Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Passagem do Comando-Geral da Brigada Militar – Coronel Cypriano para Tenente-Coronel Massot, em 1915

A Federação, no dia 31 de março de 1915, quarta-feira, noticiava:

Brigada Militar

Entrega do Comando

Varias informações

Segue hoje, pelo Ipanema, para o Rio de Janeiro, o nosso illustre amigo coronel dr. Cypriano da Costa Ferreira, que por longo espaço de tempo exerceu o cargo de commandante geral da Brigada Militar.    Segue s. exa. para a capital da Republica, a fim de assumir o cargo de chefe do serviço do Estado-Maior da 3ª divisão do Exercito.

O coronel Cypriano foi nomeado commandante geral da Brigada Militar a 15 de março de 1909, assumindo na mesma data o exercicio das funcções innerentes ao elevado cargo em que o colocava a confiança do patriotico governo do Estado, solidamente fundada nas experimentadas qualidades do distincto militar, evidenciadas atravez de uma vida cheia de serviços á causa publica.

Desde então começou o coronel Cypriano a pôr em pratica uma série de medidas, que se synthethisam n’um plano completo e maduramente concebido, ao qual se deve o magnífico estado em que se encontra a milícia estadual sob todos os pontos de vista.

Assim, propoz, obtendo immediata approvação, novos planos de uniformes e de arreiamento para officiaes e praças, sendo, em virtude dessa reforma, creado o uniforme de gala para officiaes e praças e adoptado elegante arreiamento para o serviço da cidade.

Creou o Conselho Administrativo da Brigada, extinguindo os dos corpos, com a grande vantagem de permittir ao Commando Geral não só o conhecimento perfeito do movimento administrativo de todos os elementos de que se compõe a milicia, mas também o emprego equitativo das economias em proveito de toda a força.

Por conta da Caixa da Brigada, construiu a Linha de Tiro, uma das melhores do Brazil, despendendo nesse serviço cerca de 70:000$000. A construcção foi iniciada em outubro de 1909 e terminada em novembro de 1910.

Na antiga Chacara das Bananeiras, em terrenos do Estado, onde se acha localisada a Linha, innumeros melhoramentos foram introduzidos, ahi vendo-se hoje o Picadeiro, construcção resistente e elegante, que veiu abrir nova phase de progresso à equitação no Rio Grande; o Deposito de Carruagens; o Paiol de Munição; o quartel dos recrutas; baias para grande numero de animaes; uma caixa d’agua donde se distribue agua encanada para os diversos edifícios; uma excelente estrada de rodagem, conduzindo  ao arroio Ferradura onde se fez uma represa e se acham as machinas precisas para sucção e elevação de agua que, canalisada, vae ter á caixa, quando a vertente que alimenta esta se torna insufficiente; extensas plantações de forragens e legumes, açudes e potreiros, divididos por cercas de moirões de pedra e arame farpado, que delimitam, assim, o terreno pertencente ao Estado; quatro casas occupadas por posteiros encarregados da vigilancia das cercas e dos animaes; outras casas ainda para os  officiaes  encarregados de auxiliar a instruccão, etc.

Levou a effeito o coronel Cypriano a conclusão do Quartel de Infantaria sito á Praia de Bellas, adaptando-o a dois corpos, e transformou em Quartel da Escolta Presidencial o edificio em que
funccionavam as officinas da Brigada, que foram transferidas para outro prédio, á rua Sete de Setembro, e cuja capacidade de produção foi melhorada.

Em consequencia dessas reformas, adaptou o Quartel de Infantaria do Crystal, localisado á margem esquerda do Guahyba, para o 1º Regimento de Cavallaria, então aquartelado em Gravatahy, onde se  achava mal alojado, estabelecendo nesse local um Posto de Veterinaria e uma boa officina de ferraria, especialmente para o fabrico de ferraduras, tudo sob a direcção de um alferes veterinário.  Remodelou a Invernada de Gravatahy, a fim de melhor corresponder ao seu objectivo.

Transformou a Enfermaria do Crystal, construiu o isolamento para moléstias infecto-contagiosas e realisou com as irmãs franciscanas o contracto para o serviço hospitalar.

Creou o logar de major chefe do serviço sanitario, adquiriu abundante e moderno material cirurgico, instituiu o Serviço de Padioleiros, importando da Europa e fazendo aqui construir numerosos modelos de padiolas para o serviço de guarnição e de campanha.

Adoptou perneiras para toda a tropa, substituiu o antigo equipamento e material de campanha muito deficiente, por outros de systema mais adiantado.

Substituiu a espadas dos officiaes por outras de formato mais elegante e mais leve, e as lanças antigas por modernas hastes de bambú.

Fez a acquisição de excellente material de sapa com que dotou a tropa de infantaria.

Modificando ainda uma vez o plano de uniformes com grande economia para os cofres do Estado, instituiu o uniforme de campanha, consequência das múltiplas manobras a que se entregou a força durante o seu comando.

Creou o Serviço de Signaleiros nos corpos, implantou a instrucção civica e moral, incrementou, o ensino litterario nas Escolas Regimentaes e da Brigada, encaminhou a officialidade na execução dos levantamentos topográficos expeditos.

Creou a Bibliotheca da Brigada, bem provida de escolhidas obras litterarias, scientificas e militares e inaugurou nos corpos as palestras militares semanaes.

Organisou a Banda de Musica da Brigada, creando o cargo de alferes inspector de todas as bandas.

Montou apparelhos completos de gymnastica em todos os quartéis e cinematographos nos da Praia de Bellas e do Crystal.

Passou para o Estado-Maior da Brigada o secretario, o ajudante de ordens e o adjunto do assistente do material.

Creou as secções dos serviços auxiliares, artífices, conductores, amanuenses e enfermeiros, e melhorou, uniformisando e simplificando, a escripturação dos corpos e repartições, augmentando assim o tempo disponível para os exercicios práticos e estudo correspondente.

Iniciou o provecto comandante geral da Brigada Militar as resoluções de themas tacticos, realizando grandes manobras em S. Leopoldo e proximidades de Canoas, nos Campos do Cortume, terrenos do Estado. Transformou estes em um excellente campo de manobras, ahi fazendo, as installações necessarias para o conforto e hygiene do pessoal e comunicações faceis e rapidas com a capital.

Em seu commando ainda creou e organizou-se o 2º Regimento de Cavallaria em Sant’Anna do Livramento, sendo de sua iniciativa a construção do confortável quartel onde está alojado esse corpo naquella cidade.

Jamais descurando do aperfeiçoamento tactico do pessoal e do aparelhamento necessário a maxima efficiencia da força, propoz a creação de um Grupo de Metralhadoras, o que se verificou
em 16 de novembro findo, e organizou-o em 6 de março do mez corrente, provendo-o de todo o
material o animaes necessários.

Desde os primordios do seu commando foi o coronel Cypriano efficazmente assistido por instructores vindos do exercito.

Systematisou os variados serviços administrativos, todo regulamentado.

Assim, deve-se-lhe a elaboração dos seguintes regulamentos: geral da brigada, do meio soldo, do Conselho Administrativo, do serviço interno e de guarnição, do serviço sanitário e de veterinária, penal, da Linha de Tiro, de continências, de exercícios de infantaria, de cavallaria, de metralhadoras, de gymnastica, esgrima de espada, lança e bayoneta, de signaleiros, do serviço de segurança, em marcha e em estação, de padioleiros, dos trabalhos de campanha, da ordenança de cometas e clarins.

O programma de instrucções, que mandou organizar pelos instructores, regulamentou, systhematizando todo o ensino militar pratico, individual e collectivo; e graças a esse programma, não existe hoje na Brigada Militar um só individuo que se não tivesse adestrado na instrucção do tiro e ainda uma só unidade que não houvesse executado divrrsas vezes o tiro collectivo.

Foi, finalmente, o coronel Cypriano Ferreira quem instuiu os prêmios individuaes e coIlectivos para os atiradores e unidades, creando ainda os distinctivos para aquelles.

Eis em traços rápidos, mas sobremodo eloquentes, o resultado da acção do coronel Cypriano durante o período relativamente curto de seis anos em que esteve à testa do comando geral da Brigada Militar do Estado.

Nada mais é preciso acrescentar a essa exposição simples das reforma porque passou a milícia estadual para aquilatar-se da extraordinária atividade da dedicação, da competencia do coronel Cypriano e de mais esse inestimável serviço que o digno militar prestou ao Rio Grande do Sul.

Passagem do comando

No quartel do Commando Geral effectuou-se hontem às 18 horas, a passagem do comando geral da Brigada Militar ao tenente-coronel Affonso Emilio Massot, mais antigo dos officiaes dessa graduação.

A’quella hora, estando presentes todos os officiaes da Brigada, em 2º uniforme e armados, chegava ao referido quartel o Coronel Cypriano.

Reunidos no salão nobre, o referido oficial, tomando a palavra, entregou o commando ao seu substituto, fazendo elogiosas referencias ao coronel Massot, como aos demais officiaes.

Em seu nome e em nome deste respondeu agradecendo o tenente-coronel Massot.

Em seguida, foram lidas pelo secretario, as seguintes ordens do dia:

Quartel do comando geral da Brigada Militar, em Porto Alegre, 30 de março de 1915.

ORDEM DO DIA Nº 30

Para conhecimento e devida execução, publico o seguinte:

ENTREGA DE COMMANDO

Tendo de retirar-me para o Rio de Janeiro, onde vou ocupar o cargo de chefe do serviço de Estado-maior no quartel da 3ª Divisão, passo nesta data o comando da Brigada Militar, na forma do regulamento, ao tenente-coronel Affonso Emilio Massot, comandante do 2º Batalhão.

Entregando hoje este comando que exerci por espaço de mais de 6 annos, lisongeia-me sobremodo o grau satisfactorio de instrucção e disciplina em que deixo a força militar do Rio Grande, que fica com seus múltiplos e variados serviços organizados e regulamentados.

Para esse resultado, que foi objecto de minha preocupação constante, muito contribuíram auxiliares dedicados que prestaram ao meu comando inestimável concurso, de conformidade com as atribuições e deveres impostos ás funções de cada um.

Assás desvanecido pelas demonstrações de affectuosa consideração á minha pessoa e referencia, não só ao estado actual da força, como á acção de meu comando por ocasião da visita de despedida que fiz aos corpos e repartições, envio a todos, chefes, officiaes e praças, um cordial abraço de despedida, fazendo votos pela felicidade e gloria da Brigada Militar.

(Assignado) Cypriano da Costa Ferreira, Coronel.

Quartel do Commando Geral da Brigada Militar, em Porto Alegre, 30 de março de 1915.

ORDEM DO DIA Nº 31

POSSE DE COMMANDO

Conforme fez público a Ordem do Dia nº 30, do sr. Coronel Dr. Cypriano da Costa Ferreira, deixa hoje este ilustre oficial do Exercito o comando da Brigada Militar do Estado, que é-me transmitido, em obediência ás prescrições do art. 9º, paragrapho único do regulamento em vigor.

Assumindo as elevadas funções deste posto, procurarei exercel-as distribuindo justiça e cumprindo fiel e lealmente as ordens emanadas do Exmo. Sr. Dr. Presidente do Estado.

(Assignado) Affonso Emilio Massot, Tenente-Coronel

Logo após a leitura das ordens do dia, tomou a palavra o capitão dr. Eurico de Oliveira Santos que, em nome dos officiaes do Estado-Maior, fez a entrega ao coronel Cypriano de um bronze representando “As conquistas do Homem”, acompanhado de um cartão de prata com os seguintes dizeres:

Ao eminente remodelador da Brigada Militar, coronel Cypriano da Costa Ferreira, lembrança dos officiaes que serviram no seu Estado-Maior. Março de 1915.”

Offerecendo um quadro com a fotografia da banda de música, falou o maestro, alferes Pedro Borges, que entregou também ao coronel Cypriano uma medalha de ouro, lembrança do pessoal da mesma banda.

Terminada a solenidade o coronel Cypriano retirou-se para sua residencia, sendo acompanhado pelo major Leopoldo Ayres de Vasconcelos.

Na parte externa do edifício achava-se postada a grande banda da Brigada Militar, que executou diversos trechos.

Outras notas

O tenente-coronel Affonso Emilio Massot poz á disposição do coronel Cypriano o seu ajudante de ordens, alferes Jorge Pellegrino Castiglione, que o acompanhou até o Rio Grande.

Por determinação do commandante-geral, a oficialidade da Brigada Militar, em uniforme 2º e armada, irá hoje ao Grande Hotel, de onde acompanhará o coronel Cypriano até o “Itapema”, a cujo bordo segue o ilustre militar.

Nas imediações do trapiche, formará, prestando as continências que tem direito aquelle oficial, o 1º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXII, edição 074, de 31/03/1915, quarta-feira, páginas 1 e 2 – *Mantida a grafia da época.

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Gratificação adicional de 25%, em 1917.

A Federação, no dia 30 de março de 1917, sexta-feira, noticiava:

Acto n. 20, de 30 de março de 1917.

Manda abonar ao capitão da Brigada Militar, Alfredo Weber, a gratificação especial da 4ª parte de seus vencimentos.

O presidente do Estado do Rio Grande do Sul, attendendo ao que requereu o capitão da Brigada Militar, Alfredo Weber, e á vista da informação da Secretaria da Fazenda n. 492, de 22 do corrente mez, resolve mandar abonar áquelle official, a contar de 27 de dezembro de 1916, em diante, a gratificarão especial da 4ª parte de seus vencimentos, na razão de um conto duzentos e trinta mil réis anualmente (1:230$000) a que tem direito, nos termos do § unico do artigo 1º do Decreto n. 209, do 9 de janeiro de 1899, por haver completado nesta ultima data, 25 annos de effectivo serviço.

O que se cumpra fazendo-se as necessárias communicações.

Palácio do Governo, em Porto Alegre, 30 de março de 1917.

A. A. Borges de Medeiros

Protasio Alves.

Fonte: A Federação, Anno XXXIV, Edição 075, de 30/03/1917, sexta-feira, página 5. *Mantida a grafia da época

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Comemoração pela passagem do 2º aniversário do comando do Coronel Afonso Emilio Massot, em 1917.

A Federação, no dia 30 de março de 1917, sexta-feira, noticiava:

 Festa Commemorativa

 A passagem do 2º anniversário do Commando Geral da Brigada Militar – Outras notas

Faz, hoje, dous annos que assumiu o commando geral da Brigada Militar o nosso amigo Tenente-Coronel Affonso Emilio Massot.

Para commemorar essa data reuniu-se a officialidade da força publica do Estado, no Quartel do Commmando Geral e, ao chegar aquelle official, foi-lhe feita carinhosa recepção.

Por essa occasião foi inaugurado no salão de honra, o seu retrato, como justa homenagem pelos serviços que á milícia estadual vem prestando com elevado tino.

Nesse acto foi interprete do sentir da collectividade o capitão José Gomes Ferreira.

Respondendo, o homenageado, num bello improviso, repassado de exhortações e conselhos salutares, agradeceu commovido a prova de apreço que lhe tributavam os seus commandados, aos quaes dirigiu palavras de affecto pelo auxilio que prestam á sua administração, especialmente os commandantes de corpos, chefes de repartições e instructores.

Falou em nome dos officiaes do Exercito que servem como instructores na Brigada Militar o Tenente Jayme da Costa Pereira, que saudou o commandante Massot pelo 2º annniversario do seu commando.

O capitão auditor dr. José G. Ferreira pronunciou  o seguinte discurso:

“Coube-me a honra de vos dirigir a palavra neste momento solene em que nos reunimos para prestar o preito do nosso respeito e estima, ao passar do segundo anno em que vindes effectivamente commandando esta Brigada.

Principiaremos, porém, por vir pedir desculpas de invadindo a vossa auctoridade termos resolvido fazer pender das paredes desta sala de honra a vossa photographia como um dos mais dignos officiaes desta Força.

Esperamos que nos  haveis de desculpar esta nossa ousadia incluindo-vos na nobre galeria, sem a vossa permissão, pois estavamos certo de que si  fossemos vos pedir licença para esta homenagem não permittireis que a prestássemos: a vossa reconhecida modéstia se opporia a esta e nós ficariamos privados de satisfazer este nosso desejo.

Pedimos-vos que respeiteis entre tanto esta nossa resolução.

Esta homenagem que vos prestamos não obedece os sentimentos subalternos: não tem ella o fim de nos tornarmos agradaveis, nem o de captarmos sympathias, nem o de nos impormos á vossa gratidão. Não, é ella filha do nosso reconhecimento; é o fructo da nossa consciência e o tributo das nossas convicções; é enfim em obediência ao impulso natural de prestar honra ao mérito.

O vosso passado é por assim dizer uma gloria militar; e dizemos gloria militar porque no periodo revolucionário revelastes qualidades taes que nos leva a esta affirmação: coragem, firmeza de animo, energia. Estas qualidades tantas vezes postas em relevo em varios encontros sanguinolentos durante a revolução de 93 a 95 mais se destacaram no memorável sitio de Bagé, em que estivestes sempre a postos, sem um momento de descanso, atendendo aqui e ali, onde mais acceso era o ataque inimigo, para instilar no animo de vossos commandados esse sentimento de que ereis dotado – lealdade e dedicação á Republica.

Não somos da opinião daqueles que mandam apagar o passado, esquecer os feitos militares praticados dentro do paiz, na sufocação de uma revolução, porque, dizem, é recordar o sangue patrício derramado.

É de lamentar, é certo, esse sangue patricio vertido em tantos combates. Mas o que fazer si elle foi o resultado de um choque de interesses ou de convicções?

Qualquer que fosse a origem dessa lucta de irmãos, cabia, sem duvida nenhuma, á Força Publica manter a autoridade civil legalmente constituída, para cuja defeza é creada; portanto sempre lhe advirá glória do cumprimento desse sagrado dever. O contrario seria si ensarilhasse armas nessa séria situação, não correndo em defeza do governo contra as hordas revolucionárias.

E infamemente seria a sua acção si só passasse sem resistencia para ella, pois commettia neste caso uma traição ao governo.

Não relembramos aqui esse passado com ufania, mas o relembramos apenas para patentear o valor e sacrifício daquelles que souberam cumprir bem o dever, defendendo com risco de vida o princípio da autoridade republicana.

Pois si é funesto se tornar a nação vassalo do paiz extrangeiro, não é menos funesto a anarchia ou demagogia nella implantada, porquanto si a força publica creada para defesa do paiz e garantia das autoridades legalmente constituídas não se apagasse ás ordas revolucionarias, as mais das vezes, agitadas por aventureiros, as revoluções seriam tão reorrentes que acabariam por estabelecer a anarchia e, em consequencia se daria o seu esphacellamento.

Portanto, qualquer que seja o serviço militar prestado, quer na defesa da personalidade nacional contra invasões de extrangeiros, quer na defesa das autoridades legalmente constituídas, base da ordem, progresso e garantia dos cidadãos em suas vidas e propriedades, é sempre nobre, e glorificador.

Em qualquer destes casos a Força Publica cumpre os seus sagrados deveres e por conseguinte são dignos de serem apreciados os seus serviços como prestados para o bem do Estado e reconhecidos aquelles que o prestaram com dedicação.

Pois bem, a vossa acção durante a revolução foi leal, dedicada e profícua á causa Republicana.

Agora vos está confiado o commando geral desta força e estamos  convencidos de que vos havereis como vos houvestes: não destoareis do passado.

Jamais encontrará o governo do Estado quem vos excedesse em valor, abnegação e leadade.

Da guerra viestes coberto de serviços á causa republicana, na paz vos tendes conservado firme nas vossas crenças políticas e isto já tivestes ensejo de provar em momentos criticos que não convém aqui citar.

A vossa competencia esta reconhecida, quer sob o ponto de vista intellectual quer sob o ponto de vista technico.

A vossa capacidade de comando se tem revelado clara e positivamente não só na guerra civil que já lá foi como na paz, fazendo marchar a força  no mesmo gráo de instrucção e disciplina em que marchava sob a direcção dos dignos officiaes do Exercito que a commandaram.

Tendes conservado dita força de boa harmonia com todos as forças armadas no Estado e impondo-se ao respeito e estima dos nossos concidadãos.

O serviço tem sido feito nas suas variedades com a maior presteza e dedicação de sempre, não havendo a mínima demonstração de desagrado, ao contrário a força se tem manifestado satisfeita sob o vosso digno commando, pois que vos tendes imposto a sua estima e respeito pelo modo porque a dirigis com energia e justiça. E dizemos com energia por isso que este modo de agir bem se distingue da violência, tantas vezes confundidos: a energia é o compellir de alguém á observancia do dever, ao passo que a violencia é o coagir de alguém á prática de actos fora da lei, obedecendo os caprichos do quem manda e que por isso irrita os caracteres bem formados.

Tendes vos havido com justiça porque sabeis reconhecer os méritos de cada um de vossos commandados, dispensando-lhes as compensações que merecem e com brandura encaminhar no cumprimento dos deveres civis e militares aquelles que porventura delles se tenham affastado, compellindo-os por meios suasorios ao bom proceder, ao mesmo tempo que sabeis agir de modo enérgico, pois, com aquelles que são refractarios a seguir as boas normas.

Zelaes, emfim, pelo bom nome de que gosa esta Força em que vindes servindo ha muitos annos, exgottando a vossa mocidade ao serviço do Estado, dando sempre exemplos nobilitantes aos vossos camaradas.

Sentimo-nos, pois, bem sob vosso commando, e neste momento em que reunidos para vos saudar, como saudamos a passagem do segundo annno de effectivo e proficiente comando, hypotecamos a nossa solidariedade para cumprir a árdua e honrosa missão que está confiada á Força Publica do Estado, para que sejamos dignos da confiança e consideração do governo do Estado e respeito de nossos patrícios.”

Fonte: A Federação, Anno XXXIV, Edição 075, de 30/03/1917, sexta-feira, página 2. *Mantida a grafia da época.

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Instrução de Natação na Brigada Militar, em 1914.

A Federação, no dia 29 de março de 1914, noticiava:

Exercicios na Brigada Militar

Dia 28

 No 1º Regimento de Cavallaria :

2º tempo – Revista de armamento e fardamento, nos esquadrões, pelos respectivos commandantes.

3º tempo – Natação pelos Sargentos e Cabos monitores.

No expediente houve uma palestra militar do commandante com os officiaes, versando sobre educação militar e deveres funccionaes.

 No 1º Batalhão de Infantaria:

7º dia da semana de exercicio.

Pessoal no quartel.

2º tempo – revista de armamento, equipamento e fardamento, nas companhias, pelos respectivos commandantes.

Pessoal na Linha de Tiro:

1º e 2º tempos – Tiro individual de carabina, para as praças, a 150, 250, 350 e 500 metros; avaliação de distancia; tiro do revolver para os officiaes, a 25 e 50 metros e tiro collectivo de ensaio para os pelotões a 500 metros. Marcha de regresso para o quartel.

Nos demais corpos, com excepção do que sahiu de guarnição, houve revistas de armamento, equipamento e fardamento.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 074, de 29/03/1914, domingo, página 7. *Mantida a grafia da época

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Palestra do Comandante do 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar, em 1914.

A Federação, no dia 29 de março de 1914, noticiava:

Palestra Militar
Reunindo seus officiaes, fez hontem sua primeira palestra militar no 1º Regimento de Cavallaria da Brigada Militar, cujo commando assumiu quinta-feira, o nosso amigo Tenente-Coronel Claudino Nunes Pereira, o qual tomou por thema a educação militar e os deveres funccionaes.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 074, de 29/03/1914, domingo, página 7. *Mantida a grafia da época

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – A instrução na Brigada Militar, em 1914.

A Federação, no dia 28 de março de 1914, sábado, noticiava:

Exercicios na Brigada Militar

Dia 27 – Sexta-feira

No 1º Regimento de Cavallaria:

1º Tempo – Gymnastica da 8ª série, esgrima de espada, manejo de fogo e marcha de 3 kilometros, pelo Alferes Apparicio Borges.

2º Tempo – 1ª parte (instrucção teórica): qualidades características do cavalo de guerra; 2ª parte (instrucção moral): sacrifícios pelo amor á Patria, exemplificação, pelos officiaes dos esquadrões, sob a fiscalização do Major Francisco Rath.

3º Tempo – Esquadrão (serviço de vedettas e exploradores) e marcha de 6 kilometros, pelo Alferes Barbosa.

No 1º Batalhão de Infantaria:

6º dia da semana de exercício.

Pessoal no quartel:

1º Tempo – Gymnastica da 3ª serie (arma e um braço), manejo d’arma e de fogo, voltas e conversões a 3 escolas e marcha de 3 kilometros, pelo Tenente Elias Gomes e pelo Alferes Firmino Rodrigues e Odorico Mendes.

2º Tempo – 1ª parte (instrucção teórica): “mascaras” e “cobertos”, sua utilização; 2ª parte (instrucção moral): respeito á Bandeira, d’onde a obrigação de sua continência, pelos subalternos das companhias, com a presença dos Capitães e fiscalização do Major Amadeu Massot.

3º Tempo – Companhia (serviço de sentinelas dobradas na rêde de segurança, constituição de um pequeno posto). Dobramento e desdobramento por esquadras e marcha de 5 kilometros pelo Capitão Adolpho Guedes de F. Menezes, auxiliado pelo Tenente Elias Gomes e Alferes Casimiro e Odorico.

Pessoal da Linha de Tiro:

1º Tempo – Tiro individual de carabina a 150, 250, 350 e 500 mestros; tiro de revólver, para officiaes, a 25 e 50 metros.

2º Tempo – Avaliação de distancias e saltos com deslocamento.

3º Tempo – Construcção rápida de trincheiras – abrigo por camaradas de combate, melhoramento dos perfis para os atiradores de joelho, servindo para abrigo e espera; preparação para o tiro á noite. Assalto á bayoneta fora das trincheiras e reconstituição das unidades por esquadras.

O exercício deste Tempo foi quase exclusivamente dirigido pelos Cabos chefes de esquadras, a cuja iniciativa foi ele entregue.

Os trabalhos correram com a máxima regularidade, tendo o instructor ahi presente, Capitão Anatolio Baeckel, felicitado vivamente os officiaes comandantes das companhias.

No 2º Batalhão de Infantaria:

1º Tempo – Gymnastica da 1ª serie (movimentos do tronco e das pernas)e manejo d’arma ao pessoal de folga, pelos inferiores, sob a inspeção do oficial de dia.

2º Tempo – Não houve, por estar o corpo de guarnição.

3º Tempo – Idem.

Das 15 ás 17 horas, regularização de cadencia para as bandas de musica e de corneteiros, pelo Capitão Francisco Varella, Ajudante.

No 3º Batalhão de Infantaria:

1º Tempo – Não houve, por ter sahido o corpo de guarnição.

2º Tempo – 1ª Parte (instrucção teórica): vozes de comando no tiro collectivo por descargas, sua influencia sobre os resultados; 2ª Parte (instrucção moral): a Bandeira e a Patria, lances heroicos, pelos subalternos das companhias, com a assistência e sob a fiscalização do Major Leopoldo Ayres de Vasconcellos.

3º Tempo – Escola de signaleiros a 8 grupos, por 5 subalternos e 3 inferioires. Emprego de 1 e 2 bandeirolas.

Das 17 ás 19 horas – regularização de cadencia para as bandas de musica e de corneteiros, exercício dado pelo Capitão Ajudante, David do Amaral.

Na Escolta Presidencial:

1º Tempo – Gymnastica da 1ª serie e esgrima de lança.

2º Tempo – 1ª Parte (instrucção teórica): nomenclatura da lança; 2ª Parte (instrucção moral): deveres para com o Estado e os cidadãos.

3º Tempo – Escola de Esquadrão (evolução e carga) pelo comandante Lourenço Galant.

Na Força da Chefatura:

Instrucção moral: deveres para com os cidadãos.

Na Invernada do Gravatahy:

Força acantonada (recrutas)

Desde 26 (quinta-feira), á tarde, acha-se acantonada nos prédios do Estado, na Invernada do Gravatahy, um esquadrão e uma companhia composta do pessoal recruta do Deposito, sob o comando do Tenente Cicero Perfeito Ferreira, auxiliado pelos Alferes Innocencio e Vasques.

Os exercícios realizados até agora constaram de uma marcha de guerra, serviços de sentinelas dobradas, vedettas, patrulhas, postos á cossaca e pequenos postos.

Seguir-se-ão exercícios de combate na defensiva , na ofensiva, na construção de trincheiras, etc.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 073, de 28/03/1914, sábado, página 6. *Mantida a grafia da época.

 

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar realiza instrução de tiro coletivo, em 1914.

A Federação, no dia 27 de março de 1914, sexta-feira, noticiava:

Tiro collectivo do 1º período, na Brigada Militar

Os batalhões da Brigada que concorrerão ao tiro collectivo na proxima semana deverão entrar em prova na seguinte ordem:

2º batalhão — segunda-feira
1º batalhão — terça-feira
3º batalhão — quarta-feira.

A Escolta Presidencial fará um tiro collectivo de ensaio quinta ou sexta-feira.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 072, de 27/03/1914, sexta-feira, página 1. *Mantida a grafia da época

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Criação de Guarda Municipal em Santo Ângelo, em 1913.

A Federação, no dia 27 de março de 1914, sexta-feira, noticiava:

Relatorios Municipaes – Santo Angelo

Recebemos o relatorio apresentado pelo nosso amigo coronel Braulio de Oliveira, ao Conselho Municipal em 20 de julho de 1913.

GUARDA MUNICIPAL

Tendo sido retirado o destacamento da Brigada Militar foi organisada a guarda composta de 5 praças e 1 sargento, percebendo as praças 50$000 e o sargento 60$000 mensaes.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 072, de 27/03/1914, sexta-feira, página 1. *Mantida a grafia da época

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Acampamento de Instrução para Recrutas da Brigada Militar, em 1914.

A Federação, no dia 27 de março de 1914, sexta-feira, noticiava:

Recrutas da Brigada Militar

Logo que o tempo se firme, o pessoal recrutado da Brigada Militar, formando unidades correspondentes á companhia e esquadrão, irá, sob o commando do diretor do Deposito, Tenente Cícero Ferreira, acampar durante 15 ou 20 dias no campo do Cortume em Gravatahy, ahi devendo receber instrucção dos diversos serviços de campanha.

É possivel que no mesmo local se effectue o exame de instrucção dos Recrutas, segundo exige o actual programma de exercício da Brigada Militar.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 072, de 27/03/1914, sexta-feira, página 5. *Mantida a grafia da época

Atual instalações da Academia de Polícia Militar

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Prisão de cidadão expulso da Brigada Militar, em 1914.

A Federação, no dia 27 de março de 1914, sexta-feira, noticiava:

 Prisão

Ao Major Hercules Limeira, delegado do 3º districto, foi apresentado, ante-hontem, o preso Fulano de Tal*, que foi excluído da Brigada Militar.

Fonte: A Federação, Anno XXXI, Edição 072, de 27/03/1914, sexta-feira, página 5. *Mantida a grafia da época

**Omitido o nome