O Pé no Chão

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar participa da criação de uma Escola de Aviação em Porto Alegre, em 1918

O Correio do Povo, no dia 07 de fevereiro de 1918, noticiava

Escola de Aviação – Acha-se, nesta capital, o dr. Raphael Machado, diretor do Aereo Club Brasileiro, que veiu conferenciar com o dr. Borges de Medeiros, presidente do Estado, acerca do estabelecimento de uma escola de aviação nesta capital. O dr. Raphael Machado ainda não conferenciou com o presidente do Estado. As diligencias, porem, a que já tem procedido, acerca do estabelecimento da escola de aviação, muito o têm animado, parecendo que aquelle projecto converter-se-á, dentro em breve, num facto. Muitos jovens já foram propostos para a futura escola, estando as listas em poder do capitão Arthur Coelho de Souza, commandante da 4ª companhia de metralhadoras. Ante-hontem, em companhia do coronel Affonso Emilio Massot, commandante geral da Brigada Militar, dirigiu-se o dr. Raphael Machado á varzea de Gravatahy a fim de visital-a e julgar da possibilidade de ser ali estabelecida a escola de aviação e respectivos hangars. Sabemos que o dr. Raphael Machado achou a referida varzea em condições muito aceitáveis para aquelle fim, depois de ser a mesma drenada convenientemente, dispondo de escoadouros para as aguas que ali se acumulam nas epocas de grandes chuvas. Quanto ás innundações provenientes das cheias do rio Gravatahy, isso será facilmente evitado desde que aquelle rio seja dragado convenientemente.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna Há um século no Correio do Povo

*O Esboço Histórico da Brigada Militar, Volumes I e II traz os seguintes registros relacionados a este assunto:

Volume I

1 – 06 de agosto de 1915 – O Comandante-Geral da Brigada Militar encaminha proposta ao Presidente do Estado “para que na Brigada Militar se instalasse uma escola de aviação“. (páginas 483 a 489);

Volume II

2 – 28 de maio de 1923 – “Como decorrência do movimento revolucionário que assolava o Estado, deliberou o governo organizar um serviço de aviação na Brigada Militar, o que fez em maio. Para isto, adquiriu, em uma das repúblicas do Prata, um aparelho, já com muito uso, mas em regular estado de conservação, e nomeou um piloto-aviador, com o posto de Alferes. Por Decreto nº 3.161, de 28 de maio de 1923, foi aprovado o regulamento do Serviço de Aviação, no qual se estipulavam a sua organização, atribuições e deveres do respectivo pessoal e seus vencimentos.” (páginas 90 e 91); “Creado o Servico de Aviação na Brigada Militar, o governo determinou logo  a execução das obras necessarias ao seu funcionamento, na varzea do Gravataí, em local proximo ao antigo Posto de Veterinaria” (página 140);

3 – 09 de agosto de 1923 – “..ocorreu, nas alturas do municipio de Encruzilhada, doloroso acidente de aviação, no qual perdeu a vida …” um dos tripulantes. “… Pela manhã desse dia, levantou vôo, para um reconhecimento na região de São Sepé – Caçapava. Já de regresso ao ponto de partida, depois de plenamente executada a missão e na altura da várzea do Pequiri, cerca de 9 léguas da cidade de Encruzilhada, manifestou-se incendio no aparelho.” (página 113);

4 – 14 de setembro de 1923 – “Em ordem do dia de 14 de setembro, 0 comandante geral declarou que a Secretaria das Obras Publicas comunicara estarem as mesmas concluídas e em condições de serem utilizadas.
Os trabalhos constaram da construção de 2 hangares, sendo um fixo e outro desmontavel; de um alojamento para a guarda e de um escritorio para o diretor do Serviço; montagem de uma uzina provisoria para fornecimento de iluminação e de uma pequena oficina para reparação dos aviões; instalação de luz no hangar, no alojamento das praças, no campo e na parte externa do quartel do Posto de Veterinaria; terraplenagem parcial do campo de aviação; construção de uma estrada de rodagem, com 200 metros de extensão por 4 de largura e varios aterros.
De tudo isso, porem, pouco ou nada se aproveitou, pois que, após a desastrosa queda do avião no municipio de Encruzilhada, o serviço ficou paralisado e, mais tarde , foi extinto.
Alguns anos depois, os pavilhões e outras instalações foram cedidos à Varig, pelo governo.” (página 140)

5 – 02 de janeiro de 1924 – “… consoante resolução do presidente do Estado, foi suspenso, até ulterior deliberação, o serviço de aviação na Brigada Militar.” (página 215)

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Contingente da Brigada Militar trabalha na construção de um canal ligando duas lagoas, em 1918.

O Correio do Povo do dia 6 de fevereiro de 1918, domingo, noticiava:

Canal de Porto Alegre a Torres

A secretaria de Obras Publicas teve conhecimento de que a draga Garibaldi iniciou, a 1º do corrente, ás 15 horas, a abertura do canal ligando a lagôa da Pinguela á do Peixoto, proximo á villa de Conceição do Arroio. A distancia em terra firme, entre as duas lagôas, é de 1.800 metros. A excavação, a secco, deste trecho, que já está em andamento, foi iniciada por um contingente da Brigada Militar, e continua agora pelo empreiteiro Constantino Gayeski, que contratou com o governo tal serviço. A lagôa do Peixoto acha-se 2 metros acima da Pinguela. Esta differença de nivel será vencida por uma eclusa, cujo projecto a directoria da viação fluvial já organisou.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Ano 123, Edição Nº 129, 06 de fevereiro de 2018, terça-feira – Coluna Há um século no Correio do Povo.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – O Policiamento na cidade de Porto Alegre, em 1918.

O Correio do Povo do dia 3 de fevereiro de 1918, domingo, noticiava:

O policiamento da cidade

Apesar das reclamações anteriores e das promessas de tornal-o efficaz, o policiamento continua a ser insufficiente, insignificante na parte central da cidade e nullo nos pontos mais affastados.

Para se desculpar esse mau serviço municipal tem-se dito que a zona da cidade é muito grande e que os recursos que o municipio possue para tal fim são pequenos. Estamos de accordo com a desculpa da administração municipal.

Não compreende, mesmo, como o governo do Estado não procure assegurar a população de Porto Alegre contra os malfeitores de toda especie, dotando a capital do Rio Grande de um serviço de policiamento compatível com a sua população de mais de 150 mil almas e notadamente progressista. Porto Alegre merece alguma coisa mais do que a nossa policia municipal ainda fardada como naquelles bons tempos em que o espadagão de quasi um metro de comprimento era o symbolo da ordem e da autoridade.

Por amor da nossa civilisação e da nossa cultura ha muito tempo já que se devia ter substituído o agente municipal mal pago, mal acertado na sua farda côr de periquito, pelo guarda civil correctamente vestido, sem o espadagão que aterrorisa os ebrios, apresentando-se em publico com a mesma linha de vestuário e limpeza dos demais habitantes da cidade.

O guarda civil não é só o mantenedor da ordem, o vigia da propriedade, é tambem um guia, um informador que a população tem quando necessita saber onde fica esta ou aquella rua, qual o bonde que serve para tal ponto, onde está localisada qualquer repartição publica, etc.

Fonte: Jornal Correio do Povo, Ano 123, nº 126, edição de sábado, 03 Fev 2018, página 15.

* Pelos automóveis que aparecem na imagem, deduz-se que a fotografia não é de 1918.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – 25º Aniversário de organização da Brigada Militar – II – Relato do Major Miguel Pereira sobre a edição do Esboço Histórico da Brigada Militar – Volume I

A Federação, no dia 15 de outubro de 1917, segunda-feira, noticiava:

Esboço Histórico da Brigada Militar

“Em meados de fevereiro deste anno, o meu prezado e illustre amigo, Coronel Affonso Emílio Massot, que repetidas vezes – mormente nas estações difíceis de minha vida, tanto me tem confortado e distinguido, perguntou-me, quando palestrávamos intimamente no seu gabinete de trabalho, se eu me encarregaria de organizar a história da Brigada Militar, e se me compromettia a dar prompto o 1º volume – comprehendida a revolução – 15 de outubro, 25º anniversário da creação da milícia riograndense.

Sou, no seu impecável commando, para os effeitos da obediência e do cumprimento de ordens, o mesmo official effectivo de outros tempos, quando me seduziam nobres aspirações, e me sorria, quase certo, futuro menos apagado.

Acceitei, é obvio, sem objecção, á pesada incumbência, sem atender sacrifícios de saúde e excesso de trabalho.

Era preciso o labor de dias inteiros e de parte da noute, na pesquisa attenta, demorada leitura e classificação dos documentos, para que eu pudesse cumprir integralmente a minha promessa.

No fim de quatro meses estavam terminados os manuscriptos, e assim divididos: Anteloquio, Introduccão, o oito Capitulos que formam em typo dez, formato grande, um volume de mais de 600 paginas.

O titulo “Esboço Historico da Brigada Militar” não é phrase metaphorica que exprima modéstia do autor. Diz com absoluta propriedade aquillo que está feito: isto é, uma collectanea de documentos que sirvam de guia e elemento ao historiador definitivo.

A algumas passagens importantes, é certo, ajuntei rápida, mas conscienciosas apreciações, segundo o meu critério e orientação no encarar os factos.

Como o leitor verá, caso leia com interesso o que encerra o livro, há, por vezes, contradições sobre determinados pontos, ou tal e qual obscuridade. Deixei-os assim propositalmente, para que, testemunhas presenciaes dos acontecimentos referidos, venham esclarecel-os e rectifical-os.

É isto que, sinceramente desejo: a collaboração de todos para corrigir os defeitos quo a obra por força há de ter.

Seria muita velleidade suppol-a perfeita. E entre os meus defeitos não se encontra a vaidade nem a presunção.

Por isso invoco o auxílio de todas as pessoas entendidas, desejo crítica severa e respeitosa dos meus patrícios, rogando-lhes empenhadamente que venham elucidar o que acharem nebuloso e ensinar-me com franqueza e sem maldade a reparar os erros cometidos.

Não sou publicista, apenas o estudioso pertinaz que se congregou voluntariamente de todos os gozos e representações mundanas, para viver humilde e ignorado entre os seus livros, por nada saber e muito ansiar em diminuir sua ignorância.

O meu plano primitivo, abandonado e esquecido desde a minha reforma, e esplanado largamente perante o commandante Cypriano Ferreira, a quem servia de secretário, era o seguinte: colher e catalogar methodica e chronologicamente todos os papéis e depoimentos úteis, deles extrahir bem cuidado resumo, redigir e comentar desenvolvidamente todos os sucessos[1], estudando-lhes as causas, concomitâncias e as consequências.

Parece que foi este o caminho seguido por Mignet[2], na história da Revolução Francesa.

A fim de lograr tal objectivo, eu precisaria de alguns anos, o primeiro dos quaes consagrado inteiramente ao estudo dos melhores autores que me pudessem ministrar os ensinamentos indispensáveis  e a consulta  dos homens letrados  de minha terra, mestres nesses assumptos.

Nada foi possível fazer submetido a esse plano, sob o qual, só mui raramente appareceria, para reforçar a verdade, um ou outro documento.    .

De modo que o trabalho preparatório, naturalmente mais desenvolvido e completo, seria, o que agora se publica e cujo prosseguimento, no volume ou volumes seguintes, obedecerá ás mesmas regras, para não alterar a uniformidade da obra.

Deixo aqui averbadas estas, explicações, não com o intuito de me forrar ás censuras, de que ninguém se escapa, mas como aviso sincero aos meus patrícios, que assim poderão trazer o concurso efficaz de suas Iuzes a quem se confessa, sem falsa modéstia, calouro nas letras e ainda incapaz de ser historiador.”

Miguel Pereira

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIV, edição 238, de 15/10/1917, segunda-feira, página 5 – *Mantida a grafia da época.

[1] su·ces·so |é|
(latim successus-us, entrada)
substantivo masculino

  1. Aquilo que sucede. = ACIDENTE, ACONTECIMENTO, FATO, CASO
  2. Resultado de ação ou empreendimento.
  3. O que tem bom resultado, boas vendas ou muita popularidade (ex.: este é o último sucesso do escritor). = ÊXITO ≠ FIASCO, FRACASSO, INSUCESSO
  4. [Informal] Parto (ex.: tenha bom sucesso).

“sucesso”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,

https://www.priberam.pt/dlpo/sucesso [consultado em 15-10-2017].

[2] François Auguste Marie Mignet – (1779 – 1884) – Jornalista e Historiador francês de orientação liberal, foi um dos primeiros a prestar atenção ao papel da luta de classes na história, mas reduziu-a somente à luta entre a aristocracia agrária e a burguesia. (Wikipédia)

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – 25º Aniversário da organização da Brigada Militar – I

A Federação, no dia 15 de outubro de 1917, segunda-feira, noticiava:

25º anniversario da organização da Brigada Militar

As festas de hoje

Escorço histórico

Passa hoje o 25º anniversario da organização da disciplinada Brigada Militar

Extinguindo-se nos fins do anno de 1889 a “Força Policial”, creou-se no Rio Grande do Sul a “Guarda Civica, sob o comando do Major do Exército Thomas Thompson Flores, fundada pelo visconde de Pelotas, então Governador do Estado.

Quando o ministro da Guerra, em 1892, chamou o Major Thompson Flores a fim de assumir o comando do 13º batalhão de infantaria, este passou ao Major Cypriano da Costa Ferreira, hoje General nomeado para pacificar o Matto Grosso, que exercia o cargo de subcomandante e que a 6 de maio do mesmo anno pedia demissão.

Reassumindo o Major Cypriano Ferreira, o commando da Guarda Civica, prestou ele, ainda no mesmo anno, relevantes serviços à ordem pública, reprimindo a atitude revoltosa dos colonos de Caxias.

Em 15 de outubro de 1892, o Coronel Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz, baixava a seguinte

ORDEM DO DIA N. 1

“Tendo o Governo Federal me exonerado do comando da Escola Pratica do Exército em Rio Pardo e me passado à disposição do Governo deste Estado, fui, por ato de hoje, nomeado comandante da Brigada Militar do Estado, em organização, cujo comando assumo nesta data. Sendo por ato de hoje também extinta a Guarda Cívica ou Corpo Policial e devendo o pessoal dos dois corpos que compunham esta Força virem a fazer parte da Brigada Militar, determino que enquanto não forem organizados os tres corpos que constituirão a Brigada Militar, a força de cavalaria da extinta Guarda Civica fique sob o comando do Major Carlos da Costa Bandeira e a de infantaria sob o comando do Capitão Antonio Braz de Carvalho, ficando de pé todas as ordens e ordenanças pelas quais a extinta Guarda Cívica se regia. – Coronel Joaquim Pantaleão Téles de Queiroz.”

Foram commandantes da Brigada Militar, desde 15 do outubro de 1982 á 15 do outubro do 1917, os: Coronel Telles de Queiroz, General Salvador Pinheiro Machado, Coronel Fernando de Oliveira, Coronel Carlos Pinto Junior, Coronel Cypriano da Costa Ferreira e Coronel Affonso Emilio Massot, seu actual commandante.

Neste largo espaço de tempo a briosa força, pelos inestimáveis serviços que tem prestado ao paiz, carreou sympathias geraes, impondo-se pelo modo por que tem agido quando chamada a cumprir seu dever.

“A Federação” apresenta suas effusivas saudações á distincta corporação fazendo votos pela sua contínua prosperidade, nas pessoas do seu illustre commandante, nosso amigo coronel Affonso Emilio Masssot e demais officiaes.

As festas de hoje

Pelo amanhecer de hoje, em todos os quarteis, á hora regulamentar, a alvorada foi tocada pelas bandas de musica e de corneteiros.

Às 8 horas, o commandante geral, acompanhado dos commandantes de unidades e officialidade, foi depositar flores nos tumulos do patriarca Julio de Castilhos e no do senador Pinheiro Machado.

Reunidos ás 10 horas, os officiaes, no quartel do Commando Geral, foi feita a leitura da seguinte ordem do dia commemorativa do 25º anniversario da creação da Brigada:

QUARTEL DO COMMANDO GERAL DA BRIGADA MILITAR, EM PORTO ALEGRE, 15 DE OUTUBRO DE 1917.

ORDEM DO DIA N. 110

Para conhecimento da força sob meu comando, publico o seguinte:

25º ANNIVERSARIO DA CREAÇÃO DA BRIGADA MILITAR

15 de outubro de 1892, há vinte e cinco annos justamente hoje decorridos, o Governo do Estado creava a Brigada Militar, por acto que tomou o número 357.

Teria sido acertado este acto do Governo?

Terá Brigada Militar correspondido aos fins que determinaram sua creação?

Os muitos officiaes que vimos nela servindo desde a cruenta revolução que enlutou o nosso Estado e na qual tomamos parte activa ao lado Governo legal, para defesa das instituições republicanas, podem afirmar, sem exitações que jamais a Brigada Militar vacilou no cumprimento de seus deveres, agindo sempre com lealdade inexcedível.

Poderiamos affirmar que, seja naquele cruel e inclemente período de lutas, seja no largo período de paz que se Ihe vem seguindo, a Brigada foi e continua a ser abnegada, decidida e firme na sua acção. Porém, para honra e satisfação nossa, não precisamos faze-lo; as mensagens dos benemeritos rio-grandenses a que têm dirigido os destinos do nosso Estado, como presidentes, dizem com eloquência e de modo inequívoco qual tem sido a nossa conducta.

Julio de Castilhos, o saudoso patriarca, assim referiu-se á Brigada em suas brilhantes mensagens:

“Entre estas, avultam as somas a dispender com a Brigada Militar, cuja creação foi um previdente acerto, cuja manutenção integral é uma necessidade indeclinável.” (1894)

“É preciso renovar aqui as justas referências ao comportamento desta força exemplar que desde o início da revolução nunca se retirou do campo das operações, ás quaes prestou sempre concurso, levada por todos os chefes militares, sob cujo comando serviu.” (1895)

“Quanto á força pública do Estado cumpre-me apenas assignalar que ela continua a confirmar os seus honrosos procedentes conquistados dignamente durante a heroica resistencia que oppoz á execranda revolta restauradora. Ainda há pouco quando me encontrei na penosa contingência de exonerar o seu commandante geral, a Brigada Militar ofereceu um nobre exemplo de disciplina, de subordinação e de civismo, conservando-se fiel á lei e ao Governo. Esta corporação torna-se cada vez mais digna da sua importância e merece os mais justos louvores». (1896)

O Exmo. Sr. Dr. Borges de Medeiros, integro e acatado chefe, successor do inesquecível Patriarcha, tem tido sempre honrosas referencias á milícia estadual em todas as mensagens apresentadas á Assembléa dos Representantes:

“Perfeitamente armada e equipada, exemplarmente instruída e disciplinada, honrando sempre as suais gloriosas tradições, a Brigada Militar em tudo se revela na altura da importante missão constitucional que lhe incumbe desempenhar. Não tem o Estado, por isso mesmo, poupado esforços para elevar o nível moral e material de seus defensores devotados, nos quaes o Rio Grande do Sul há depositado a garantia de sua sagrada inviolabilidade”.

“A força pública não tem desmerecido de suas tradições de honra e valor. Os seus inestimáveis serviços á ordem constitucional, a sua exemplar fidelidade á auctoridade e irreprehensível disciplina militar, constituem o apanágio saliente que a recommeada á estima e benemerência públicas.”

“Em summa a Brigada Militar sempre digna de suas tradições de lealdade e valor é o mesmo núcleo de abnegados defensores das instituições rio-grandenses.”

“Continua a Brigada Militar a auxiliar o policiamento municipal, assegurando a ordem o as garantias individuaes”.

O Exmo. Snr. Dr. Carlos Barbosa Gonçalves, impolluto administrador, como seus illustres antecessores, não regateou egualmente encômios á força pública nas mensagens do quinquênio de seu governo:

“Esta milícia, organizada em período crítico de nossa vida pública, quando em sério perigo estiveram as instituições quo nos regem, concorreu extraordinariamente para a consolidação do regimen republicano, por elle se batendo com denodo nos mais sangrentos prelios, á justa conquista dos inapagáveis foros de abnegada e valorosa”.

“A força pública do Estado, com inteiro desvanecimento o digo, vem cada vez mais se impondo ao apreço e consideração geraes pela instrucção e disciplina reveladas”.

“Continua fazendo jús ao apreço e estima públicos a milícia estadual, educada sob a mais efficaz e indispensável disciplina, instruída tanto quanto possível e modernamente apparelhada, vae ella prestando inestimáveis serviços que se traduzem na ordem inalteravel reinante no Estado e que á sombra dela trabalha confiadamente em marcha accelerada para o futuro”.

O Exmo. Sr. General Salvador Ayres Pinheiro Machado, illustre vice-presidente do Estado, em exercício do cargo de presidente, assim se exprimiu om sua mensagem, de 1916:

“Esta milícia continua a manter os créditos que soube firmar pela sua disciplina exemplar, moralidade e instrucção.”

Amparado por estes conceitos honrosos para nossa força e que cheio de orgulho transcrevo nesta ordem do dia, não receei tomar a resolução definitiva de commemorar esta data que assignala para a Brigada Militar um quarto de século de existência.

COMMEMORAÇÕES

ESBOÇO HISTÓRICO DA BRIGADA MILITAR

Abrangendo o período que decorre da sua organização, até 23 de agosto de 1895, data da pacificação do nosso Estado, entrego hoje á leitura da força e crítica do público o primeiro volume do Esboço Histórico da Brigada Militar.

Tendo confiado este trabalho ao nosso intelligente camarada Major reformado desta Brigada, Miguel José Pereira, dei-lhe plena liberdade de conceitos e de apreciação sobre os homens e factos.

A nós cabe assim, tão somente o prazer da publicação desta obra commemorativa do 25º anniversário da Brigada Militar, a elle as responsabilidades de historiador.

Sinto entretanto particular agrado em poder affirmar, como tereis o ensejo de verificar, que aqualle distincto camarada desempenhou-se brilhantemente da missão que em boa hora lhe confiei, tornando-se credor de nossos agradecimentos que aqui deixo consignados com effusivas o especiaes saudações.

O abnegado companheiro que durante longos annos compartilhou comnosco das agruras da vida militar, afastado embora do serviço activo por motivo de sua saúde alterada, não hesitou em acceder ao appello que fiz de prestar mais este te serviço á Brigada Militar e ao nosso glorioso Estado, concorrendo com valioso subsídio para a história do Rio Grande do Sul.

Quadro de officiaes – Entre as solemnidades com que desejei commemorar o dia de hoje, figura a inauguração no salão de honra do Quartel do Commando Geral, de um quadro artístico, contendo as photographias de todos os officiaes em serviço, nesta data assignalada.

Este quadro, cuja confecção esteve a cargo do habil artista Sr. Cav. Virgilio Calegari, inauguro em vossa presença com especial desvanecimento.

É este um acto assaz tocante para mim, que, tendo tido a fortuna de haver tomado parte, com alguns de vós, no primeiro encontro travado na revolução e que marcou a primeira das nossas victorias, venho ininterruptamente privando convosco, até hoje, em que por honrosa distincção do Governo estou investido do commando de nossa tropa.

Busto de Julio de Castilhos – A 24 de novembro de 1903, trigésimo dia do falecimento do Dr. Julio Prates de Castilhos, a Brigada Militar, na homenagem que prestou ao eminente estadista rio-grandense disse:

“Não faltarão demonstrações, por parte de todos os republicanos, desde o chefe do Governo até o último soldado das legiões cívicas, em honra do immaculado que amou, evangelizou e serviu, como ninguém a Pátria e o Rio Grande. A todas ellas se aggrega, na sua modéstia, a da Brigada Militar, que, de armas em funeral e na corrente do sentimento commum a todos os soldados do grande general, protesta amá-lo na morte, como o prezou na vida e ver sempre na augusta imagem a estrela polar a conduzir os legionários, no empenho fervoroso de continuar a sua bela construção acariciada – a grandeza, o renome, a gloria do Rio Grande do Sul”.

A cada unidade arregimentada, a cada companhia e esquadrão terei o prazer e a honra de entregar o busto de Julio de Castilhos, expressamente encommendado ao Illustre esculptor Sr. Pinto do Couto, não só para commemorar esta data, como ainda para que cada soldado possa ter sempre deante de seus olhos a augusta imagem do Grande Morto a guial-o com a enérgica imponencia da firmeza do seu olhar.

Seja esta, meus camaradas, a mais significativa das comemorações do 25º anniversário de creação da Brigada Militar que “elle instituiu, organizou e distinguiu nas expansões levantadas e francas de seu patriotismo inexcedível”.

Aos nossos mortos – nossos camaradas e companheiros de luctas que deixaram de existir, prestemos neste dia, culto á sua memória, espargindo flores de saudades sobre as campas que guardam suas cinzas*

Preito de gratidão – Aos ilIustres officiaes, effectivos e honorários do Exército Nacional, que no commando geral ou como commandantes de Corpo, nos têm guiado desde a organização de nossa milícia, ensinando a bem compreendermos os preceitos de disciplina, subordinação e respeito, offereçamos um preito de nossa gratidão.

Hymno de respeito e de subordinação – Encerremos as expansões dos melhores sentimentos com que commemoramos o 25º anniversário de nossa existência, como força militarizada, com um hymno de respeito e da subordinação ao Exmo. Sr. Dr. Borges de Medeiros, presidente do Estado, chefe Supremo da Brigada Militar. (Assignado) Affonso Emilio Massot, coronel.

Servida uma taça de champanha aos presentes, fallou o tenente coronel Francellino Rodrigues Cordeiro, saudando o commandante da Brigada Militar; o tenente Jayme da Costa Pereira, agradecendo as expressões dirigidas ao Exército e saudando também o coronel Massot.

Por último, leu algumas palavras sobre o livro que organizou, Major Miguel Pereira, que se mostrou reconhecido pela incumbência e agradeceu ao Coronel Claudino Pereira e Capitão Candido Pinheiro de Barcellos o auxílio desinteressado que lhe prestaram.

Ás 12 horas, após a leitura da Ordem do Dia, nos quartéis, foi hasteada, na frente dos edifícios, a Bandeira Nacional, ao som do Hymno, cantado pelas praças.

Ás 15 horas, o comando geral, acompanhado dos comandantes, foi a palácio levar cumprimentos ao presidente do Estado e entregar-lhe um volume do Esboço Histórico da Brigada Militar, publicação feita para commemorar a data.

Ás 17 horas, houve retreta em frente aos quartéis.

Visita ao Dr. Borges de Medeiros

Pouco antes das 16 horas, esteve em palácio o coronel Affonso Emilio Massot, comandante geral, acompanhado so seu estado-maior e commandantes de corpos e unidades e chefes de repartições, os quaes cumprimentaram o Dr. presidente do Estado, em nome da Brigada Militar,

offerecendo ao mesmo tempo a s. exa. o primeiro volume luxuosamente impresso e encadernado do Esboço Histórico da Brigada Militar do Rio Grande Sul, da autoria do major reformado Miguel Pereira, membro da Academia Riograndense de Letras.

Pronunciou por essa occasião, o coronel Massot, belíssimo discurso de saudação ao presidente.

Ao que, s. exa. respondeu a essa saudação, dizendo que lhe era sempre grato receber as homenagens e manifestações de apreço dos officiaes da Brigada Militar porque sabia partirem ellas de leaes servidores do Estado e dedicados defensores das instituições republicanas.

Louvou a commemoração da data de hoje porque ella relembrava feitos de extraordinária bravura, cometidos pela milícia estadual, que depois de conquistar imperecíveis louros na guerra, concorria agora com a sua grande disciplina e educação cívica para a manutenção da ordem e da tranquilidade geral do Estado.

Concluiu exortando aquella força a continuar a prestar o seu apoio á causa pública e ao ideal republicanno, augmentando assim os seus já numerosos títulos de benemerência.

Telegrammas enviados:

Foram enviados os seguintes tellegrammas de regozijo:

– Marechal Carlos Pinto – Rio – Brigada Militar, reconhecida relevantes serviços lhe prestastes, como seu comandante, vos saúda efusivamente esta data comemoramos vigésimo quinto anniversário de creação, conscientes temos sempre cumprido lealdade, disciplina, deveres militares.

– General Carlos Frederico de Mesquita – Porto Alegre. Brigada Militar, comemorando hoje 25º anniversário sua creação, saúda-vos efusivamente como primeiro comandante fostes 1º Batalhão, agradecendo serviço prestado que ainda reflectem disciplina mantida.

– General Pantaleão Telles – Porto Alegre. Brigada Militar, commemorando hoje vigésimo quinto anniversário sua creação, vos saúda como seu organizador militar e primeiro commandante geral.

– General Salvador Pinheiro Machado – Porto Alegre. Brigada Militar, reconhecida pelos relevantes serviços que lhe tendo prestado, já como seu commandante interino, já como vice-presidente do Estado, em exercício, respeitosamente vos saúda com effusão d’alma neste dia em que commemora vinte e cinco annos de existência, consciente vir cumprindo lealmente missão foi creada.

– General Tito Escobar – Rio. Brigada Militar, commemorando hoje vigésimo quinto anniversário sua creação, súda-vos effusivamente, como primeiro commandante fostes terceiro batalhão, agradecendo serviços prestados que ainda se reflectem disciplina mantida.

– General Cypriano Ferreira – Cuyabá – Matto Grosso. Brigada Militar, reconhecida relevantes serviços lhe prestastes como commandante corpo e commandante geral, vos saúda effusivamento esta data em que commemora vigésimo quinto anniversário sua creação, consientes termos sempre cumprido com lealdade, disciplina, deveres militares.

– Doutor Fernando Abott – São Gabriel. A Brigada Militar, creada no vosso Governo, por acto trezentos e cincoenta e sete, commemorando, hoje, vigésimo quinto anniversário, consciente vir dando fiel cumprimento sua missão, vos saúda, respeitosamente.

– Doutor Carlos Barbosa – Jaguarão. Brigada Militar, reconhecida pelos relevantes serviços que lhe prestastes, como presidente Estado, vos saúda respeitosamente nesta data em quo commemora vigésimo quinto anniversário sua creação, consciente vir cumprindo lealmente missão lhe incumbe desempenhar.

– Tenente coronel Natalício Martins – Santiago do Boqueirão. Recebei effusivos cumprimentos camaradas motivo passagem vigésimo quinto anniversário creação Brigada Militar, que festivamente commemoramos.

– Coronel Bento Porto – Rio. Recebei efusivos cumprimentos camaradas motivo passagem vigésimo quinta aniversário creação Brigada Militar que festivamente comemoramos.

– Coronel Jeronymo Fernandes de Oliveira – Santiago do Boqueirão. Recebei efusivos cumprimentos camaradas motivo passagem vigésimo quinto aniversário creação Brigada Militar que festivamente comemoramos.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIV, edição 238, de 15/10/1917, segunda-feira, página 5 – *Mantida a grafia da época.

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO – Brigada Militar adquire metralhadoras, em 1911.

O Correio do Povo, no dia 2 de agosto de 1913, sábado, noticiava:

Metralhadoras para a Brigada

O Estado Maior da Brigada organizou um programma para as experiencias a serem feitas com as metralhadoras recentemente chegadas para os corpos dessa milícia. As experiencias serão feitas na linha de tiro da Chacara das Bananeiras.

Fonte: Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Aniversário de criação do 3º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar, em 1917 – II

O Correio do Povo, no dia 21 de julho de 1917, sábado, noticiava:

Anniversario de um batalhão – Como noticiamos, o 3º Batalhão de Infantaria, da Brigada Militar, festejou, hontem, a passagem do 24º anniversario de sua organização. Por esse motivo, o rancho foi melhorado às praças, sendo, também destribuidos doces ás mesmas.

Foram, também, postas em liberdade todas as praças que se achavam presas por crimes correccionaes.  Á tarde, o coronel Affonso Emilio Massot, commandante geral da Brigada, esteve no quartel do 3º batalhão cumprimentando o seu commando pela passagem da data. Á noite houve sessão de cinematographo, que foi muito concorrida.

Fonte: Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”. *Mantida a grafia da época.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO – Aniversário de criação do 3º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar, em 1917 – I

A Federação, no dia 19 de julho de 1917, quinta-feira, noticiava:

Anniversario de um batalhão –  Passa amanhã, o anniversario da organização do 3º Batalhão da Brigada Militar.

Nesse quartel, que fica localizado á Praia de Bellas, haverá, entre outras festas, uma exhibição de fitas cinematographicas, constando o programma dos seguintes “films”: 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª e 7ª partes – “Nas fronteiras Italo-Austriacas” (actualidade); 8ª parte “Coisas de Leoncio”; 9ª, 10ª e 11ª partes “A Russia na guerra” (actualidade) .

Fonte: A Federação, Anno XXXIV, Edição 168-A, de 19/07/1917, quinta-feira, pág. 6. *Mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Escola da Brigada Militar, em 1908.

O Correio do Povo, no dia 5 de julho de 1908 noticiava:

Escola da Brigada Militar

Continua a funccionar a escola da brigada militar, installada em uma das salas do pavimento superior do quartel general daquella milicia.

As aulas têm actualmente a frequencia de 15 alumnos.

Fonte: Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Sociedade Protetora do Turfe – Grande Páreo Brigada Militar, em 1915.

A Federação, no dia 03 de julho de 1915, sábado, noticiava:

Projecto dos grandes prêmios

Distribuidos pela

Protectora do Turf

Em 1915

Em 11 de julho – Grande Pareo Brigada Militar – em 1.609 metros

Premios: 1:000$000 – 100$000 – e 40$000 – Para animaes nascidos no Estado; peso da tabela.

Inscripção a 1º de Julho

Fonte: A Federação, Anno XXXII, Edição 152, de 03/07/2015, sábado, pág. 5. *Mantida a grafia da época