A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Criação do 2º Regimento de Cavalaria, em Santana do Livramento.

A JUSTIFICATIVA PARA A CRIAÇÃO DO 2º REGIMENTO DE CAVALARIA

(Esboço Histórico da Brigada Militar, Volume I, páginas 432 e 433)

” … O acréscimo exuberante da população, amplo engrandecimento do trabalho, gerando todos os dias a criação de novos estabelecimentos, de sociedades e companhias comerciais, sob moldes mais modernos, liberais e adiantados; a pecuária inteligente, experimentando as raças e processos de cruzamento mais remuneradores e adaptáveis às diversas regiões do Rio Grande, cada uma com as suas pastagens especiais; o ressurgimento intensificado da agricultura, semeando o trigo que era outrora a fartura dos nossos avós, e enchendo as várzeas de arrozais imensos, auxiliada pelos maquinismos que, rápidos, esboroam, preparam e revolvem profundamente a terra, e lhe fazem ostentar, orgulhosa e linda, na superfície, e áurea, alegre e abundante seara; as indústrias rendosas, produzindo com a matéria prima nacional, os variados e excelentes tecidos, calçados ótimos e baratos e outros mil artefatos preciosos; o solo carbonífero, permitindo arrancar de suas entranhas pejadas de riquezas o ouro negro do combustível, que constitui a mais segura garantia de prosperidade material dos povos – tudo isso e o mais que omitimos, por não comportar este livro longas distrações para outros assuntos – exige da administração pública vigilância e cuidados incessantes, a que a ordem jamais se altere e venha prejudicar o nosso surto econômico tão promissor.

A nossa população que hoje se poderá estimar em perto de dois milhões, espalhados por todo o Estado, impõe ao governo a medida paralela e correspondente de ir gradualmente elevando o número da força pública, que se não poderia conservar com o mesmo efetivo da
organização, em 15 de outubro de 1892.

A fronteira é vasta e propicia aos crimes rurais, contando os delinquentes com asilo tranquilo e seguro nas republicas vizinhas.

Do que vimos dizendo, decorreu a organização do 2º Regimento de Cavalaria, em Santana do Livramento, onde se acha aquartelado, e de cujo lugar pode atender com presteza e eficácia ao policiamento da fronteira, aberta e estimuladora dos crimes.

Em geral, as guardas municipais são insuficientes pelo número, instrução e disciplina, para que atuem ultimamente, como lhes cumpre, na prevenção dos delitos. … ”

 

Publicamos, a seguir, as ordens do dia que dão conta da criação e organização do 2º  Regimento.

“Quartel do Comando Geral da Brigada Militar em Porto Alegre, 10 de fevereiro de 1913.

ORDEM DO DIA Nº 359
Para conhecimento e devida execução, publico o seguinte:

SEGUNDO REGIMENTO DE CAVALARIA

Por oficio nº 84 do corrente, comunicou a Secretaria do Interior, que, à vista da proposta deste Comando, foi por Decreto Nº 1.931[1], da mesma data, criado um Regimento de Cavalaria, do serviço ativo desta força, com a denominação de Segundo e a organização do Primeiro.

A ORGANIZAÇÃO DO SEGUNDO REGIMENTO

POSTO/GRADUAÇÃO

QUANTIDADE

Tenente-Coronel 01
Major 01
Major 01
Capitão Médico 01
Alferes 01
Alferes 01
Capitão 04
Tenente 04
Alferes 10
Sargento-Ajudante 01
Sargento Quartel-Mestre 01
Mestre de Música 01
Clarim-mór 01
Músicos de 1ª Classe 08
Músicos de 2ª Classe 08
Músicos de 3ª Classe 04
1º Sargentos 04
2º Sargentos 16
Furriéis 04
Cabos 32
Soldados 304
Clarins 09
Tambores 02
TOTAL 419

 

NOMEAÇÕES

Conforme comunicação da Secretaria do Interior, por oficio nº 400, de 7 do corrente, foram feitas, por titulo da mesma data, as seguintes nomeações para o 2º Regimento de Cavalaria que deve ser organizado em Santana do Livramento:

– Tenente-coronel Comandante, o major do 1º Batalhão de Infantaria Juvêcio Maximiliano Lemos;

Major Fiscal, o Capitão do 1º Regimento de Cavalaria, Francisco Rath;

Ajudante, o Capitão do 1º Batalhão de Infantaria, João Francisco Elgues;

Comandantes de Esquadrão:

– do 1º, o Capitão do 2º Batalhão de infantaria, Parmenio dos Santos Abreu;

–  do 2º, o Capitão do 1º Batalhão de Infantaria, Cassio Brum Pereira;

– do 3º, o Tenente do 1º Regimento de Cavalaria, Henrique José dos Santos;

– do 4º, o Tenente do 3º Batalhão de Infantaria, Olimpio Souto;

para tenentes:

–  o tenente do 3º Batalhão de Infantaria, Jaime Francisco Rasteiro;

– os alferes do mesmo batalhão, José Flores da Silva e João da Cruz;

– o alferes do 1º Regimento de Cavalaria, Inocencio José de Farias;

para os postos de alferes:

– os sargentos ajudantes Julio Soares da Fonseca, João Pinto Guimarães e Laudelino da Silva;

– os 1º sargentos Cassiano Vasques, Leoncio Alves da Costa Freire e amanuense Mario Silveira;

– os 2º Sargentos Francisco Rodrigues Ribeiro, João Delfino Maicá, Álvaro de Aguiar Rita e Secundino Paz de Oliveira.

– os sargentos quartéis-mestres Julio José Beckhausen, Jorge Pelegrino Castiglione e Cristalino Pedro Fagundes;

– os 1º Sargentos Alcides de Oliveira Credideu, Afonso Pereira da Rocha Filho e Diogenes Brasiliense Pinheiro;

– os 2º Sargentos Brito Francisco de Lima e Tito Ribeiro.

Comando do 1º Regimento de Cavalaria

É nomeado para exercer interinamente o comando do 1º Regimento de Cavalaria o major do 2º, da mesma arma, Francisco Rath. – Cipriano da Costa Ferreira, coronel.”

 

“Quartel do Comando Geral da Brigada Militar do Estado, em Porto Alegre, 22 de fevereiro de 1913.

ORDEM DO DIA Nº 368

Para conhecimento e devida execução publico o seguinte:

Organização do 2º Regimento de Cavalaria

(Esboço Histórico da Brigada Militar, Volume I, páginas 434 e 435)

Conforme instruções deste comando, foi organizado em Santana do Livramento, a 21 do corrente, sob o comando do tenente-coronel Juvencio Maximiliano Lemos, o 2º Regimento de Cavalaria do serviço ativo desta Brigada, criado pelo Decreto nº 1.931, de 4 do corrente, o qual aquartelará naquela cidade, até definitiva deliberação do governo.

Cipriano da Costa Ferreira, coronel.”

Fonte: Esboço Histórico da Brigada Militar – Volume I (Janeiro de 1890 a Julho de 1918), Organizado pelo Major Miguel Pereira, Editado em 1950, páginas 432 a 435 .

[1] Decreto nº 1.931, de 04 de fevereiro de 1913.

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