O dia 08 de agosto na História da Brigada Militar …

Dia estadual em homenagem ao Policial Militar morto em serviço.

Instituído pela Lei nº 15.156, de 24 de abril de 2018

*A data escolhida está relacionada ao episódio ocorrido em 08 de agosto de 1990, quando um Soldado da Brigada Militar foi morto com um golpe de foice desferido por integrantes do MST, no centro de Porto Alegre

O dia 04 de Agosto na História da Brigada Militar

A  Ordem do Dia nº 236, determinou que ” … o estabelecimento de saúde chamado “Enfermaria” se denominasse “Hospital”.

Fonte: Esboço Histórico da Brigada Militar, Volume I, página 408

O DIA DE HOJE NA HISTÓRIA DA BRIGADA MILITAR – COMBATE DE BURI, EM 26 DE JULHO DE 1932

COMBATE DE BURI – HÁ 86 ANOS…

Há 86 anos, durante a Revolução Constitucionalista de 1932[1], no dia 26 de julho, o Coronel da Brigada Militar, Aparício Gonçalves Borges, que comandava o 1º Batalhão de Infantaria[2], foi ferido gravemente durante o Combate de Buri, no Estado de São Paulo.

Sobre este episódio, no Esboço Histórico da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, volume 3, 1987, Ed. Presença, constam os seguintes registros:

Página 118 – Transcrição de Mensagem do Major Camilo Diogo Duarte, subcomandante do 1º Batalhão de Infantaria, enviada ao Comandante Geral da Brigada Militar, datada de 28 de julho de 1932: “… De Faxina, 28. … Impossível é descrever valor, sangue frio oficiais e praças. Batalhão teve, nos vários combates, mortos …; feridos, gravemente, tenente coronel Aparício …. Em pleno combate, assumi comando do Batalhão, que sustentou oito horas de fogo. Consequência do ferimento, faleceu, ontem, bravo coronel, Aparício, em Itararé, para onde fora transportado. …”

Páginas 191 a 195 – Transcrição da Parte do Coronel Argemiro Dorneles, comandante da “Vanguarda das Forças em Operações no Sul do Estado de São Paulo” que retrata a ação de todas as tropas empregadas em Buri, expedida em 31 de julho de 1932: “Não podemos descrever com as verdadeiras cores o formidável combate de Buri, que durou mais de vinte e quatro horas. …  O 1º Batalhão da Brigada Militar, a quem coube a mais difícil tarefa, parecia uma torrente a despenhar-se pela montanha, arrastando na sua impetuosidade os obstáculos encontrados, espraiando-se depois, para em seguida reunir-se e novamente arremeter contra o inimigo que recuava, mas que castigava-o com os tiros de suas numerosíssimas armas automáticas. O heroísmo deste Batalhão ultrapassou a qualquer imaginação. Só uma frase diz o que foi a sua gente – um punhado de loucos, que só tinham uma mania, lutar, avançar e vencer. Mas estes loucos obedeciam conscientemente à vontade inteligente de um forte, que era um organismo sem nervos – o tenente coronel Aparício. No fragor da refrega, onde o combate assumia proporções fantásticas, lá estava ele, sereno, calmo, dando as suas ordens, estimulando os seus homens, sem ouvir o sibilar da fuzilaria que, crepitante, formava um círculo de raio curto. Nunca houve chefe mais valente. De repente, uma rajada intensa partida de cinquenta metros, feriu-o mortalmente e ele caiu, sem uma exclamação de dor, apenas recomendando o seu oficial, que também caiu mortalmente ferido, o tenente Arisoli Fagundes. O corneteiro Timóteo, que ficara guardando seu comandante, enquanto tratavam de procurar recurso para retirá-lo do local, é também atingido pela metralha, que o prostra sem vida sobre o seu chefe ferido. …”

[1] A revolução de 1932 tinha como proposta a derrubada do Governo Provisório, imposto por Getúlio Vargas a partir de golpe, em 1930, e a promulgação de uma nova constituição para o Brasil. Foi uma resposta paulista à Revolução de 1930, que havia tirado a autonomia dos Estados, direito garantido durante a vigência da Constituição de 1891. Fonte: A Revolução Constitucionalista de 1932, Editora Minuano, Ano I, Edição nº 1

[2] Aquele 1º Batalhão de Infantaria, hoje é o 1º Batalhão de Polícia Militar, responsável pela prestação do serviço público de Polícia Ostensiva em parte da zona sul de Porto Alegre e tem como Patrono o Coronel Aparício Borges.

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO – Aniversário do 3º Batalhão de Infantaria

O Correio do Povo, no dia 21 de julho de 1918, domingo, noticiou:

Anniversario de um batalhão

Como noticiámos, o 3º batalhão de infantaria da Brigada Militar festejou, hontem, a passagem do 25º anniversario de sua organisação. Creado por acto de 15 de julho de 1893 do exmo. sr. presidente do Estado, foi elle organisado em 20 daquelle mez. Sua organisação obedeceu a circumstancias extraordinarias: estava o governo do Estado a braços com uma revolução que rebentara com idéas contra­rias ao regime dominante, quando foi determinada a sua organisação, de sorte que foi ella feita de modo especial: para constituil-o foi aproveitado um grupo de republicanos dedicados que se tinham reunido para defesa do governo legal e das instituições republicanas tão seriamente ameaçados pelas ordas revolucioná­rias que haviam invadido o Estado, vindo das Republicas visinhas. Esse grupo de cidadãos antes de constituir esta unidade militar já se havia batido denodadamente em varios encontros com os revolucionários e tão valentemente se portára que lhe valeu a distincção de formar uma unidade da força publica do Estado. Fez parte da heróica Divisão do Norte e a ella esteve unido até agosto de 1894, quan­do passou a operar conjunctamente com os demais corpos da Brigada.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”

 

 

 

Policiamento da Brigada Militar em Lagoa Vermelha, em 1918.

O Correio do Povo do dia 12 de junho de 1918, terça-feira, noticiava:

Grupos de bandoleiros

Lagoa Vermelha, 11 – Chegou, hontem, aqui, trazendo uma força da Brigada Militar, o coronel Genes Bento, sub-chefe de policia, que aqui vem averiguar os casos de furtos de animaes em que estão implicadas pessoas deste municipio. O intendente, sr. Maximiliano de Almeida, recebeu aquella autoridade da estação de Erechim.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”

Policiamento da Brigada Militar em Carlos Barbosa, em 1918.

O Correio do Povo do dia 12 de junho de 1918, terça-feira, noticiava:

Grupos de bandoleiros

Carlos Barbosa. 11- Desembarcaram, aqui, 50 praças da Brigada Militar, sob o commando do capitão Cândido Mesquita. Essa força seguirá, hoje, para Lagoa Vermelha, onde vae auxiliar o policiamento dali contra os grupos de bandoleiros que infestam aquelle municipio.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”

Policiamento da Brigada Militar em Vacaria, em 1918

O Correio do Povo do dia 9 de junho de 1918, domingo, noticiava:

Remessa de força

Vaccaria, 8 – Causou optima impressão a resolução do governo do estado, mandando setenta praças da Brigada Militar, afim de auxiliar o policiamento deste municipio. Mórmemente nesta occasião o acto do governo não poderia causar maior alegria, pois continuam a circular boatos da existência de grupos suspeitos nos visinhos municípios, alarmando á população.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar participa da criação de uma Escola de Aviação em Porto Alegre, em 1918

O Correio do Povo, no dia 07 de fevereiro de 1918, noticiava

Escola de Aviação – Acha-se, nesta capital, o dr. Raphael Machado, diretor do Aereo Club Brasileiro, que veiu conferenciar com o dr. Borges de Medeiros, presidente do Estado, acerca do estabelecimento de uma escola de aviação nesta capital. O dr. Raphael Machado ainda não conferenciou com o presidente do Estado. As diligencias, porem, a que já tem procedido, acerca do estabelecimento da escola de aviação, muito o têm animado, parecendo que aquelle projecto converter-se-á, dentro em breve, num facto. Muitos jovens já foram propostos para a futura escola, estando as listas em poder do capitão Arthur Coelho de Souza, commandante da 4ª companhia de metralhadoras. Ante-hontem, em companhia do coronel Affonso Emilio Massot, commandante geral da Brigada Militar, dirigiu-se o dr. Raphael Machado á varzea de Gravatahy a fim de visital-a e julgar da possibilidade de ser ali estabelecida a escola de aviação e respectivos hangars. Sabemos que o dr. Raphael Machado achou a referida varzea em condições muito aceitáveis para aquelle fim, depois de ser a mesma drenada convenientemente, dispondo de escoadouros para as aguas que ali se acumulam nas epocas de grandes chuvas. Quanto ás innundações provenientes das cheias do rio Gravatahy, isso será facilmente evitado desde que aquelle rio seja dragado convenientemente.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna Há um século no Correio do Povo

*O Esboço Histórico da Brigada Militar, Volumes I e II traz os seguintes registros relacionados a este assunto:

Volume I

1 – 06 de agosto de 1915 – O Comandante-Geral da Brigada Militar encaminha proposta ao Presidente do Estado “para que na Brigada Militar se instalasse uma escola de aviação“. (páginas 483 a 489);

Volume II

2 – 28 de maio de 1923 – “Como decorrência do movimento revolucionário que assolava o Estado, deliberou o governo organizar um serviço de aviação na Brigada Militar, o que fez em maio. Para isto, adquiriu, em uma das repúblicas do Prata, um aparelho, já com muito uso, mas em regular estado de conservação, e nomeou um piloto-aviador, com o posto de Alferes. Por Decreto nº 3.161, de 28 de maio de 1923, foi aprovado o regulamento do Serviço de Aviação, no qual se estipulavam a sua organização, atribuições e deveres do respectivo pessoal e seus vencimentos.” (páginas 90 e 91); “Creado o Servico de Aviação na Brigada Militar, o governo determinou logo  a execução das obras necessarias ao seu funcionamento, na varzea do Gravataí, em local proximo ao antigo Posto de Veterinaria” (página 140);

3 – 09 de agosto de 1923 – “..ocorreu, nas alturas do municipio de Encruzilhada, doloroso acidente de aviação, no qual perdeu a vida …” um dos tripulantes. “… Pela manhã desse dia, levantou vôo, para um reconhecimento na região de São Sepé – Caçapava. Já de regresso ao ponto de partida, depois de plenamente executada a missão e na altura da várzea do Pequiri, cerca de 9 léguas da cidade de Encruzilhada, manifestou-se incendio no aparelho.” (página 113);

4 – 14 de setembro de 1923 – “Em ordem do dia de 14 de setembro, 0 comandante geral declarou que a Secretaria das Obras Publicas comunicara estarem as mesmas concluídas e em condições de serem utilizadas.
Os trabalhos constaram da construção de 2 hangares, sendo um fixo e outro desmontavel; de um alojamento para a guarda e de um escritorio para o diretor do Serviço; montagem de uma uzina provisoria para fornecimento de iluminação e de uma pequena oficina para reparação dos aviões; instalação de luz no hangar, no alojamento das praças, no campo e na parte externa do quartel do Posto de Veterinaria; terraplenagem parcial do campo de aviação; construção de uma estrada de rodagem, com 200 metros de extensão por 4 de largura e varios aterros.
De tudo isso, porem, pouco ou nada se aproveitou, pois que, após a desastrosa queda do avião no municipio de Encruzilhada, o serviço ficou paralisado e, mais tarde , foi extinto.
Alguns anos depois, os pavilhões e outras instalações foram cedidos à Varig, pelo governo.” (página 140)

5 – 02 de janeiro de 1924 – “… consoante resolução do presidente do Estado, foi suspenso, até ulterior deliberação, o serviço de aviação na Brigada Militar.” (página 215)

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Contingente da Brigada Militar trabalha na construção de um canal ligando duas lagoas, em 1918.

O Correio do Povo do dia 6 de fevereiro de 1918, domingo, noticiava:

Canal de Porto Alegre a Torres

A secretaria de Obras Publicas teve conhecimento de que a draga Garibaldi iniciou, a 1º do corrente, ás 15 horas, a abertura do canal ligando a lagôa da Pinguela á do Peixoto, proximo á villa de Conceição do Arroio. A distancia em terra firme, entre as duas lagôas, é de 1.800 metros. A excavação, a secco, deste trecho, que já está em andamento, foi iniciada por um contingente da Brigada Militar, e continua agora pelo empreiteiro Constantino Gayeski, que contratou com o governo tal serviço. A lagôa do Peixoto acha-se 2 metros acima da Pinguela. Esta differença de nivel será vencida por uma eclusa, cujo projecto a directoria da viação fluvial já organisou.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Ano 123, Edição Nº 129, 06 de fevereiro de 2018, terça-feira – Coluna Há um século no Correio do Povo.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – O Policiamento na cidade de Porto Alegre, em 1918.

O Correio do Povo do dia 3 de fevereiro de 1918, domingo, noticiava:

O policiamento da cidade

Apesar das reclamações anteriores e das promessas de tornal-o efficaz, o policiamento continua a ser insufficiente, insignificante na parte central da cidade e nullo nos pontos mais affastados.

Para se desculpar esse mau serviço municipal tem-se dito que a zona da cidade é muito grande e que os recursos que o municipio possue para tal fim são pequenos. Estamos de accordo com a desculpa da administração municipal.

Não compreende, mesmo, como o governo do Estado não procure assegurar a população de Porto Alegre contra os malfeitores de toda especie, dotando a capital do Rio Grande de um serviço de policiamento compatível com a sua população de mais de 150 mil almas e notadamente progressista. Porto Alegre merece alguma coisa mais do que a nossa policia municipal ainda fardada como naquelles bons tempos em que o espadagão de quasi um metro de comprimento era o symbolo da ordem e da autoridade.

Por amor da nossa civilisação e da nossa cultura ha muito tempo já que se devia ter substituído o agente municipal mal pago, mal acertado na sua farda côr de periquito, pelo guarda civil correctamente vestido, sem o espadagão que aterrorisa os ebrios, apresentando-se em publico com a mesma linha de vestuário e limpeza dos demais habitantes da cidade.

O guarda civil não é só o mantenedor da ordem, o vigia da propriedade, é tambem um guia, um informador que a população tem quando necessita saber onde fica esta ou aquella rua, qual o bonde que serve para tal ponto, onde está localisada qualquer repartição publica, etc.

Fonte: Jornal Correio do Povo, Ano 123, nº 126, edição de sábado, 03 Fev 2018, página 15.

* Pelos automóveis que aparecem na imagem, deduz-se que a fotografia não é de 1918.