substituil-o-á o major Miguel José Pereira**, que aceitou o convite que lhe foi feito pela directoria do Gremio. Entre os associados do Gremio nota-se desusado enthusiasmo para a festividade de hoje.

*Mantida a grafia da época

Fonte: Jornal Correio do Povo – Ano 117 – nº 246 – Porto Alegre, sábado, 2 de junho de 2012 – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

**O Major Miguel José Pereira, expoente Oficial da Brigada Militar, foi o “primeiro Historiador da Brigada Militar” autor do “Esboço Histórico da Brigada Militar do Rio Grande do Sul”, editado em  1917.

Maiores informações podem ser acessadas em “Inventário de fontes no auto resgate a uma legenda brigadiana – Major Miguel Pereira – 1º Volume”, disponível em:

http://issuu.com/brigadiano/docs/rasc_pesq_miguel_pereira___cel_pinheiro

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Exercícios de tiro realizados com o aparelho “Sub Target”

A Federação, no dia 29 de maio de 1916, domingo, noticiava:

Do Boletim de hoje, da Brigada Militar

Exercício de tiro – O capitão diretor da linha de tiro, deposito de recrutas e picadeiro, enviou a este comando, em 27 do corrente, o officio do teor seguinte: “Estado do Rio Grande do Sul – Depósito de Recrutas – N. 73 – Porto Alegre, 27 de maio de 1916 – Sr. Tenente coronel Affonso Emilio Massot d.d. comandante geral da Brigada Militar – Incluso remeto-vos o mappa com o resultado obtido por uma turma de recrutas que atirou pela primeira vez com cartucho de guerra, tendo antes recebido licções de pontaria na “Sub Target”. Da porcentagem obtida com o exercício de tiro neste aparelho, para a do tiro de guerra, apenas houve a diferença de 4% para menos. O recruta obtem com a “Sub Target” os conhecimentos precisos para fazer uma boa pontaria e quando passa para o tiro de guerra, apenas familiariza-se com o estampido e o recuo, conseguindo, então, a mesma porcentagem sem mais dar trabalho ao instructor. Eis o optimo resultado da minha experiência. Saude e fraternidade – José Rodrigues Sobral, capitão.

A turma de recrutas a que se refere o officio acima transcripto, composta de 16 homens, nos exercícios realizados com o aparelho “Sub Target” conseguiu 84% e, passando ao tiro de guerra conseguiu logo no 1º exercício 80%.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXIII, edição 121, de 26/05/1916, página 7 – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Gripe epidêmica no 1º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar

A Federação, no dia 29 de maio de 1916, domingo, noticiava:

Do Boletim de hoje, da Brigada Militar:
O capitão dr. chefe do serviço Sanitário enviou ao tenente-coronel commandante geral o officio abaixo transcrito: “Estado do Rio Grande do Sul. Hospital da Brigada Militar em Porto Alegre, 26 de maio de 1916. Nº 152. Ao Ilmo sr. Tenente-coronel Emilio Massot. M.D. commandante geral da Brigada do Estado. Tendo tomado rigorosas providencias contra a gripe de caracter epidemico e formas varias, que nos primeiros dias deste mez grassou no primeiro batalhão, motivando repetidas baixas de praças ao nosso Hospital, cumpro o grato dever de participar-vos que cessaram ellas completamente. Fiz proceder a cuidadosa desinfecção nos diversos compartimentos do respectivo quartel e providenciei para que se fizesse o mesmo com os colxões e travesseiros no Desinfectorio da Hygiene Estadoal, o que se realizou. Os senhores medicos da Hygiene, illustre drs. Ricardo Machado e Alberto de Campos Velho, a quem foi comunicada a invasão da moléstia, visitaram o referido quartel, onde os recebi com os demais medicos da Brigada, conferenciando e trocando ideias sobre o assumpto, aos quaes expuz modificações a fazer por mim indicadas em relaltorio enderessado a vossa autoridade, como necessarias para melhorar as condições hygienicas desse edificio. Saude e Fraternidade. (Assignado) dr. Armando Bello Barbedo. Chefe interino.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXIII, edição 123, de 29/05/1916, página 7 – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … Estudos para uma estrada de rodagem construída pela Brigada Militar

Correio do Povo, no dia 28 de maio de 1916, domingo, noticiava:

Estrada de rodagem de Porto Alegre a Bagé – Ha dias, que o governo do Estado cogitava da construcção de uma grande estrada de rodagem, que deveria ligar Porto Alegre á Bagé. Agora, por ordem do governo do Estado, acha-se naquella cidade, o dr. Virissimo de Mattos, director da Directoria de Viação Terrestre da Secretaria de Obras Publicas, acompanhado do engenheiro J. R. Riff, que estão procedendo aos estudos necessários para a projectada estrada. Segundo plano traçado, a estrada deverá partir da Barra do Ribeiro, 9º districto deste município, passando por S. João de Camaquam, Cangussú, Piratiny, Pinheiro Machado e Bagé. A sua extensão será de cem leguas, aproximadamente, e, segundo ouvimos, a estrada será construida por praças da Brigada Militar.

*Mantida a grafia da época

Fonte: Jornal Correio do Povo – Ano 121 – Nº 241 – PORTO ALEGRE, SÁBADO, 28 DE MAIO DE 2016 – Coluna “Há um Século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Iluminação elétrica da Chácara das Bananeiras

A Federação, no dia 26 de maio de 1916, sexta-feira, noticiava:

Illuminação Electrica da Chacara das Bananeiras

A visita oficial ao quartel da Brigada Militar e á usina electrica do Manicomio do Parthenon

Em novembro de 1915 o comando da Brigada Militar deste Estado publicou um edital chamando concurrencia para a execução da illuminacão electrica na Chácara mencionada. Foi tomado como base a installação de uma usina própria no terreno da Brigada. Na concorrência tomaram parte as firmas Alliança do Sul e Lima & Martins.

A primeira apresentou um orçamento na importância de 23:850$000, contra 22:870$000 da segunda.

Antes da assignatura do contracto as propostas foram submettidas a um estudo na secretaria das obras públicas, sendo ao mesmo tempo pelo sr. dr. Theophilo de Barros ventilada a questão da possibilidade da conducção da energia da Uzina existente no Hospício S. Pedro até a Chacara referida (uma distancia de cerca de 1.500 metros).

Tomando como base um novo projecto elaborado pela Alliança do Sul, e no qual foi considerado o aproveitamento do motor existente no Hospício S. Pedro como machina impulsora, foi annullada a primitiva concurrencia, sendo marcado um novo prazo para apresentação de propostas.

Na segunda concurrencia só tomou parte a Alliança do Sul, sendo a esta empreza confiada a execução das obras.

Hontem, em presença dos nossos amigos general Salvador Pinheiro Machado, illustre vice-presidente do Estado em exercício, coronel Affonso Emilio Massot, commandante da Brigada Militar, e do dr. Theophilo de Barros, engenheiro representante das obras publicas, de diversos officiais da Brigada e outros cavalheiros bem como dos engenheiros srs. Otto Weinstein e Jahir Sgrillo e o sr. Affonso Beck, estes ultimos representantes da firma mencionada, foi inaugurada a nova instalação, fazendo-se diversas experiências que deram os resultados os mais satisfactorios.

Em vista da distancia bastante grande para transmissão da corrente continua, da Uzina até o lugar de consumo, a installação foi executada pelo systema trifilar, com fio neutro em contacto com a terra. Dois pequenos dynamos de 4 KW cada um, trabalham em série, tendo-se com o emprego de um fio conductor de secção relativamente pequeno obtido uma perda de carga dentro dos limites admitidos. Os dois fios externos têm contacto com a terra, elles são alimentadas com 220 volts. A instalação deve pois, ser considerada sob todos os pontos de vista como de baixa tensão.

O impulso dos dynamos é feito por meio de uma correia de algodão da marca “Oxylo”, que trabalha como sem fim, distinguindo-se pela sua grande flexibilidade, sendo pois muito recommendavel para o impulso de machinas electricas em que o funccionamento suave é uma exigência principal.

Nas diversas dependências da Chacara das Bananeiras funccionam  no total 127 lampadas. Os instrummentos no quadro de distribuição mostraram que os dynamos ainda não estão carregados com a metade da energia que podem produzir, de fórma que existe uma regular reserva para um augmento no futuro.

Além da simplicidade da instalação, ainda offerece ella a vantagem do ser 9:000$000 mais barata, em relação ao preço orçado no projecto primitivo; tambem deve constatar-se que com o gasto de combustivel e de pessoal se obterá annualmente uma economia de cerca de 12:000$000.

O dr. Theophilo de Barros, ilustre engenheiro das obras publicas, e a firma Alliança do Sul, foram muito cumprimentados pela feliz solução que deram ao problema.

Para assistir o funcionamento das machinas aquella comitiva official esteve, depois de visitar as diversas dependências do quartel das Bananeiras, no Hospicio S. Pedro.

Nesse estabelecimento, o general Salvador Pinheiro Machado e o coronel Affonso Massot e as demais pessoas foram recebidas pelos nossos amigos drs. Deoclecio Pereira, illustre director do Hospicio S. Pedro e Carlos Penafiel, medico do mesmo manicomio e pelo sr. Antonio Viveiros, administrador, e outros funccionarios.

Na usina do manicômio do Parthenon, o general Salvador, depois de assistir o funccionamento das machinas, teve occasião de manifestar aos presentes a agradável impressão que lhe causara a boa disposição do novo serviço inaugurado.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXIII, edição 121, de 26/05/1916, página 7 – *mantida a grafia da época