A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar adquire equipamentos na Europa.

A Federação, no dia 27 de novembro de 1913, quinta-feira, noticiava:

Material de sapa

Deu entrada, hoje, na Assistência do Material da Brigada Militar, material de sapa ha mezes encommendado na Europa.

Fonte: Jornal A Federação, edição 276, de 26/11/1913, página 24. – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Manobras da Brigada Militar, em Gravatai – II

A Federação, no dia 27 de novembro de 1913, quinta-feira, noticiava:

Manobras da Brigada Militar

Continuou, hontem, “em mobilização” a Brigada Militar, esperando a ordem de concentração e marcha para Gravatahy.

Como já noticiamos a concentração far-se-á entre as ruas General Canabarro e Coronel Genuino.

Era corrente entre os officiaes, hontem, á noite, que a ordem de movimento será executada entre 3 e 5 horas da tarde de hoje.

Foi publicado, hontem, o segundo boletim:

“De ordem do sr. coronel Commandante Geral publica-se o seguinte:

1º – O pessoal deverá ser equipado a 1/2 marcha.

2º – A banda da brigada, durante a marcha de guerra, incorporar-se-á á ambulância.

3º – Além do uniforme 5º, deverá ser levado o 4º.

4º – É nomeado chefe do serviço de policia, durante as manobras, o major Juvenal Joaquim
Teixeira, ficando, por isso, sem effeito a disposição nº 11 da ordem do dia nº 437, de 24 do corrente.

5º – O pelotão de estafetas formará sob o commando do tenente João Ruiz, do 3º batalhão. (Assignado) Anatolio Baeckel, capitao chefe do Estado-Maior.

Na marcha de hoje será designado para acompanhar os serviços de vanguarda como representante do Estado-Maior o capitão instructor Emílio Lúcio Esteves.

Auctorisado pelo chefe do estado-maior da columna de manobras, foi designado pelo commandante do grupo de metralhadoras, para exercer as funcções de ajudante fiscal o tenente Mariante do 2º regimento de cavallaria.

Fonte: Jornal A Federação, edição 276, de 26/11/1913, página 23. – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Manobras da Brigada Militar, em Gravatai – I

A Federação, no dia 26 de novembro de 1913, quarta-feira, noticiava:

MANOBRAS DA BRIGADA MILITAR

Ordem de operações – Disposições para o serviço no campo de manobras em Gravatahy – Recommendação nº 1.

Como temos noticiado, devem realizar-se, em Gravatahy, as manobras da Brigada Militar.

Por tal motivo os corpos daquella força estão, desde ante-hontem de “promptidão” esperando, a todo o momento, do commando geral, a ordem de marcha.

A seguir publicamos diversas ordens do dia, baixadas hontem e que dizem respeito ás normas a obedecer por occasião das referidas manobras:

Ordem de operações nº 1

De ordem do sr. coronel commandante geral publica-se o seguinte:

(Segue-se texto com 06 páginas, tamanho A4)

Fonte: Jornal A Federação, edição 275, de 26/11/1913, página 5. – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Revista dos Militares homenageia o Comandante-Geral da Brigada Militar.

A Federação, no dia 25 de novembro de 1913, terça-feira, noticiava:

Revista dos Militares

Foi distribuído o n. 41 desta revista, relativa ao mez.

A matéria, que é abundante e variada, obedece ao seguinte summario:

Coronel Cypriano da Costa Ferreira, A Redacção; Notas do mez, A Redacção: General Rodrigues Lima, Souza Docca: O livro do tenente-coronel Gouvêa, Enéas P. Pires; Uma conferencia (transcripção), Aurélio de Figueiredo; Manobras da 12ª região militar no anno de 1913, A Redacção: O que todo offilcial de infantaria deve saber (acompanham figuras elucidativas), Fred G. Pinto Gouvea; Accumulações remuneradas, F.; Concurso da Revista dos Militares, A Redacção; Ligeiras considerações sobre o regulamento para instrucção e serviços geraes nos corpos de tropas no Exercito. Enéas P. Pires; Serviço de administração da Guerra, João Príncipe da Silva; Pelo Congresso Nacional. Justiça Militar L. L.; Consultas, Lal; Secção bibliographica, A Redacçào; Synopse dos actos officiaes no Ministério da Guerra, L. L.; Noticias – Secção de contabilidade (na capa) – – etc., etc.

lllustrações: Retratos do coronel Cypriano da Costa Ferreira e general Rodrigues Lima – 30 bataIhão de infantaria: vista geral de um acampamento; uma escola de esgrima – Serviço da Carta: construcção de marco e abertura de picada – Arsenal de Guerra de Porto Alegre: officinas de carpintaria; typo de carroças de campanha.”

Na pagina de honra vê-se uma nítida photogravura do coronel Cypriano da Costa Ferreira, commandante da Brigada Militar, a quem a “Revista dos Militares” faz as seguintes referencias:

“Ilustra a primeira pagina de nossa “Revista” o vulto, ao mesmo tempo syimpathico e distincto do coronel Cypriano da Costa Ferreira, actual presidente de nossa Directoria.

O homenageado, nome assás conhecido, pertence ao Nucleo Mantenedor desde a fundação desta “Revista”, em cuja directoria exerceu a principio o cargo do vice-presidente.

Pertence á arma de infantaria, tem o curso de engenharia militar, é bacharel em mathematicas e sciencias physicas e naturaes e commanda a Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

Aos seus relevantes serviços no desempenho de diversos cargos, commissões e commandos no Exercito, pode o coronel Cypriano addicionar, com orgulho, os que vem prestando, com o maior brilhantismo e intelligencia na Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

Auxiliado por distinctos instructores – dignos officiaes subalternos de nosso Exercito – tem o coronel Cypriano sabido dar tal orientação ao seu commando que a Força Estadual riograndense occupa hoje posição de destaque por sua instrucção e disciplina.

Ao nosso velho e bom camarada, os cumprimentos da “Revista dos Militares”.

Fonte: Jornal A Federação, edição 274, de 25/11/1913, página 3. – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Inauguração da Linha de Tiro da Brigada Militar

Correio do Povo, no dia 23 de novembro de 1910 noticiava:

Linha de tiro da Brigada

O dr. Carlos Barbosa, presidente do Estado, dirigiu, hontem, ao commandante da Brigada Militar, o seguinte officio: “Ao sr. coronel Cypriano da Costa Ferreira, commandante geral da Brigada Militar. – Assistindo, hontem, a inauguração festiva da linha de tiro da Brigada Militar, construida na chacara das Bananeiras, tive propicia occasião de applaudir, mais uma vez, o perfeito gráu de instrucção da força militar do Estado, nos differentes exercicios ali effectuados, em minha presença. E, como trouxesse da referida linha de tiro, instalada com todos os indispensaveis requisitos, a melhor impressão, desejo significal-a ainda nestas linhas, complemento dos merecidos garbos que tive occasião de apresentar-vos pessoalmente. – Saúde e fraternidade. – Dr. Carlos Barbosa

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Dissolução do 2º Corpo Provisório da Brigada Militar, aquartelado no Caty.

Correio do Povo do dia 22 de novembro de 1908 noticiava:

Pelotas, 21 – O ‘Correio Mercantil’ e a ‘Reforma’ divulgam sensacionaes boatos políticos. Affirmam esses jornaes que as cousas do governo não se acham serenas, estando latente um rompimento entre o dr. Carlos Barbosa, presidente do Estado e Borges de Medeiros, chefe do partido republicano. Accrescentam que esse rompimento é motivado pela dissolução do 2º corpo provisorio da brigada militar, aquartelado no Caty, pela denuncia de convenio aduaneiro para a repressão de contrabando e outras cousas. Dizem mais aquellas folhas, que o dr. Juvenal Miller, vice-presidente do Estado, foi para essa capital, afim de assumir o governo, chegando o dr. Carlos Barbosa a ser convidado a deixar o mesmo, ao que não accedeu, sob a delicada excusa de que ia pensar. A brigada militar, dizem os referidos jornaes, apoia o dr. Carlos Barbosa. Refere também a ‘Reforma’ que os democratas estão trabalhando para apresentar um candidato á deputação federal, o qual será o dr. Assis Brazil ou o dr. Fernando Abbott.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar realiza concorrência para aquisição de matéria prima.

A Federação, no dia 20 de novembro de 1916, segunda-feira, noticiava:

Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul

CONSELHO ADMINISTRATIVO

De ordem do sr. tenente-coronel commandante geral, chamo concurrentes para fornecimento de matéria prima para a manufactura de fardamento, calçado, ferragens, arreiamento, material de construção e outros artigos destinados ás oficinas desta força, no anno de 1917, bem como gêneros alimentícios para as praças, no 1º semestre do referido anno.

As propostas serão selladas em uma só via.

Todos os artigos deverão ser entregues no deposito ou repartições da Brigada.

Os proponentes caucionarão na assistência do material a quantia de 100$000 para garantia da assinatura do contracto para o fornecimento dos artigos preferidos de suas propostas.

Só poderá concorrer no fornecimento quem se habilitar previamente em requerimento dirigido ao comandante geral, documentos com que prove negociar nos artigos em licitação e ter pago, como negociante estabelecido, o imposto da casa comercial relativo ao ultimo semestre vencido, e recibo da Assistencia do Material de haver depositado a quantia fixada neste edital.

As propostas serão apresentadas pelos proponentes ou seus representantes no dia 5 de dezembro vindouro, ás 15 horas, em envelopes fechados e mencionarão no subscripto a espécie de artigo proposto.

Outros esclarecimentos de que carecerem os interessados serão prestados, todos os dias uteis, das 9 ás 15 horas, na Assistencia do Material.

Quartel do Commando Geral, em Porto Alegre, 20 de novembro de 1916.

Leopoldo Ayres de Vasconcellos, tenente-coronel, Assistente do Material.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIII, edição 268, de 20/11/1916, segunda-feira, página 8

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar comemora a data da Proclamação da República, em 1916.

A Federação, no dia 16 de novembro de 1916, quinta-feira, noticiava:

Na Brigada Militar do Estado tambem se comemorou condignamente a data de hontem.

O tenente-coronel Affonso Emilio Massot, comandante geral interino, baixou a seguinte ordem do dia:

“Conforme fiz publicar em ordem do dia de hontem datada vamos hoje, ornar o salão de honra do quartel do Commando Geral com o retrato do Exmo. Sr. General Salvador Ayres Pinheiro Machado, Vice-Presidente do Estado, em exercício.

Esta homenagem que prestamos á S. Ex., aproveitando a passagem da grandiosa data do advento republicano em nossa Patria, é merecida e justa.

Todos vós, meus camaradas, conheceis os serviços que este ilustre patrício tem prestado ao nosso querido e glorioso Rio Grande do Sul tanto na paz, como na guerra, com devotamento decidido
patriotismo inescedivel.

Muitos de vós serviram sob suas ordens durante o periodo revolucionário de 93 a 95, que maus patrícios provocaram, ensanguentando o solo da amada terra natal numa luta de mais dois annos.

Todos nós servimos sob seu commando quando o nosso maior amigo, que foi Julio de Castilhos, o nomeou chefe interino da Brjgada Militar, num momento em que esta corporação acabava de dar as
mais eloquentes provas de sua lealdade ao Governo o de uma recta compreensão de seus deveres.

Na curul* presidencial é notável sua abnegação patriótica e interesse pelos negócios públicos.

Com relação á nossa força é grande o carinho com que a trata, interessando-se por todos os assumptos que se prendem a ella.

Todos estes titulos recomendam o integro rio-grandense ao alto apreço e especial consideração da Brigada Militar.

Dahi a razão desta merecida e justa homenagem.

Viva o Exmo. Sr. General Salvador Ayres Pinheiro Machado!

(Assignado) – Affonso Emilio Masssot, tenente-coronel.”

O acto effectuou-se ás 10 horas, na presença do homenageado e de toda a officialidade da Brigada Militar.

Foi offerecida ao general Salvador uma taça de “champagne”, trocando-se, por essa occasião, varios brindes.

Durante a solennidade tocou uma banda de musica.

As festas no quartel do Grupo de Metralhadoras tiveram inicio ás 10 horas, com vários exercícios de gymnastica applicada, por uma escola de cabos de esquadra, sob a direcção do capitão Pedro Vaz Ferreira Filho.

Em seguida houve gymnastica militar por uma escola de inferiores, commandada pelo tenente José Freire de Oliveira e Souza.

Esgrima de bayoneta, por uma escola constituída de inferiores e sob a direcção do alferes Tito Ribeiro.

A representação do um drama e comedia, cantos, etc., se realizou em um dos salões destinados á refeição. Ali se achava armado artisticamente um palco.

Nas paredes, bem ornamentadas viam-se muitos escudos com expressivos dizeres, entre os quaes notamos os seguintes : “Viva a Republica”, “Viva a memória do marechal Deodoro”, “Reviva Rio Branco”, “Viva o Exercito”, “Viva a memória de Julio de Castilhos”, “Viva o Rio Grande do Sul”, “Viva a imprensa”, “Viva a Brigadn Militar”, “Viva a memória de Tiradentes”, “Salve 7 de Setembro”.

Em esgrima de espada, bateram-se os 2º sargentos Saturnino Cavalheiro Ramos e João Simões Appolinario, que executaram diffíceis movimentos.

Na corrida em saccos realizada por 6 inferiores, saiu vencedor o furriel Hary Soares Pereira.

Nas corridas com obstáculos, por 6 inferiores, saiu vencedor o 2º sargento Manoel Dutra da Rosa.

Na corrida livre em 1.000 metros, feita por inferiores, saiu vencedor o 2º sargento Antônio Fagundes Teixeira.

Foi feita tambem gymnastica desarmada por uma escola de 15 menores de 10 annos, sob a direcção do alferes Tito Ribeiro.

Houve também uma corrida livre entre menores, saindo vencedor o menino José Flores, filho do capitão Franco Flores.

Ás 18,45 minutos chegavam ao quartel o presidente do Estado, dr. Borges de Medeiros, general Salvador Pinheiro Machado, vice-presidente em exercido, do Estado, drs. Protasio Alves e Marinto Chaves, secretários do Interior e da Fazenda, que foram recebidos com as honras que lhes cabem.

Ás 8 horas teve começo a sessão solenne, sendo concedida a palavra ao orador official Cincinato Antonio Soares, que produziu vibrante o patriotico discurso, sendo muito aplaudido.

O 2º Batalhão de Infantaria meIhorou o rancho, tendo sorvido ás praças farta mesa de doces e líquidos.

As companhias, amanheceram embandeiradas interna o externamente, salientando-se a 1ª, comandada pelo capitão Jayme Francisco Rasteiro, a qual collocou no centro do alojamento das praças aparatoso tropheo, no qual se viam os retratos do generalissimo Deodoro da Fonseca, marechal Floriano Peixoto, dr. Borges de Medeiros, senador pinheiro Machado, rico quadro representando a proclamação da Republica e duas estatuetas representando a Liberdade e a Paz.

O gabinete do capitão Rasteiro também se apresentava festivo, havendo uma homenagem dedicada ao tenente-coronel Affonso Emilio Massot, que consistia no retrato em rica moldura, e enfeitado com rosas brancas e outras flores delicadas.

Ás 8 horas formou uma guarda de honra, sob o commando do capitão Jeremias José Tavares, tendo como subalternos o tenente Odorico Gregorio dos Santos, alferes Julio José Beckhausen e Cândido Benites Guimarães, a fim de desfilar em frente á estatua do dr. Julio de Castilhos, tendo a companhia cantado o hymno da Proclamação da Republica, em fronte ao monumento do Patriarcha.

Ás 11 horas, em formatura do batalhão, o alferes Cândido Benites Guimarães fez uma prelecção allusiva á magna data.

O commando do batalhão publicou uma ordem do dia tratando da data e dos factos importantes referentes ao dia 15.

* Curul = cadeira de pessoa importante

**Mantida a grafia da época.

 

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIII, edição 265, de 16/11/1916, quinta-feira, página 7

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Entrega do Estandarte do 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar

A Federação, no dia 11 de novembro de 1913, terça-feira, noticiava:

BRIGADA MILITAR – ENTREGA DO ESTANDARTE DO 1º REGIMENTO

Conforme noticiamos realizou-se, hontem, ás 10 horas da manhã, no quartel, do Chrystal, a entrega do novo estandarte ao 1º regimento de cavallaria da Brigada Militar.

O dia escolhido para a solemnidade coincidiu com o do 21º anniversario da creação do citado regimento.

Do programma da festa só foi realizada a parte official, constante da entrega do estandarte e da revista de instrucções que ha tempos publicamos.

Ás 9 horas da manhã formou o regimento para a revista de inspecção, que foi passada pelo coronel dr. Cypriano da Costa Ferreira, commandante geral.

Este chegou ás 9 1/2, sendo recebido com as formalidades do estylo.

Pouco depois o secretario do commando geral, capitão Cândido Barcellos, fez a leitura da seguinte ordem do dia:

“Quartel do Commando Geral da Brigada Militar, em Porto Alegre, 10 de novembro de 1913.

ORDEM DO DIA Nº 431

Para conhecimento o devida execução publico o seguinte:

Entrega de Bandeira – Venho entregar ao 1º regimento de cavallaria uma bandeira nova, em substituição á que possuia e que deve ser recolhida e guardada carinhosamente em sua secretaria.

Coincidindo esta solemnidade com o 21º anniversario da organização desse valoroso corpo da Brigada Militar e contemporâneo do seu glorioso passado, acodem á minha reminicencia, neste momento, o brilhante acervo de serviços por elle prestados e os feitos notáveis que o distinguiram na guerra.

Congratulando-me, pois, com a força de meu commando, especialmente com o commandante e officiaes do brioso 1º regimento, por essa memorável data deixo aqui expressa a minha inabalável convicção de que o symbolo da nossa nacionalidade será conservado com toda veneração e pundonor por officiaes e praças, sem esquecerem que ela representa a imagem da querida Patria. Cypnano da Costa Ferreira, coronel”.

Terminada a leitura o coronel Cypriano que por essa occasião empunhava o estandarte, o entregou ao commandante do regimento.

Este, pediu permissão ao commandante da Brigada Militar, determinou que o antigo estandarte fosse substituído pelo novo.

Então o alferes secretario do regimento leu a seguinte ordem do dia:

Quartel do 1º Regimento de Cavallaria da Brigada Militar, no Crystal, 10 de novembro de 1913.

ORDEM DO DIA Nº 233

Camaradas! Passa-se hoje o 21º anniversario da creação deste regimento.

Foi por decreto 382 de 10 de novembro de 1892, que o tino previdente do extincto dr. Júlio Prates de Castilhos, entendeu creal-o para auxiliar a manutenção da ordem, alterada com as correrias produzidas pelos caudilhos que enfestavam o nosso glorioso Estado, tentando, por interesses puramente particulares derrubar o governo legalmente constituido.

Mais accentuou ainda o tino esclarecido do dr. Castilhos, quando nomeou para exercer o lugar de commandante, o distincto capitão ajudante do 11º Regimento de Cavallaria do Exército, Fabricio Baptista de Oliveira Pillar.

Camaradas! Este Regimento desde a sua creação vem prestando relevantes serviços tanto na paz como no período agudo da guerra!

Elle trouxe dessa campanha encarniçada muitos louros conquistados pelos bravos que o compunham.

Lembrae-vos que este Regimento seguindo para o campo da lucta, guiado pelo seu hábil e valoroso commandante, teve occasião de se empenhar em muitos combates onde sempre se accentuava a bravura e civismo. Foi em 10 de setembro de 1894, que este Regimento, cheio de tristeza e profunda dor, viu cahir morto pelas balas inimigas o sou intrépido commandante, o bravo tenente-coronel Pillar, que dirigia pessoalmente a acção. Embora acabrunhado com a perda irreparavel do valente e brioso commandante Pillar, os seus commandados não esmoreceram, continuando na lucta em defesa da ordem. Camaradas! Homens do valor e civismo do commandante Pillar, são dignos dessa grande Pátria e servem de estimulante exemplo para nós!

Um outro facto que é motivo de regosijo para o nosso Regimento e que coincide com o seu anniversario é a entrega do novo estandarte, quo nos faz o exmo. sr. coronel dr. Cypriano da Costa Ferreira, distincto commandante geral daBrigada.

Camaradas, lembrae-vos, sempre, que esse estandarte symbollisa a Pátria!

Lombrae-vos tambem que a Patria nos impõe o glorioso dever de defendel-a com o sacrifício da própria vida, não deixando que para nossa humilhação venham tomal-o de assalto os nossos inimigos de amanha! Como exemplo edificante do que seja o amor Pátrio representado no Pavilhão auriverde cito um extraordinario facto passado na guerra do Paraguay: Por occasião do combate de Tuhy, em outubro do 1867, o alferes Passos que então conduzia o estandarte, atira-se a um fosso para escalar a trincheira inimiga e aviva o patriotismo dos seus camaradas, erguendo o Pavilhão da Patria. Nessa occasião esse offícial é morto pelo inimigo o cahe pelo talude. Rápido um paraguayo apodera-se do estandarte, mas, não consegue leval-o para o arraial inimigo, porque com elle trava lucta, matando-o o alferes Feitosa, official brazileiro, que havia tambem escalado a trincheira. Infelizmente não coube ainda a esse bravo official, a gloria de trazer para o nosso acampamento o emblema sagrado da Patria, por ter como o seu desventurado companheiro tombado victima dos paraguayos.

Essas duas victimas de abnegação e patriotismo não fizeram ainda esmorecer os sentimentos pátrios, porque estes não tem limites, tanto assim, que o alferes Costa e Souza, que se achava também com aquelles bravos officiaes, levanta o estandarte o penetra, com um reduzido numero de praças, no recintho da posição inimiga onde o atacam inúmeros paraguayos.

Nesse ataque cahe finalmente morto, o alferes Costa e Souza, que como os seus dois destemidos companheiros, tomba também atravessado pelas bailas paraguayas. O feroz inimigo vendo cahir sem vida a sua 3ª victima lança-se pressuroso sobre o Pavilhão da Patria, convicto de leval-o para o seu acampamento, mas oppoz-se a isso a bravura indomita, e o sentimento de extraordinário patriotismo de um cabo e um soldado que a golpes de baionetas conseguem rechassar os paraguayos, trazendo para as nossas fileiras o emblema da Patria!

Sirvam de licção para nos, exemplos do civismo como esse!

Si na guerra o estandarte nos estimula o defendermos a Patria com ardor intensissimo, na paz elle serve para, prestarmos o compromisso de bem deffendel-o com lealdade!
Camaradas!

Rendamos, pois, sempre e sempre, o nosso preito de homenagem, aquelles que tombaram na lucta em cumprimento do dever! Aquelles que souberam morrer pela Patria!

(Assignado) Francisco Rath, major, commandante interino.

Finda esta ceremonia teve lugar a revista de inspecção, que foi passada pelo coronel commandante geral, seguindo-se varias evoluções, que foram commandadas pelo capitão fiscal Alfredo Weber e pelo major commandante Rath.

As evoluções foram feitas com a maxima precisão.

A tropa formou depois em quadrado no recinto do quartel, sendo entoado o hymno á bandeira, pelos officiaes inferiores.

Em seguida houve um “lunch” offerecido pelos officiaes do regimento ao commandante geral da Brigada, coronel dr. Cypriano da Costa Ferreira, seu estado-maior, aos commandantes de corpos e respectivos officiaes.

A outra parte do programma, constante de variadas diversões militares e exhibição cinematographica, foi adiada para dia não designado, em virtude do luto de s. exa. o dr. presidente do Estado.

Por occasião do “lunch” foram feitos vários brindes, sendo o de honra levantado pelo coronel Cypriano, que após varias considerações sobre as tradições da Brigada Militar, quer na paz, quer na guerra; sobre o trabalho incessante para o seu aperfeiçoamento, dentro do respeito ás leis e ás auctoridades hierarchicas  e civis, levantou sua taça em homenagem ao illustre estadista, dr. Borges de Medeiros.

Fonte: Jornal A Federação, edição 262, de 11/11/1913, página 7. – *mantida a grafia da época

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Brigada Militar comemora a data da Proclamação da República, em 1913.

A Federação, no dia 16 de novembro de 1913, domingo, noticiava:

A data da proclamação da Republica

Parada da Brigada Militar do Estado

Parada da Brigada Militar

Esteve irreprehensivel a parada geral da Brigada Militar realisada hontem no Campo da Redempção.

Tomaram parte nesta formatura cerca de 1.200 homens.

As forças eram compostas das armas de infantaria e cavallaria.

Ás 8 1\2 horas da manhã, chegaram ellas ao local da parada, tomando posição.

O flanco direito ficou composto pelos 1º, 2º e 3º batalhões de infantaria, commandados, respectivamente, pelos tenentes-coroneis Francellino Cordeiro, Affonso Emilio Massot e Aristides da Camara e Sá.

As praças apresentaram-se em primeiro uniforme, com luvas e polainas brancas; e os officiaes em segundo, com luvas brancas.

A cavallaria ficou postada no flanco esquerdo, sendo commandada pelo major Francisco Rath.

Toda a força ficou estendida no prolongamento da rua “Republica”, com a frente voltada para o Collegio Militar.

Commandou a parada o coronel dr. Cypriano da Costa Ferreira, estando seu estado-maior composto dos tenente-coronel Claudino Nunes Pereira, major Armando de Moraes Silveira, capitão Cândido Pinheiro Barcellos, capitães instructores Anatolio Baeckel e Emílio Lúcio Esteves, tenentes instructores Jayme da Costa Pereira e Cícero Ferreira e alferes Jorge Pelegrini Castiglioni.

Seriam 9 1/2 horas, quando os clarins deram signal de sentido, á approximação do dr. Presidente do Estado.

Quando este se achava á distancia do 50 metros da praça foi ao seu encontro o coronel Cypriano, acompanhado do seu estado-maior.

Em companhia do dr. Presidente do Estado iam no “landau” do palacio o dr. Protasio Alves, secretario do Interior, e o capitão Cassio Brum, ajudante do ordens.

O “Landau” era seguido pela escolta presidencial, commandada pelo capitão Lourenço Galant. Sua ex. foi recebido com as formalidades do estylo, prestando a força as continências regulamentares.

Em seguida o presidente passou revista ás tropas.

Por essa occasião foi executado o Hymno Riograndense, por todas as bandas.

Terminada a revista foi s. ex. acompanhado até regular distancia pelo coronel Cypriano e seu estado-maior.

Em seguida desfilaram as forças percorrendo as ruas principaes da capital.

Fonte: Jornal A Federação, edição 267, de 16/11/1913, página 3. – *mantida a grafia da época