A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Hospital da Brigada Militar

Correio do Povo, no dia 12 de setembro de 1911, terça-feira, noticiava:

Proposta aceita

A Secretaria das Obras Publicas aceitou a proposta apresentada pelo sr. José Tellini para a construcção, no bairro do Crystal, de um edificio destinado a habitação das freiras em serviço no hospital da Brigada Militar.

Nota: Localizado na Vila Assunção, o Hospital Geral da Brigada Militar teve a sua primeira enfermaria inaugurada em 1906. A instituição de saúde era constituída por um pequeno pavilhão central e ladeada por duas pequenas edificações laterais. O comandante geral da Brigada Militar no ano da criação e da fundação do Hospital era o tenente-coronel José Carlos Pinto Júnior.

Hospital Geral da Brigada Militar, na Vila Assunção

Hospital Geral da Brigada Militar, na Vila Assunção

*Mantida a Grafia da época

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – O crime da Rua dos Andradas – III

Correio do Povo, no dia 12 de setembro de 1911, terça-feira, noticiava:

Uma fita – Os irmãos Petrelli, proprietarios do Coliseu, em vista da sensação que produziu, em todo o Estado, o crime da rua dos Andradas, resolveram reconstituir a tragedia, para apanhar uma fita cinematographica. Para isso, contrataram elles o sr. Guido Panella, operador cinematographico do Ministerio da Agricultura. Foram tambem contratadas diversas pessoas, para fazerem os papeis dos criminosos, bem como do cocheiro do carro de praça e do leiteiro cujos vehiculos serviram para a fuga daquelles. Ante-hontem, á tarde, o sr. Panella apanhou vistas de um supposto assalto a um bonde electrico e da scena do assalto á carroça do sr. Bottaro. Hontem, os irmãos Petrelli conseguiram, do cel. Cypriano Ferreira, cmte geral da Brigada Militar, que 40 praças do 1º regimento de cavallaria dessa milicia fossem para a varzea de Gravatahy, afim de ser reproduzida a scena do cêrco a um capão ali existente – onde foram mortos os criminosos. Ás 3 horas da tarde, um carro dirigiu-se para o Gravatahy, conduzindo quatro cidadãos, encarregados de representar os quatro criminosos. Aquelles cidadãos iam caracterisados e carregavam carabinas e outras armas. Moradores da rua Benjamin Constant, vendo um carro, em disparada, com quatro bandidos, deram logo alarme, communicando o facto ao 3º posto. O inspector municipal Justino Pires, de dia áquelle posto, tomou logo providencias, fazendo seguir patrulhas a cavallo para diversos pontos, afim de dar caça aos bandidos. Até o pessoal do posto foi ajudar a acção dos seus collegas de serviço. Depois de muitas correrias, as patrulhas encontraram o carro, com os bandidos, nas proximidades da chacara do tenente-coronel Adolpho Silva, no Passo d’Areia, onde existe uma grande figueira. Nessa arvore, preparavam-se todos para representar a scena do encontro das forças com os criminosos. As patrulhas, porém, não estiveram de accôrdo com a reconstrucção do drama e convidaram todos, especialmente os bandidos, a ir ao 3º posto. Ali, compareceram elles e mais os irmãos Petrelli, que explicaram a historia da fita. E assim, terminou a imprevista fita.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Banda de Música do 1º Regimento da Brigada Militar

Correio do Povo, no dia 11 de setembro de 1908 noticiava:

Ruy Barbosa e o Rio Grande – A banda de música do 1º regimento da brigada militar, que se acha no Rio de Janeiro, deu alvorada ante-hontem á porta da casa de residencia do eminente senador Ruy Barbosa. Gratissimo, o illustre representante da Bahia dirigiu o seguinte telegramma ao senador Pinheiro Machado: – ‘Accordámos esta madrugada aos accentos da sonorosa musica do Rio Grande. Elles vieram despertar em mim, com emoção e o enthusiasmo, a imagem das glorias, dos serviços e agora da prosperidade industrial que, ante-hontem, admirámos na exposição desse grande Estado, guarda fiel e heróica da nossa fronteira e fronteira brilhante da nossa civilização, com a mais alta cultura contemporanea. Aceite meus agradecimentos por esta expressiva fineza, cujas impressões guardarei para sempre.’ Esse recado telegraphico foi, assim, agradecido pelo senador rio-grandense.
‘Não pretendiamos merecer julgamento que mais contentasse nossos estimulos civicos que o proferido pelo meu prezado e eminente amigo, cujo espirito elevado e recto paira sempre nas culminancias, onde não têm guarida o favoritismo e a injustiça. Por mim e pelo Rio Grande dou-lhe meus agradecimentos, enviando cordial abraço.’

*Mantida a grafia da época

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – O Crime da Rua dos Andradas – II

Correio do Povo do dia 9 de setembro de 1911, sábado, noticiava:

O crime da rua dos Andradas – O enterro da victima

Saída do féretro da casa mortuária, á rua Cel. Fernando Machado

Effectuaram-se hontem, pela manhã, as cerimonias de encommendação e sepultamento do mallogrado joven Alcides Brum, victima da ferocidade dos quatro desalmados que assaltaram a casa de cambios do sr. Virgilio Albuquerque, á rua dos Andradas, n. 210. Ás 9 horas da manhã, saiu o feretro, da casa mortuaria, á rua coronel Fernando Machado n. 139, para a Cathedral, onde se realisou a encommendação. As bandas de musica do 10 regimento de infantaria e do 1 batalhão da Brigada Militar executaram marchas funebres, durante o acto religioso. Findo este, foi o ataúde retirado da alterosa eça e, a mão, conduzido até a travessa 1 de Março, no Campo da Redempção, sendo as alças muito disputadas. Chegando ali, foi elle collocado em carro de 1 classe da irmandade de S. Miguel e Almas e transportado para o cemiterio.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Desfile do 1º Batalhão de Infantaria da Brigada Militar

Correio do Povo do dia 7 de setembro de 1911, quinta-feira, noticiava:

7 de Setembro – O Brazil, commemora, hoje, o 89 anniversario da sua independencia. Visto ser feriado, as repartições publicas federaes e estaduaes não darão expediente. Os bancos não funccionarão e o commercio fechará á tarde. O batalhão do Gymnasio Anchieta, sob o comando do aspirante Travassos Alves, fará, pela manhã, uma passeata pelas ruas da capital. À tarde, o 1 batalhão de infantaria da Brigada Militar percorrerá a nossa principal arteria, em um uniforme de gala. À noite, as repartições publicas illuminarão as suas fachadas.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – O crime da Rua dos Andradas – I

Correio do Povo do dia 6 de setembro de 1911, quarta-feira, noticiava:

 O crime de hontem – Porto Alegre foi, hontem pela manhã, theatro de um desses crimes tão sensacionaes e extraordinarios que só a phantasia exuberantemente tragica de um Conan Doyle seria capaz de architectar na sua faina de crear romances policiaes. Pouco depois das 8 horas da manhã, quando a cidade já se agitava na labuta diária, em pleno centro commercial, na rua de maior concurrencia e movimento, quatro homens, ou antes, quatro bandidos assaltam, á mão armada, uma casa de cambio: ferem mortalmente o empregado do estabelecimento; arrecadam todos os valores que encontram; saem impunemente; atravessam as ruas mais centraes; tomam um carro, cujos animaes esfalfam; depois um bonde do qual fazem sair os passageiros, sob ameaça de morte; ainda sob a mesma ameaça obrigam o motorneiro a voltar a disparar o bonde a toda a velocidade, por um arrabalde afóra, não logrando chegar ao fim da linha porque o electrico descarrila; e lançam mão, então de uma pequena carroça de leiteiro que encontram, conseguindo afinal, ganhar distancia e fugir. E todo esse trajecto, como o proprio crime, foi seguido de perto por innumeras pessôas, sem que uma só – uma unica! – se opuzesse aos facinoras! E mais ainda, isso numa capital de Estado onde as autoridades administrativas, o chefe de policia e seus auxiliares, uma brigada militar e a policia municipal, além de um batalhão do Exército, que também poderia, num caso desses, prestar auxilio immediato!

No entanto, os bandidos perpetraram o assalto calmamente e calmamente se foram, lançando mão de todos os recursos que encontravam, sem que lhes embargasse os passos um unico representante de todas essas numerosas organisações da autoridade publica!

Ficará para Porto Alegre a triste e retumbante gloria de ter sido a primeira cidade do Brazil em que um tal crime se perpetrou.

*Mantida a grafia da época

Fonte: Jornal Correio do Povo – Coluna “Há um século no Correio do Povo”.

** Sobre este fato, o Esboço Histórico da Brigada Militar, Volume I, 2 ed., página 409,  registra o seguinte:

“Às 8 horas da manhã de 5 de setembro, quando já intenso era o transito de pessoas na rua dos Andradas, quatro indivíduos desconhecidos, dispostos e armados, penetraram no prédio 210, onde
funcionava a casa de câmbios do sr. Virgilio de Oliveira Albuquerque e, disparando tres tiros com pistola Mauser de repetição, feriram gravemente o empregado tenente Alcides Brum, que faleceu dois dias depois.

Conseguiram se apoderar dos valores que encontraram no mostrador.

O major Francisco Nabuco Varejão, que se barbeava na casa em frente, Alberto Lavra Pinto e José Carlos Dias, vizinhos, deram rebate .

Os bandidos, fugindo, e ameaçando quantos deles se aproximavam, conseguiam, após uma sério de ousadissimos atos de violência, internar-se nos matos da varzea de Gravataí, onde o delegado de policia, dr. Francisco Tompson Flores que os perseguia sem tréguas, acompanhado de destacamentos da Brigada Militar, agentes municipais e populares, estabeleceram apertado sitio, descobriram os facínoras entrincheirados nas raízes de colossal figueira existente na divisa das terras de Antéro Henrique da Silva e João José da Silva, lugar em que, resistindo tenazmente à ordem de prisão, caíram mortos pelas balas da patrulha da Brigada Militar que os deparára.”

Seguindo, transcreve, às páginas 409 a 415, documentos oficiais da época (Ordem do Dia nº 243, do Comandante Geral da Brigada Militar, que reúne comunicações e relatórios).

 

A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Crime de deserção cometido por Alferes – II

A Federação, no dia 01 de setembro de 1916, sexta-feira, noticiava:

Conselho Militar – Crime de deserção

Para o conselho militar a que responderá por crime de deserção o alferes do 1º batalhão de infantaria, Fulano de Tal**, são nomeados: presidente, o tenente-coronel Aristides da Câmara e Sá; interrogante, o capitão Pedro Vaz Ferreira Filho; auditor, o capitão dr. José Gomes Ferreira; juízes, o tenente Paulino Luiz Braga e alferes Antonio Ignacio Fernandes.

*Mantida a grafia da época.

Fonte: Jornal A Federação, Ano XXXIII, edição 204 de 01/09/1916, sexta-feira, página 5

**Omitido o nome.