A BRIGADA, HÁ UM SÉCULO … – Iluminação elétrica da Chácara das Bananeiras

A Federação, no dia 26 de maio de 1916, sexta-feira, noticiava:

Illuminação Electrica da Chacara das Bananeiras

A visita oficial ao quartel da Brigada Militar e á usina electrica do Manicomio do Parthenon

Em novembro de 1915 o comando da Brigada Militar deste Estado publicou um edital chamando concurrencia para a execução da illuminacão electrica na Chácara mencionada. Foi tomado como base a installação de uma usina própria no terreno da Brigada. Na concorrência tomaram parte as firmas Alliança do Sul e Lima & Martins.

A primeira apresentou um orçamento na importância de 23:850$000, contra 22:870$000 da segunda.

Antes da assignatura do contracto as propostas foram submettidas a um estudo na secretaria das obras públicas, sendo ao mesmo tempo pelo sr. dr. Theophilo de Barros ventilada a questão da possibilidade da conducção da energia da Uzina existente no Hospício S. Pedro até a Chacara referida (uma distancia de cerca de 1.500 metros).

Tomando como base um novo projecto elaborado pela Alliança do Sul, e no qual foi considerado o aproveitamento do motor existente no Hospício S. Pedro como machina impulsora, foi annullada a primitiva concurrencia, sendo marcado um novo prazo para apresentação de propostas.

Na segunda concurrencia só tomou parte a Alliança do Sul, sendo a esta empreza confiada a execução das obras.

Hontem, em presença dos nossos amigos general Salvador Pinheiro Machado, illustre vice-presidente do Estado em exercício, coronel Affonso Emilio Massot, commandante da Brigada Militar, e do dr. Theophilo de Barros, engenheiro representante das obras publicas, de diversos officiais da Brigada e outros cavalheiros bem como dos engenheiros srs. Otto Weinstein e Jahir Sgrillo e o sr. Affonso Beck, estes ultimos representantes da firma mencionada, foi inaugurada a nova instalação, fazendo-se diversas experiências que deram os resultados os mais satisfactorios.

Em vista da distancia bastante grande para transmissão da corrente continua, da Uzina até o lugar de consumo, a installação foi executada pelo systema trifilar, com fio neutro em contacto com a terra. Dois pequenos dynamos de 4 KW cada um, trabalham em série, tendo-se com o emprego de um fio conductor de secção relativamente pequeno obtido uma perda de carga dentro dos limites admitidos. Os dois fios externos têm contacto com a terra, elles são alimentadas com 220 volts. A instalação deve pois, ser considerada sob todos os pontos de vista como de baixa tensão.

O impulso dos dynamos é feito por meio de uma correia de algodão da marca “Oxylo”, que trabalha como sem fim, distinguindo-se pela sua grande flexibilidade, sendo pois muito recommendavel para o impulso de machinas electricas em que o funccionamento suave é uma exigência principal.

Nas diversas dependências da Chacara das Bananeiras funccionam  no total 127 lampadas. Os instrummentos no quadro de distribuição mostraram que os dynamos ainda não estão carregados com a metade da energia que podem produzir, de fórma que existe uma regular reserva para um augmento no futuro.

Além da simplicidade da instalação, ainda offerece ella a vantagem do ser 9:000$000 mais barata, em relação ao preço orçado no projecto primitivo; tambem deve constatar-se que com o gasto de combustivel e de pessoal se obterá annualmente uma economia de cerca de 12:000$000.

O dr. Theophilo de Barros, ilustre engenheiro das obras publicas, e a firma Alliança do Sul, foram muito cumprimentados pela feliz solução que deram ao problema.

Para assistir o funcionamento das machinas aquella comitiva official esteve, depois de visitar as diversas dependências do quartel das Bananeiras, no Hospicio S. Pedro.

Nesse estabelecimento, o general Salvador Pinheiro Machado e o coronel Affonso Massot e as demais pessoas foram recebidas pelos nossos amigos drs. Deoclecio Pereira, illustre director do Hospicio S. Pedro e Carlos Penafiel, medico do mesmo manicomio e pelo sr. Antonio Viveiros, administrador, e outros funccionarios.

Na usina do manicômio do Parthenon, o general Salvador, depois de assistir o funccionamento das machinas, teve occasião de manifestar aos presentes a agradável impressão que lhe causara a boa disposição do novo serviço inaugurado.

Fonte: Jornal A Federação, ano XXXIII, edição 121, de 26/05/1916, página 7 – *mantida a grafia da época

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