A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Reforma no Serviço Policial do Estado do Rio Grande do Sul – em 1913.

O Correio do Povo no dia 16 de fevereiro de 1913, domingo, noticiava:

DIVERSAS
Força estadual – Como se sabe, o governo do Estado acaba de começar a reforma do serviço policial. Por essa reforma, cada municipio terá 50 praças, sendo auxiliado na manutenção de tal serviço, pelo governo do Estado, que poderá, em caso de necessidade, mobilisar essas forças.
Por outro lado, foi creado mais um corpo da Brigada Militar*. Segundo ouvimos dizer, o governo pretende, com essas medidas, poder dispor, em qualquer emergencia, de cerca de 7.000 homens em armas, sendo 2.000 da Brigada Militar e 5.000 das forças policiais dos 69 municípios em que se divide o Estado. Realisado este plano, o Rio Grande do Sul ficará equiparado ao Estado de S. Paulo, em matéria de força publica.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo” – Mantida a grafia da época.

*Em 04 de fevereiro de 1913, com a edição do Decreto nº 1.931, foi o criado o 2º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar. (Esboço Histórico da Brigada Miliar, vol I, Capítulo XIII, pag. 433)

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Instruções para o Serviço de Padioleiros – Parte I

A Federação, no dia 15 de fevereiro de 1914, domingo, noticiava:

BRIGADA MILITAR

Instrucções para o serviço de padioleiros – Parte I

Instrucções para o serviço de padioleiros, em manobras e em campanha, na Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul, contendo breves noções sobre os primeiros soccorros, prestados a feridos e doentes.

Este trabalho foi elaborado pelo capitão medico da Brigada – dr.  Armando Bello Barbedo – por determinação do sr. coronel dr. Cypriano da Costa Ferreira, commandante geral da Brigada Militar.

PREFACIO

Quem primeiro teve a honra de pensar na formação de um corpo de padioleiros foi o dr. Percy, um dos veteranos da cirurgia militar francesa, tendo seu util projecto um começo apenas de execução em sua pátria.

Outros países, pelo contrario, adoptaram logo sua feliz idéa e organizaram essa excellente e util formação militar, á qual deram um cunho de perfeição igual ao de outros serviços technicos, depois de haverem obtido na experiencia uma completa e cabal demonstração de suas vantagens.

Ha muito tempo que todos os exércitos de paizes adeantados possuem o serviço de padioleiros perfeitamente constituído; o da França só o teve mais tarde, em 1879, graças ao general Gresley, seu ministro da guerra nesse tempo, que determinou sua creação.

Os dados historicos supra-citados foram referidos pelo dr. E. Delorme, distincto professor da Escola de Applicação de Medicina Militar de Val-de-Grace, a quem deve bellas licções a technica desse ramo de serviço sanitario; elle salienta suas vantagens militares e humanitarias, na guerra, com exultação patriótica digna de louvor.

Entre ellas, destaca-se as seguintes

1ª – O serviço especial de padioleiros evita a pratica antiga de serem os feridos e doentes retirados do combate pelos próprios camaradas combatentes, o que tinha o grande inconveniente de desfalcar a tropa de seus elementos essenciaes de acção, por tempo indeterminado e ás vezes longo.

2ª – A perspectiva em que se acha o combatente de receber, quando ferido, um soccorro prompto e seguro, prestado por profissionaes competentemente habilitados, capazes de não deixal-o exposto a novo ferimento ou á morte, augmenta poderosamente sua coragem o da-lhe maior fimesa na lucta.

3ª – Finalmente, os preciosos resultados práticos, que emanam dos meios de transporte adequados e primeiros cuidados – tudo feito por pessoal competente e préviamente exercitado na technica respectiva – são evidentes e salvam innumeras vidas de servidores da Pátria, evitando mesmo a aggravação de muitos feridos, bem assim o conjunto de dores e sofrimentos horriveis, tão communs, quando o soccorro e transporte são ministrados por pessoal sem pratica.

Como se vê, é de incontestável utilidade na guerra o serviço de padioleiros bem organizado; além do seu elevado alcance moral, inspirando ao combatente a salutar confiança na solicitude e dedicação dos primeiros cuidados e curativos, traz sempre real vantagem no tratamento dos feridos, por isso que contribue, pelo transporte cuidadosamente feito e pelos primeiros soccorros intelligentemente executados, para a obtenção de bons resultados cirúrgicos, que muitas vezes disto só dependem.

O padioleiro, habilmente instruído nos misteres de sua nobre e siympathica missão, é mesmo um precioso auxiliar do medico, facilitando-lhe a acção e substituindo-o em muitas emergencias em que tiram todas as vantagens de sua iniciativa, quando bem ponderada e criteriosa.

Sendo o presente regulamento uma coordenação de regras e preceitos relativos a um serviço technico de saúde, é claro que os defeitos e lacunas, que porventura contenha, poderão ser melhor observados na sua applicação pratica, dando lograr a modificações opportunas.

Dr. Armando Bello Barbedo
Capitão Medico

Preliminares

Padioleiros – são praças destinadas especialmente a recolher e retirar do campo de combate os enfermos e os feridos, prestando-lhes os primeiros soccorros e curativos. Portanto, devem ser inteligentes, dedicados, caritativos e pacientes, além de robustos e ágeis, possuindo coragem passiva em alto grau e perfeita disciplina, visto terem de operar por si, independentemente das vistas de seus superiores.

O Padioleiro – deve conhecer perfeitamente a appIicação technica dos soccorros de urgência medico-cirurgicos, sabendo tirar vantagens dos meios improvisados, utilisando-se das peças de fardamento, armamento e equipamento. Tendo os padioleiros a nobre missão de retirar os feridos ou enfermos da linha de fogo, afrontando-a com presença de espírito e coragem, para condusil-os ao respectivo Posto de Soccorro, que deve estar installado ao abrigo das balas, é conveniente que o serviço de transporte seja feito pelo menor numero possível de padioleiros, em cada avanço para o campo de acção, sempre alternadamente, procurando abrigar-se do fogo inimigo, escondendo-se em obstaculos encontrados no caminho e nas irregularidades do terreno, bem assim procurando occultar do inimigo qualquer utensílio que possa chamar-lhe a attenção para as pontarias.

É também de vantagem não avançar para a linha de fogo, quando elle fôr intenso, e sim approveitar as suas interrupções, as mudanças de direcção, recuos e avanços da linha de atiradores, não perdendo ensejo para colher os feridos ou os enfermos, fugindo sempre das
zonas perigosas.

Dado o caso de serem os padioleiros obrigados a parar com os socorridos no trajecto para o Posto, devem procurar brigar-se e aproveitar, o tempo de parada prestando ahi mesmo os socorros de urgência a seu alcance, deixando-os em lugar seguro e voltando a conduzir outros feridos ou enfermos. Quando trabalharem á noute e defronte das posições inimigas, devem limitar-se ao uso cuidadoso de suas lanternas e nunca accender phosphoros, nem fumar, para não serem descobertos pelo inimigo.

Esse serviço será mais perfeito, com o uso da lanterna do dr. Barthier e professor Gossart, da Faculdade de Sciencias de Bordeaux, a qual tem o fóco luminoso invisivel para o inimigo, não podendo, assim, servir-lhe de alvo o padioleiro que a conduzir. Foi Ella  experimentada com o melhor exito em 1906, nas manobras do serviço de saúde de Toulouse e em 1907 nas do serviço de saúde de Bordeaux.

As regras acima são dispensáveis toda a vez que o serviço de padioleiros seja executado durante os armistícios.

O serviço de padioleiros de toda a Brigada Militar será feito pelos músicos de cada corpo, substituídos ou auxiliados, quando necessário, pelos enfermeiros ou ainda, de accordo com as neccessidades de occasião, por praças arregimentadas, escolhidas, de preferência entre as que já tenham pertencido ao serviço de saúde ou possuam os predicados acima referidos. A direcção geral do serviço compete ao official de saúde chefe em serviço.

N’um batalhão, operando isolado, o serviço de padioleiro será feito pela respectiva secção, que installará o seu Posto de Socorro. (Na Russia, os Postos de Soccorros, durante a guerra com o Japão, eram installados á distancia de dous mil metros da linha de fogo, como refere Follenfant, distância que julgo mais garantidora do que a commumente adoptada.

O 1º e 2º regimentos de cavallaria, por não terem actualmente bandas de musica, darão quatro praças idôneas, por esquadrão, a fim de receberem, no respectivo quartel, a instrucção de padioleiros, que os habilitará a prestar auxilio nesse serviço, nas formaturas geraes, quando for necessário e possível.

No systema prussiano e russo é isto applicado a todos os corpos, além de existir o quadro especial do serviço de padioleiros.

Os recrutas receberão no respectivo depósito a instrucção de padioleiros, ficando assim habilitados, para quando forem arregimentados.

O medico do deposito de recrutas enviará, trimestralmente, ao major chefe do serviço sanitário, uma relação nominal dos recrutas que tenham mostrado melhor aptidão para o serviço de padioleiros, a fim de, nos casos especiaes, mais facilmente serem escolhidos para esse serviço.

O mesmo requisitará, pelos meios legaes, o numero de padiolas indispensavel para a instrucção, de accôrdo com o pessoal existente.

Os padioleiros de cada corpo formarão a sua secção de padioleiros e o serviço geral de padioleiros da Brigada fica constituído por essas secções.

As padiolas são conduzidas em um carro especial, sob a guarda do respectivo conductor, que fará parte da secção de conductores.

A banda de música, quando apresentada para o serviço de padioleiros, não levará consigo o seu instrumental e estará desarmada.

A instrucção de padioleiros será dada em cada corpo pelo respectivo medico, no mínimo uma vez por mez e constará de ensino theorico e exercícios práticos. A essa instrucção assistirá o ajudante do corpo.

Os padioleiros, que em campanha, quer em manobras, terão o distinctivo de uma faixa branca, de linho, com 10 centimetros de largura, tendo no centro uma cruz vermelha, de panno garauce. Esta faixa será presa com alfinetes de segurança, em acto de serviço, na parte media do braço esquerdo, ficando a cruz voltada para o mesmo lado e tendo os extremos unidos por dous colchetes de pressão. Os officiaes usarão uma faixa idêntica e no mesmo braço, porém de flanella branca.

A conservação do material destinado ao serviço de padioleiros (bolsas, mantarias, padiolas, cantis, pacotes de curativos individuaes, pelota de Esmarch, lanternas, bussola, etc.) fica sob as vistas dos ajudantes dos corpos ou do alferes inspector da musica no que se referir à Banda da Brigada, os quaes providenciarão sobre os reparos necessários, mediante ordem da autoridade superior a quem darão parte, por escripto, das occurrencias nesse sentido.

Quanto á quantidade do referido material para o funccionamento regular desse ramo do serviço de saúde, deve ficar no critério do coronel Commandante Geral da Brigada, de accôrdo com a indicação major chefe do serviço sanitário, tendo em vista as peças sobrecelentes que, porventura, seja conveniente conservar em deposito.

Deve possuir cada corpo quatro padiolas (uma por companhia ou esquadrão), numero esse indispensável para a instrucção.

Quando formadas mais de uma secção, ou todas, o commando dellas será dado ao sargento de saúde mais antigo que se achar na formatura, o qual distribuirá o pessoal, conforme as ordens emanadas do respectivo official de saúde, em serviço.

A padiola, conduzindo ferido ou enfermo, será levada por dous padioleiros, quando a distancia a percorrer for pequena, em terreno plano e sem obstáculos a vencer; no caso contrario, a conduzirão os quatro padioleiros que a guarnecem.

(Continua)

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXI, edição 039, de 15/02/1914, página 7 – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Bandas de Música da Brigada Militar – em 1914

A Federação, no dia 13 de fevereiro de 1914, sexta-feira, noticiava:

Ensaio geral

Hontem, á noite, realizou-se na “Villa Diamella” o ensaio geral do poema épico intitulado “24 de Maio”, composição do alferes Pedro Borges, maestro das bandas de musica da Brigada Militar.

No referido ensaio tomaram parte as bandas de musica, cornetas e tambores daquella milícia.
O poema agradou muito, sendo o maestro Pedro Borges felicitado pelo grande número de pessoas que assistiram ao ensaio.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXI, edição 035, de 11/02/1914, página 5 – *mantida a grafia da época

A BRIGADA HÁ UM SÉCULO … – Requerimento despachado pelo Comandante-Geral (em 1914).

A Federação, no dia 06 de fevereiro de 1914, sexta-feira, noticiava:

Requerimento despachado

O coronel commandante geral da Brigada Militar despachou o seguinte requerimento:

José Lomando – O requerente descarregou lenha no trapiche do quartel de infantaria, á Praia de Bellas, com permissão verbal do commandante do segundo batalhão sob condição de retiral-a mais prompto possível para não prejudicar o serviço dos corpos pelo citado trapiche.

Feita a descarga, o requerente não tratou de collocar uma pessoa ali para cuidar a lenha, visto ser completamente aberto o trapiche que, além disso, naquella occasião, achava-se em ruínas.

Indo tempo depois retiral-a não o fez por ter encontrado somente quinze talhas conforme allegou.

E como as dezesseis talhas utilizadas pelo terceiro batalhão por conta do fornecedor da força e do requerente, Alfredo Pereira dos Santos, foram pagas ao dito fornecedor, segundo informação do commandante do citado corpo, não cabe á Brigada responsabilidade alguma pelas faltas que reclama; portanto indefiro a presente petição.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXI, edição 031, de 06/02/1914, página 3 – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Vencimentos atrasados (em 1909).

Correio do Povo do dia 6 de fevereiro de 1909 noticiava:

Falta de pagamento – Há dois mezes que o 1º regimento e os 2º e 3º batalhões da brigada militar não recebem os seus vencimentos.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo” – Mantida a grafia da época.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Inauguração do quartel do 2º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar.

A imagem destacada nas postagens relativas ao mês de fevereiro é da parte frontal do Quartel do 2º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar, hoje 2º Regimento de Polícia Montada (2º RPMon), inaugurado em 15 de outubro de 1921.

A seguir, reproduzimos os registros referentes à inauguração do prédio:

INAUGURAÇÃO DO QUARTEL DO 2º REGIMENTO DE CAVALARIA DA BRIGADA MILITAR

“… A 15 de outubro, foi inaugurado em Santana do Livramento o quartel do 2º Regimento de Cavalaria.

Esta unidade, creada em 1913, ocupava desde então uma chacara, adquirida pelo Estado, nas imediações da cidade localizando-se a administração em uma velha casinha e os esquadrões e demais repartições em galpões de madeira, de acomodações precarias.

O quartel, inaugurado naquela data, teve sua construção iniciada pouco depois da organização do regimento, mas os trabalhos decorreram morosamente, algumas vezes interrompidos por largos espaços de tempo, devido à falta de verba…

Para o efetivo do regimento, então de pouco mais de 300 homens, com regular numero destacado, tinha o quartel acomodações suficientes; hoje, porem, torna-se acanhado, não obstante modificações que lhe tem sido introduzidas, pelos operosos e dedicados comandantes que tem tido e custeadas pelas respectivas economias.

A solenidade de inauguração, a que se seguiram outras festividades, foi assistida pelo Comandante Geral, por autoridades federais, estaduais e municipais brasileiras e, tambem por autoridades uruguaias da visinha cidade de Rivera, especialmente convidadas, sendo lavrada a seguinte ata:

Aos quinze dias do mês de outubro do ano de mil novecentos e vinte e um, na cidade de Santana do Livramento, presentes os senhores coronel Afonso Emilio Massot, Comandante Geral da Brigada Militar, tenente coronel Juvencio Maximiliano de Lemos, intendente municipal, doutor João Pinto Martins de Oliveira, Juiz da comarca, tenente coronel José Ricardo de Abreu Salgado, comandante do setimo regimento de cavalaria do Exercito Nacional, D. Miguel Gil chefe de policia de Rivera, major Clemente Pereyra, do Exercito Uruguaio, oficial primeiro da Chefatura de Policia de Rivera, oficiais do sétimo regimento de cavalaria do Exercito Nacional, autoridades federais, estaduais e municipais e mais o senhor tenente coronel Augusto Januario Corrêa, comandante do segundo regimento de cavalaria, e respectiva oficialidade; o senhor coronel Comandante Geral declarou que, comemorando o vigessimo nono aniversario da creação da Brigada Militar, que hoje se passa, ia colocar no novo quartel construido para este regimento, uma placa assinalando a época da conclusão das obras, convidando para faze-lo os senhores tenente coronel Juvencio Maximiliano de Lemos intendente municipal, doutor João Pinto Martins de Oliveira, juiz de comarca, tenente coronel José Ricardo de Abreu Salgado, comandante do Sétimo Regimento de Cavalaria, e D. Miguel Gil chefe de policia de Rivera; em seguida estas autoridades deram as primeiras batidas na placa que foi colocada à direita do saguão de entrada do quartel, vendo-se nela gravados os seguintes dizeres: — “Brigada Militar. Quartel do 2º Regimento de Cavalaria — concluido em outubro de 1921”, tendo ao centro as armas do Estado. Novamente usou da palavra o senhor coronel Comandante Geral que se congratulou com o senhor intendente municipal, tenente coronel Juvencio Maximiliano de Lemos, pelo melhoramento que recebia o prospero municipio de Livramento, com a obra mandada executar pelo benemerito governo do Estado e, finalmente, agradeceu a sua honrosa presença e das demais autoridades e pessoas que se dignaram comparecer ao ato. E, nada mais havendo a tratar, mandou o senhor coronel Comandante Geral lavrar esta ata, que vai assinada pelos presentes, e por mim Agenor Barcelos Feio, ajudante de ordens, que a escrevi. Coronel Afonso Emilio Massot, Juvencio Maximiliano de Lemos, João Pinto Martins de Oliveira, juiz de comarca. Tenente coronel José Ricardo de Abreu Salgado, Miguel Gil, Clemente Pereira, Adolfo Rodrigues de Mesquita, major do 7º R.C.I., João Manoel de Campos e Souza, Luiz Carlos de Morais, capitão do 7º R.C.I., Daciano Gomes Dias, Artur Lara Ulrich, Hugolino C. de Andrade Farias, Bento Maciel, Moisés Pereira Viana, Silvino Pilar, Dr. Otacilio Guterres, D. E. R. Lemos, Arlindo Costa. Dr. Adalgiso Ferreira de Sousa, Miguel da Cunha Sobrinho, Horacio da Cunha Vargas, Dr. Amadeu Amancio de Lemos, Dr. Angelo Pinheiro Machado, Miguel Jeronimo Caceres, Arnaldo Barão da Silva, Capitão Severino Guimarães, Delegado de Policia, Marçal de Campos e Souza, Manoel Pedroso de Almeida, J. B. Barreto Leite, Tupi da Cunha, Francisco Rodrigues, João C. Paiva, Gomez Cabello, Dr A. Pavão Martins, Luiz Mar Russo, G. Paulo Felizardo, Juan Bellime, Dr. Gabriel Pastor, Alceu Wamosi, Guilherme Dias Filho, Ricardo Etchapare, Antenor Fernandes, Galileo Queiroz, Tenente Coronel Augusto Januario Corrêa, Major Davi José do Amaral, Capitão Sebastião de Barros Sobrinho, Capitão Artur Gomes Mariante, Capitão Mirandolino Machado, Capitão Laudelino da Silva, Alferes João Orça Rolim, Capitão Anibal Garcia Barão, Alferes Aldo Ladeira Ribeiro, Alferes João Francisco Gonçalves, Alferes Angelo Mélo, José Belem, Alferes Agenor Barcelos Feio.”

Embora inaugurado a 15 de outubro, o Regimento só poude ocupar o quartel em fins de março do ano seguinte, após o recebimento das obras pela Secretaria das Obras Publicas e respectivo exame, pelos técnicos da mesma repartição.

Fonte: Esboço Histórico da Brigada Militar – Volume II (Agosto de 1918 a Setembro de 1930), Organizado pelo Coronel Aldo Ladeira Ribeiro – Editado em 1953, páginas 19 a 21.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Criação do 2º Regimento de Cavalaria, em Santana do Livramento.

A JUSTIFICATIVA PARA A CRIAÇÃO DO 2º REGIMENTO DE CAVALARIA

(Esboço Histórico da Brigada Militar, Volume I, páginas 432 e 433)

” … O acréscimo exuberante da população, amplo engrandecimento do trabalho, gerando todos os dias a criação de novos estabelecimentos, de sociedades e companhias comerciais, sob moldes mais modernos, liberais e adiantados; a pecuária inteligente, experimentando as raças e processos de cruzamento mais remuneradores e adaptáveis às diversas regiões do Rio Grande, cada uma com as suas pastagens especiais; o ressurgimento intensificado da agricultura, semeando o trigo que era outrora a fartura dos nossos avós, e enchendo as várzeas de arrozais imensos, auxiliada pelos maquinismos que, rápidos, esboroam, preparam e revolvem profundamente a terra, e lhe fazem ostentar, orgulhosa e linda, na superfície, e áurea, alegre e abundante seara; as indústrias rendosas, produzindo com a matéria prima nacional, os variados e excelentes tecidos, calçados ótimos e baratos e outros mil artefatos preciosos; o solo carbonífero, permitindo arrancar de suas entranhas pejadas de riquezas o ouro negro do combustível, que constitui a mais segura garantia de prosperidade material dos povos – tudo isso e o mais que omitimos, por não comportar este livro longas distrações para outros assuntos – exige da administração pública vigilância e cuidados incessantes, a que a ordem jamais se altere e venha prejudicar o nosso surto econômico tão promissor.

A nossa população que hoje se poderá estimar em perto de dois milhões, espalhados por todo o Estado, impõe ao governo a medida paralela e correspondente de ir gradualmente elevando o número da força pública, que se não poderia conservar com o mesmo efetivo da
organização, em 15 de outubro de 1892.

A fronteira é vasta e propicia aos crimes rurais, contando os delinquentes com asilo tranquilo e seguro nas republicas vizinhas.

Do que vimos dizendo, decorreu a organização do 2º Regimento de Cavalaria, em Santana do Livramento, onde se acha aquartelado, e de cujo lugar pode atender com presteza e eficácia ao policiamento da fronteira, aberta e estimuladora dos crimes.

Em geral, as guardas municipais são insuficientes pelo número, instrução e disciplina, para que atuem ultimamente, como lhes cumpre, na prevenção dos delitos. … ”

 

Publicamos, a seguir, as ordens do dia que dão conta da criação e organização do 2º  Regimento.

“Quartel do Comando Geral da Brigada Militar em Porto Alegre, 10 de fevereiro de 1913.

ORDEM DO DIA Nº 359
Para conhecimento e devida execução, publico o seguinte:

SEGUNDO REGIMENTO DE CAVALARIA

Por oficio nº 84 do corrente, comunicou a Secretaria do Interior, que, à vista da proposta deste Comando, foi por Decreto Nº 1.931[1], da mesma data, criado um Regimento de Cavalaria, do serviço ativo desta força, com a denominação de Segundo e a organização do Primeiro.

A ORGANIZAÇÃO DO SEGUNDO REGIMENTO

POSTO/GRADUAÇÃO

QUANTIDADE

Tenente-Coronel 01
Major 01
Major 01
Capitão Médico 01
Alferes 01
Alferes 01
Capitão 04
Tenente 04
Alferes 10
Sargento-Ajudante 01
Sargento Quartel-Mestre 01
Mestre de Música 01
Clarim-mór 01
Músicos de 1ª Classe 08
Músicos de 2ª Classe 08
Músicos de 3ª Classe 04
1º Sargentos 04
2º Sargentos 16
Furriéis 04
Cabos 32
Soldados 304
Clarins 09
Tambores 02
TOTAL 419

 

NOMEAÇÕES

Conforme comunicação da Secretaria do Interior, por oficio nº 400, de 7 do corrente, foram feitas, por titulo da mesma data, as seguintes nomeações para o 2º Regimento de Cavalaria que deve ser organizado em Santana do Livramento:

– Tenente-coronel Comandante, o major do 1º Batalhão de Infantaria Juvêcio Maximiliano Lemos;

Major Fiscal, o Capitão do 1º Regimento de Cavalaria, Francisco Rath;

Ajudante, o Capitão do 1º Batalhão de Infantaria, João Francisco Elgues;

Comandantes de Esquadrão:

– do 1º, o Capitão do 2º Batalhão de infantaria, Parmenio dos Santos Abreu;

–  do 2º, o Capitão do 1º Batalhão de Infantaria, Cassio Brum Pereira;

– do 3º, o Tenente do 1º Regimento de Cavalaria, Henrique José dos Santos;

– do 4º, o Tenente do 3º Batalhão de Infantaria, Olimpio Souto;

para tenentes:

–  o tenente do 3º Batalhão de Infantaria, Jaime Francisco Rasteiro;

– os alferes do mesmo batalhão, José Flores da Silva e João da Cruz;

– o alferes do 1º Regimento de Cavalaria, Inocencio José de Farias;

para os postos de alferes:

– os sargentos ajudantes Julio Soares da Fonseca, João Pinto Guimarães e Laudelino da Silva;

– os 1º sargentos Cassiano Vasques, Leoncio Alves da Costa Freire e amanuense Mario Silveira;

– os 2º Sargentos Francisco Rodrigues Ribeiro, João Delfino Maicá, Álvaro de Aguiar Rita e Secundino Paz de Oliveira.

– os sargentos quartéis-mestres Julio José Beckhausen, Jorge Pelegrino Castiglione e Cristalino Pedro Fagundes;

– os 1º Sargentos Alcides de Oliveira Credideu, Afonso Pereira da Rocha Filho e Diogenes Brasiliense Pinheiro;

– os 2º Sargentos Brito Francisco de Lima e Tito Ribeiro.

Comando do 1º Regimento de Cavalaria

É nomeado para exercer interinamente o comando do 1º Regimento de Cavalaria o major do 2º, da mesma arma, Francisco Rath. – Cipriano da Costa Ferreira, coronel.”

 

“Quartel do Comando Geral da Brigada Militar do Estado, em Porto Alegre, 22 de fevereiro de 1913.

ORDEM DO DIA Nº 368

Para conhecimento e devida execução publico o seguinte:

Organização do 2º Regimento de Cavalaria

(Esboço Histórico da Brigada Militar, Volume I, páginas 434 e 435)

Conforme instruções deste comando, foi organizado em Santana do Livramento, a 21 do corrente, sob o comando do tenente-coronel Juvencio Maximiliano Lemos, o 2º Regimento de Cavalaria do serviço ativo desta Brigada, criado pelo Decreto nº 1.931, de 4 do corrente, o qual aquartelará naquela cidade, até definitiva deliberação do governo.

Cipriano da Costa Ferreira, coronel.”

Fonte: Esboço Histórico da Brigada Militar – Volume I (Janeiro de 1890 a Julho de 1918), Organizado pelo Major Miguel Pereira, Editado em 1950, páginas 432 a 435 .

[1] Decreto nº 1.931, de 04 de fevereiro de 1913.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – A logística, em 1917.

A Federação, no dia 02 de fevereiro de 1917, sexta-feira, noticiava:

Assistencia do Material da Brigada Militar

– O capitão Arlindo Franklin Barbosa, assistente do material da Brigada Militar, recebeu, hoje, no Thesouro do Estado a quantia de 12:356$666 para pagamento dos vencimentos dos officiaes do Estado-Maior, e 1:800$000 idem dos da Escolta Presidencial relativos ao mez findo.

– Convenientemente concertados nas officinas da Brigada, foram entregues: ao Deposito de Recrutas, 2 carroças de 4 rodas; ao Posto de Veterinaria, 1 dita; ao 3º Batalhão de Infantaria, 6 carabinas Mauzer e 1 carrinho de 2 rodas.

– O alferes commandante do destacamento do 2º Batalhão de Infantaria, no povoado do Picão, em Rocca Salles, communicou que recebeu, por intermedio da casa comercial dos srs. Fava & Toqui, a quantia de 2:329$300, liquido dos seus vencimemos e das praças do mesmo destacamento relativos ao mez de dezembro findo, de sua gratificação e das ditas praças relativa ao mez de novembro findo, tendo feito os respectivos pagamentos, sem novidade.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIV, edição 029, de 02/02/1917, sexta-feira, página 4

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Exercícios na Brigada Militar – Ajustes no planejamento.

A Federação, no dia 01 de fevereiro de 1917, quinta-feira, noticiava:

Exercícios na Brigada Militar

Emquanto concorrerem todos os corpos no serviço de guarnição não podendo entrarem em semana de exercícios, o tiro individual correspondente á 2ª Parte do 1º Período, será feito na machina Sub-target, instalada no Quartel de Infantaria.

Esses exercicios serão effectuados no 3º Tempo, e nos dias em que o corpo encontrar de guarnição, exceto no sabbado, pelo pessoal de folga e empregados, formando uma escola nunca superior a um pelotão.

O 2º Batalhão fará seu exercício nos dias destinados ao 3º Batalhão e a Escolta Presidencial nos que forem destinados ao 1º Batalhão.

O 3º Tempo dos sabbados fica reservado ao pessoal dos serviços auxillares e da força á disposição da Chefatura de Policia.

Para registro dos resultados dos exercicios os corpos organizarão cadernos.

O Grupo de Metralhadoras, pessoal da Linha de Tiro, Deposito de Recrutas e Picadeiro, farão exercícios no apparelho instalado no stand da Linha de Tiro.

Apparelho "Sub-Target", para instrucção de tiro sem gasto de munição.

Apparelho “Sub-Target”, para instrucção de tiro sem gasto de munição.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIV, edição 028, de 01/02/1917, quinta-feira, página 5