A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar participa da criação de uma Escola de Aviação em Porto Alegre, em 1918

O Correio do Povo, no dia 07 de fevereiro de 1918, noticiava

Escola de Aviação – Acha-se, nesta capital, o dr. Raphael Machado, diretor do Aereo Club Brasileiro, que veiu conferenciar com o dr. Borges de Medeiros, presidente do Estado, acerca do estabelecimento de uma escola de aviação nesta capital. O dr. Raphael Machado ainda não conferenciou com o presidente do Estado. As diligencias, porem, a que já tem procedido, acerca do estabelecimento da escola de aviação, muito o têm animado, parecendo que aquelle projecto converter-se-á, dentro em breve, num facto. Muitos jovens já foram propostos para a futura escola, estando as listas em poder do capitão Arthur Coelho de Souza, commandante da 4ª companhia de metralhadoras. Ante-hontem, em companhia do coronel Affonso Emilio Massot, commandante geral da Brigada Militar, dirigiu-se o dr. Raphael Machado á varzea de Gravatahy a fim de visital-a e julgar da possibilidade de ser ali estabelecida a escola de aviação e respectivos hangars. Sabemos que o dr. Raphael Machado achou a referida varzea em condições muito aceitáveis para aquelle fim, depois de ser a mesma drenada convenientemente, dispondo de escoadouros para as aguas que ali se acumulam nas epocas de grandes chuvas. Quanto ás innundações provenientes das cheias do rio Gravatahy, isso será facilmente evitado desde que aquelle rio seja dragado convenientemente.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna Há um século no Correio do Povo

*O Esboço Histórico da Brigada Militar, Volumes I e II traz os seguintes registros relacionados a este assunto:

Volume I

1 – 06 de agosto de 1915 – O Comandante-Geral da Brigada Militar encaminha proposta ao Presidente do Estado “para que na Brigada Militar se instalasse uma escola de aviação“. (páginas 483 a 489);

Volume II

2 – 28 de maio de 1923 – “Como decorrência do movimento revolucionário que assolava o Estado, deliberou o governo organizar um serviço de aviação na Brigada Militar, o que fez em maio. Para isto, adquiriu, em uma das repúblicas do Prata, um aparelho, já com muito uso, mas em regular estado de conservação, e nomeou um piloto-aviador, com o posto de Alferes. Por Decreto nº 3.161, de 28 de maio de 1923, foi aprovado o regulamento do Serviço de Aviação, no qual se estipulavam a sua organização, atribuições e deveres do respectivo pessoal e seus vencimentos.” (páginas 90 e 91); “Creado o Servico de Aviação na Brigada Militar, o governo determinou logo  a execução das obras necessarias ao seu funcionamento, na varzea do Gravataí, em local proximo ao antigo Posto de Veterinaria” (página 140);

3 – 09 de agosto de 1923 – “..ocorreu, nas alturas do municipio de Encruzilhada, doloroso acidente de aviação, no qual perdeu a vida …” um dos tripulantes. “… Pela manhã desse dia, levantou vôo, para um reconhecimento na região de São Sepé – Caçapava. Já de regresso ao ponto de partida, depois de plenamente executada a missão e na altura da várzea do Pequiri, cerca de 9 léguas da cidade de Encruzilhada, manifestou-se incendio no aparelho.” (página 113);

4 – 14 de setembro de 1923 – “Em ordem do dia de 14 de setembro, 0 comandante geral declarou que a Secretaria das Obras Publicas comunicara estarem as mesmas concluídas e em condições de serem utilizadas.
Os trabalhos constaram da construção de 2 hangares, sendo um fixo e outro desmontavel; de um alojamento para a guarda e de um escritorio para o diretor do Serviço; montagem de uma uzina provisoria para fornecimento de iluminação e de uma pequena oficina para reparação dos aviões; instalação de luz no hangar, no alojamento das praças, no campo e na parte externa do quartel do Posto de Veterinaria; terraplenagem parcial do campo de aviação; construção de uma estrada de rodagem, com 200 metros de extensão por 4 de largura e varios aterros.
De tudo isso, porem, pouco ou nada se aproveitou, pois que, após a desastrosa queda do avião no municipio de Encruzilhada, o serviço ficou paralisado e, mais tarde , foi extinto.
Alguns anos depois, os pavilhões e outras instalações foram cedidos à Varig, pelo governo.” (página 140)

5 – 02 de janeiro de 1924 – “… consoante resolução do presidente do Estado, foi suspenso, até ulterior deliberação, o serviço de aviação na Brigada Militar.” (página 215)

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Contingente da Brigada Militar trabalha na construção de um canal ligando duas lagoas, em 1918.

O Correio do Povo do dia 6 de fevereiro de 1918, domingo, noticiava:

Canal de Porto Alegre a Torres

A secretaria de Obras Publicas teve conhecimento de que a draga Garibaldi iniciou, a 1º do corrente, ás 15 horas, a abertura do canal ligando a lagôa da Pinguela á do Peixoto, proximo á villa de Conceição do Arroio. A distancia em terra firme, entre as duas lagôas, é de 1.800 metros. A excavação, a secco, deste trecho, que já está em andamento, foi iniciada por um contingente da Brigada Militar, e continua agora pelo empreiteiro Constantino Gayeski, que contratou com o governo tal serviço. A lagôa do Peixoto acha-se 2 metros acima da Pinguela. Esta differença de nivel será vencida por uma eclusa, cujo projecto a directoria da viação fluvial já organisou.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Ano 123, Edição Nº 129, 06 de fevereiro de 2018, terça-feira – Coluna Há um século no Correio do Povo.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – O Policiamento na cidade de Porto Alegre, em 1918.

O Correio do Povo do dia 3 de fevereiro de 1918, domingo, noticiava:

O policiamento da cidade

Apesar das reclamações anteriores e das promessas de tornal-o efficaz, o policiamento continua a ser insufficiente, insignificante na parte central da cidade e nullo nos pontos mais affastados.

Para se desculpar esse mau serviço municipal tem-se dito que a zona da cidade é muito grande e que os recursos que o municipio possue para tal fim são pequenos. Estamos de accordo com a desculpa da administração municipal.

Não compreende, mesmo, como o governo do Estado não procure assegurar a população de Porto Alegre contra os malfeitores de toda especie, dotando a capital do Rio Grande de um serviço de policiamento compatível com a sua população de mais de 150 mil almas e notadamente progressista. Porto Alegre merece alguma coisa mais do que a nossa policia municipal ainda fardada como naquelles bons tempos em que o espadagão de quasi um metro de comprimento era o symbolo da ordem e da autoridade.

Por amor da nossa civilisação e da nossa cultura ha muito tempo já que se devia ter substituído o agente municipal mal pago, mal acertado na sua farda côr de periquito, pelo guarda civil correctamente vestido, sem o espadagão que aterrorisa os ebrios, apresentando-se em publico com a mesma linha de vestuário e limpeza dos demais habitantes da cidade.

O guarda civil não é só o mantenedor da ordem, o vigia da propriedade, é tambem um guia, um informador que a população tem quando necessita saber onde fica esta ou aquella rua, qual o bonde que serve para tal ponto, onde está localisada qualquer repartição publica, etc.

Fonte: Jornal Correio do Povo, Ano 123, nº 126, edição de sábado, 03 Fev 2018, página 15.

* Pelos automóveis que aparecem na imagem, deduz-se que a fotografia não é de 1918.