A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO – Revista aos Corpos da Brigada Militar e desfile, em 1914

A Federação, no dia 08 de maio de 1914, sexta-feira, noticiava:

Brigada Militar — Formatura em parada

Com um effectivo de 1035 homens, constituindo 3 Batalhões de Infantaria a 4 Companhias e 1 Regimento de Cavallaria a 4 Esquadrões, formou em parada para revista no Campo da Redempção, hontem, ás 14 ½ horas, em uniforme 4º, conforme fôra determinado em detalhe do serviço, a Brigada Militar do Estado.

A força formou em linha desenvolvida, a cavallaria em batalha, occupando toda a extensão que vae pela avenida Sant’Anna desde o Collegio Militar, onde se apoiou a direita occupada pelo 1º Batalhão de Infantaria, até as immediações do Instituto Technico Profissional, onde se achava a esquerda da cavallaria.

De armas descançadas, com o intervallo entre si de 30 passos, aguardavam os corpos a chegada do commandante geral para prestar-lhe a devida continência.

A’s 14 1/2 horas em ponto approximava-se da força o coronel Cypriano Ferreira e seu Estado-Maior e ao distar 50 metros do centro da linha, todos os Corpos, da direita para a esquerda, fizeram braço-arma e apresentar-arma.

Correspondendo á continência com a mão direita, assumiu o Coronel Cypriano o commando da tropa em parada, fazendo os Corpos em seguida braço arma.

Teve, então, inicio a revista.

O Estado-Maior collocou-se á direita de toda a linha e o commandante geral percorreu toda a força da direita para a esquerda, tocando a Banda de Musica de cada Corpo um dobrado quando esta antoridade se approximava 10 metros do flanco direito, sendo ali recebido pelo comandante, que o saudava e acompanhava do lado exterior até 10 metros além do flanco esquerdo, quando a musica deixava de tocar, regressando o commandante ao seu lugar, após nova saudação de espada.

De modo semelhante procederam todos os Corpos á passagem do commandante geral pela retaguarda.

Terminada a revista mandou o commandante geral descançar-arma, fazendo em seguida, por intermedio do assistente do pessoal e ajudante de ordens, chegar suas determinações aos comandantes de Corpos.

Teve lugar, então, o desfilamento, a infantaria por pelotões e cavallaria por quatro, seguindo toda a força pela rua da República, Campo da Redempção, Praças Independencia e Conde de Porto Alegre, ruas Duque de Caxias, General Canabarro, Andradas e Independencia até a Praça D. Sebastião.

Ao enfrentar ao Palacio do governo, achando-se em uma das janellas o dr. presidente do Estado, a tropa prestou-lhe as devidas continências marcadas na tabella.

Na praça D. Sebastião, determinou o commandante geral o deslocamento das forças, a seus quartéis, tendo a mesma autoridade recebido de cada Corpo que se retirava a continência regulamentar.

O asseio da tropa, quer quanto ao uniforme, quer quanto ao armamento ou arreiamento, nada deixou a desejar, e a firmeza com que se apresentou na parada e o garbo e desembaraço que demonstrou na marcha, effeito de um treinamento methodico e continuo, mereceram louvores.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 107, de 08/05/1914, sexta-feira, pág. 5. *Mantida a grafia da época

 

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